O relógio marcava pouco mais de sete da noite quando Isabela chegou em casa. O dia no hospital havia sido exaustivo, mas não mais do que a constante presença de Dante em seus pensamentos. Cada olhar, cada palavra dele parecia gravado em sua mente contra a sua vontade.
Ela fechou a porta e suspirou, aliviada por finalmente estar sozinha. No entanto, sua tranquilidade foi interrompida pelo som de uma batida na porta.
Franzindo o cenho, Isabela abriu apenas uma fresta, já preparada para dispensar qualquer visita. Mas ao ver quem estava do outro lado, seu coração parou.
— Você? — exclamou ela, abrindo a porta por completo.
Dante estava parado ali, impecável como sempre, segurando um buquê de flores brancas.
— Boa noite, doutora Moretti.
Ela bufou, cruzando os braços.
— Como sabe onde eu moro?
— Tenho meus recursos — respondeu ele, entregando o buquê a ela.
— Você invade meu trabalho, interfere na minha vida e agora aparece na minha casa? O que mais falta, Dante? — perguntou ela, recusando-se a pegar as flores.
— Falta você aceitar que isso vai acontecer, Isabela — respondeu ele calmamente, entrando sem ser convidado.
— Ei! — protestou ela, mas ele já estava dentro, observando o pequeno apartamento com interesse.
— Você mora de forma simples para uma médica de renome — comentou ele, ignorando o tom irritado dela.
— Eu gosto de simplicidade. Diferente de você, eu não preciso de luxo para provar quem sou.
Dante soltou um sorriso discreto.
— Gosto da sua honestidade.
— Não estou tentando agradar você.
— E é exatamente por isso que você me fascina — respondeu ele, virando-se para encará-la.
O olhar que ele lançou a Isabela a fez engolir em seco. Havia algo naquele homem que parecia capaz de desmontar suas defesas, e isso a assustava.
— O que você quer, Dante? — perguntou ela, tentando soar firme.
— Quero conhecê-la — respondeu ele, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
Isabela riu, mas o som saiu seco e sem humor.
— Você já conseguiu o que queria, certo? O acordo com o meu irmão. Então, por que esse teatro?
— Porque o acordo é só o começo. Eu não quero apenas seu nome ao meu lado, Isabela. Quero você.
As palavras dele a atingiram como um golpe. Isabela não sabia se estava mais furiosa ou assustada com a ousadia dele.
— Você não vai me manipular, Dante. Eu não sou uma das suas peças de xadrez.
— E é exatamente por isso que estou aqui — respondeu ele, aproximando-se lentamente.
— Para quê? Me intimidar?
— Para mostrar que estou disposto a ser mais do que isso.
Isabela deu um passo para trás, tentando manter a distância entre eles.
— Não confio em você.
— Não espero que confie. Não ainda.
Houve um momento de silêncio em que ambos se encararam, como se estivessem tentando medir as intenções um do outro.
— Você é impossível — murmurou ela, finalmente pegando as flores.
Dante sorriu.
— E você é fascinante.
— Boa noite, Dante — disse ela, apontando para a porta.
Ele entendeu o recado, mas antes de sair, virou-se para ela uma última vez.
— Vou buscá-la amanhã às oito. Temos muito a discutir sobre o casamento.
— Eu não concordei com isso ainda.
— Mas vai — respondeu ele, saindo antes que ela pudesse retrucar.
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Na manhã seguinte, Isabela estava terminando de amarrar os cabelos quando ouviu a buzina de um carro na rua. Ela espiou pela janela e viu Dante encostado em um carro preto luxuoso, casualmente olhando o relógio.
— Isso não pode ser real — murmurou ela para si mesma, descendo as escadas.
Ao abrir a porta, Dante sorriu.
— Bom dia, doutora. Está pronta?
— Não, mas parece que isso não importa para você — respondeu ela, entrando no carro.
Durante o trajeto, o silêncio entre eles era tenso. Isabela sabia que aquele encontro significava o início do que ela mais temia: sua vida sendo controlada por Dante Valentini.
Quando chegaram ao local combinado, Isabela percebeu que estavam em um escritório luxuoso, com janelas panorâmicas que ofereciam uma vista deslumbrante da cidade.
— Bem-vinda ao meu mundo — disse Dante, segurando a porta para ela entrar.
— Espero que isso seja rápido — respondeu ela, cruzando os braços.
Dentro da sala, havia um homem esperando por eles. Ele era mais velho, com óculos e uma expressão neutra.
— Este é o advogado que cuidará dos detalhes do contrato — explicou Dante.
— Contrato? — perguntou Isabela, surpresa.
— Sim. Quero que você tenha tudo documentado. Não quero que pense que estou tentando enganá-la.
Ela olhou para ele, desconfiada, antes de se sentar.
O advogado começou a explicar as cláusulas: o casamento duraria três anos, durante os quais ela teria liberdade para continuar com sua carreira. Após esse período, caso não quisesse continuar, poderia se divorciar sem represálias.
— Você pensou em tudo, não é? — perguntou ela, lançando um olhar de desdém para Dante.
— Eu sempre penso — respondeu ele, calmamente.
Isabela pegou a caneta, hesitando por um momento antes de assinar. Ela sabia que, ao fazer aquilo, sua vida mudaria para sempre, mas também sabia que não tinha escolha.
— Pronto — disse ela, colocando a caneta na mesa.
Dante sorriu, satisfeito.
— Bem-vinda ao meu mundo, Sra. Valentini.
As palavras dele ecoaram em sua mente, e Isabela sentiu um calafrio percorrer sua espinha.