Nicolas Estava jogadão na minha cama, como quem não quer nada. E eu realmente não quero. Eu nem sei o que estou fazendo da minha vida. Trabalho pra ter o que comer e pra ajudar minha mãe. Bancar minhas próprias coisas. E sustentar um velho irritante nessa casa. Que por mim, não faria falta se morresse. Já éramos pra ter posto ele para fora, mas minha mãe sempre impede. Esse acidente dele foi castigo de Deus mesmo. Só assim ele sossega um pouco o facho. Mas a ignorância continua. E eu juro que vou tacar o celular na parede se ele continuar vibrando dessa maneira, insistentemente. Relutante, me levanto, praticamente se rastejando até a mesinha de cabeceira, pendurando o celular no ouvido, atendendo a chamada. - Alô? - Nicolas? - Eu? Essa voz não me é estranha. Eu estou a recon

