Cavaleiro Narrando Saí do quarto dela devagar, fechando a porta sem fazer barulho, mas por dentro eu tava queimando. Cada passo pelo corredor parecia mais pesado, como se eu tivesse engolindo fogo. Não é qualquer um que me diz “não”. Eu sempre mando, sempre decido, e as pessoas obedecem. Mas essa garota, com a voz embargada e a cara virada, teve a ousadia de me mandar sair… e eu saí. Entrei no meu quarto, bati a porta e larguei o sapato num canto com força. Tirei a camisa de qualquer jeito e passei a mão no rosto, tentando afastar o incômodo que não me deixava em paz. Eu deveria estar com raiva dela, só raiva. Mas não era só isso. A imagem dela deitada, segurando o travesseiro como se fosse escudo, me deixou estranho. As palavras dela ficaram martelando na minha cabeça: — Não. Eu vou

