A notícia do assassinato de Luigi Salerno e a mensagem entregue a Antônio Di Caro se espalharam com uma velocidade impressionante. O terror no coração de Antônio era palpável. Dante Valentini havia cruzado uma linha sem volta, e as repercussões seriam imensuráveis. Mas ele sabia que o pior ainda estava por vir. Dante não pararia ali. A guerra que ele havia declarado já estava em curso, e ninguém sabia exatamente até onde o homem implacável chegaria.
Naquele momento, o silêncio do escritório de Dante era absoluto. Apenas o som das gotas de chuva batendo nas janelas quebrava a quietude. Ele estava sentado em sua cadeira, os pensamentos fixos na complexidade da situação. Cada movimento estava sendo calculado, cada palavra dita era uma arma silenciosa.
O telefone tocou, interrompendo seus pensamentos. Dante atendeu sem hesitar.
— Senhor Valentini, temos um problema. — A voz de Enzo, seu braço direito, era grave. — Antônio Di Caro está convocando as outras famílias para se unir contra o senhor. Ele quer guerra.
Dante se levantou lentamente, as mãos esfregando a testa. A guerra já estava em andamento, mas ele não estava preparado para abrir um novo front. Ele queria que tudo fosse rápido, decisivo, mas agora se via forçado a lidar com mais um inimigo.
— Não se preocupe com ele, Enzo. — A voz de Dante estava fria, como sempre. — A guerra está apenas começando, e Antônio só está fazendo o que qualquer covarde faria quando percebe que está perdido. Ele está tentando se aliar a quem não tem força suficiente para nos enfrentar.
Havia um breve silêncio do outro lado da linha, seguido pela resposta de Enzo.
— O senhor vai lidar com isso? Temos que agir rápido, ou outras famílias podem começar a se mover.
Dante pensou por um momento, sua mente calculando as possibilidades. Ele sabia que não poderia permitir que a aliança das outras famílias fosse formada. Seria o fim de sua supremacia.
— Eu vou lidar com isso. — Ele desligou o telefone sem dar mais explicações. Ele não precisava. Sabia exatamente o que fazer.
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Naquela noite, Dante decidiu que enfrentaria a ameaça de frente. Ele não esperaria mais, e a aliança das famílias mafiosas rivais não teria chance alguma contra ele. No entanto, ele sabia que, para destruir a aliança, precisaria de mais do que força bruta. Era hora de agir de maneira estratégica, usando toda sua inteligência.
Ele se dirigiu à casa de um dos líderes da facção rival, uma reunião que havia sido marcada discretamente entre os mafiosos. Ao chegar, foi recebido por um homem de aparência robusta, com um olhar desconfiado. Dante não se importou. Ele estava acostumado a ser temido e, mais que isso, respeitado.
— Valentini. — O homem disse com um sorriso forçado. — Vejo que veio discutir sua proposta. Mas eu já ouvi falar sobre suas ações recentes.
Dante olhou para ele com um sorriso gelado. Não era hora para joguinhos. Ele estava ali para garantir que ninguém se opusesse ao seu domínio.
— Eu estou aqui para fazer uma oferta que vai mudar tudo. — Dante respondeu de forma firme. — Você sabe o que aconteceu com Luigi Salerno, certo? Se você quiser sobreviver, é melhor me ouvir.
O homem, agora um pouco mais tenso, acenou com a cabeça, indicando que Dante prosseguisse.
— As alianças podem ser quebradas. Eu sou mais forte que qualquer um desses ratos. Se você tentar se unir a Antônio ou qualquer outra família, a sua vida também será considerada dispensável. — Dante falou com frieza, a ameaça óbvia em suas palavras. — Escolha seu lado com sabedoria, porque ninguém pode me desafiar impunemente.
O líder da facção rival respirou fundo, visivelmente abalado pelas palavras de Dante. Ele sabia que se Dante estava falando assim, a situação já estava fora de controle. Não havia mais espaço para negociações.
Dante virou-se para sair, mas antes de dar um passo, olhou para trás, dizendo com uma voz baixa e ameaçadora:
— Eu farei o que for preciso para proteger o que é meu. E você, seja inteligente e faça sua escolha.
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Enquanto Dante estava ocupado com as movimentações de guerra, Isabela ainda se encontrava na sua casa, longe da violência e do caos que dominavam o mundo de Dante. Mas, mesmo distante, ela sentia o peso das consequências do contrato que havia assinado com ele. O casamento, que inicialmente parecia ser uma simples formalidade, se tornava mais real a cada dia. E, com isso, ela se sentia mais e mais presa.
Naquela noite, enquanto estava na sala de estar, olhando pela janela, ela foi surpreendida por um telefonema. Era de Dante.
— Isabela. — A voz dele era fria, mas algo em seu tom fez o coração dela disparar. — Eu resolvi o problema. Você não precisa mais se preocupar.
Isabela sabia o que ele queria dizer. Ele havia terminado com as ameaças. Dante havia agido, como sempre. Mas o que ela não sabia era o custo daquilo.
— Dante... — ela tentou falar, mas as palavras não saíram como ela queria. — Eu... não sei mais o que fazer.
Ele não deixou ela terminar. Sua voz soou de maneira intransigente.
— Não se preocupe, Isabela. Nada mais vai te ameaçar. Você está segura agora. Só lembre-se de que você é minha e ninguém mais vai tocar em você.
Isabela sentiu um calafrio percorrer seu corpo. Ela não queria fazer parte desse mundo. Mas o que Dante dizia era uma promessa... e ele sempre cumpria suas promessas.