Dante narrando.
Como vocês já viram eu sou o Dante, e por ter necessidade de arrumar uma grana acabei me fudendo e entrando na maior roubada da minha vida.
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Algumas semanas antes...
Estava atordoado com as merdas que estavam acontecendo, minha mãe está doente e eu não tenho a p***a de um tostão furado no bolso para poder levar ela num hospital descente.
Depois dizem que favelado entra no crime porque quer, já fui em três entrevistas de emprego diferentes e todos me dispensaram depois que viram o meu endereço.
Então quer dizer que só por que eu moro na favela que não posso querer ser uma pessoa descente e ganhar dinheiro sem ser de uma forma em que eu fique procurado pela polícia?
Esses caras são uns merdas mesmo.
Estava subindo o morro para ver se arrumo algo por aqui mesmo em algum bar ou sei lá e acabei encontrando o VT sentado na praça bebendo, assim que me viu ele me chamou.
VT: Eai parceiro, como estão as coisas? - me passou uma cerveja.
Dante: Indo de m*l a pior. - Bufei.
VT: Problemas com a coroa de novo? - assenti com a cabeça.
Dante: Toda vez que a veia vai no postinho é um problema pior, to tentando arrumar um dinheiro, mas está f**a.
VT: Po irmão papo reto, eu te juro que se eu tivesse te emprestava, mas trabalhar de vapor não rende tanto assim não.
Dante: Eu to ligado.- suspirei.
VT: É meio pá ta ligado, mas eu to sabendo que o patrão ta precisando de um cara pra fazer uns corres pra ele, não deve ser muito dentro da lei mas acho que paga bem.- fiquei pensativo.
Dante: Me leva la po.
Pode não ser algo muito honesto mas se eu tiver que ser preso pra poder conseguir tirar a minha mãe dessa situação eu não me importo.
Estava a caminho da boca com o VT e vi a gostosa da Mayana vindo em nossa direção de cropedd e aquele shortinho curto dela que deixa qualquer um doido.
Cumprimentou a gente e deu uma piscadinha pra mim, eu ainda pego essa morena pra mim.
Cheguei la na boca e fiz toque com uns manos e outros ficaram me olhando com cara de cu, eu nunca tinha vindo aqui então deve ser por isso.
Entramos e o chefe nos recebeu na sua sala.
VT: Ai patrão, tu disse que tava precisando de um cara pra fazer uns corres, então eu arrumei pra tu. – ele me olhou e mandou o VT vazar.
Tandera: Ta aqui por causa de que mano? – tragou seu baseado- nunca vi você metido com essas coisas.
Dante: To precisando de grana pra ajudar minha mãe.- continuei serio e ele pareceu pensar.
Tandera: Eu tenho umas coisas pra você entregar, não é nada perigoso mas se a policia te pegar é cadeia na certa. Te dou mil reais por cada entrega que você fizer e eu tiver a garantia de que ela chegou aonde deveria.- pensei bem e taquei o fodase, pela minha coroa eu faço oque for.
Dante: Fechado.
Tandera: Te encontro amanha aqui na boca. – apertou a minha mão e eu sai de la.
.....
Se minha mãe sonha que eu to me metendo nessa m***a eu fico fudido, parti pra csa e fui fazer algo pra mim e minha coroa comer.
Maria: Como foi na rua meu filho? – veio ate mim.
Dante: Foi tranquilo mãe, arrumei um emprego que vai ajudar bastante nas despesas daqui de casa e ainda vou conseguir pagar um hospital bom pra senhora. – dei um beijo na testa dela.
Maria: Já disse que não precisa se preocupar cm isso meu filho, eu vou melhorar...e onde é esse trabalho em?
Dante: É pra um cara de uma loja ai que tem umas coisas pra entregar.- inventei uma desculpa qualquer e acho que colou.
Terminei de fazer a comida e assim que nos comemos eu lavei oque ficou na pia e fui tomar um banho por que mais tarde tem baile.
Me arrumei trajado e subi pra quadra com o VT, da esquina já dava pra ouvir o som estalando, nem sou muito fã de baile mas devido a situação vou ir dar uma esfriada na cabeça.
Cheguei la e já avistei varias novinhas se acabando de dançar, se Deus quiser hoje eu não durmo sozinho.
VT não deu nem meia hora e já tava metendo o pé.
VT: Vai ter Felipe Ret no mirante hoje, a tropa vai avançar, bora? – falou animado.
Dante: Vou nada, hoje eu vou em busca da minha meta.- encarei a Mayana e ele riu.
VT: Fé pra tu cria.- saiu.
Já vi que se eu não desenrolar nada hoje eu volto pra casa apé.
Cheguei de cantinho nela que tava dançando e ela logo já se ligou e ficou rebolando pra mim, fico doido com essa garota.
Virou de frente e nos ficamos dançando e curtindo a onda da musica, essa hora eu já estava durão.
Mayana: Bora pra um lugar mais discreto. – falou no meu ouvido e eu nem pensei duas vezes.
Fui seguindo ela e nos fomos para em um barraco perto da casa do chefe, essa mina ta me levando pro abatedouro dela, não é possível.
Sem muita enrolação ela já foi tirando a minha roupa e nos fomos pra cama, cheia de atitude fiquei bobão.
.....
Ela caiu do meu lado ofegante e com um sorriso s****o no rosto, braba demais essa mina.
Conversa vai, conversa vem...ela estava perguntando da minha vida e de todo jeito eu acabei falando algumas coisas e perguntando também.
Pelo pouco papo com ela já deu pra perceber que era uma mina de maior visão, queria trabalhar, casar construir família e essas paradas todas e eu acho isso f**a.
Mayana: Meu sonho mesmo é sair desse morro, mas pro meu irmão, isso é o fim do mundo. - suspirou.
Dante: Deve ser f**a né, mas não deixa teu irmão ficar impondo limites na tua vida não.
Mayana: Meio difícil quando seu irmão é o dono do morro, ele manda e desmanda em quem ele quiser, isso inclui a mim também. - Quase me engasguei com oque ela falou e olha que eu nem estava comendo nada.
Agora que eu to fudido mesmo, imagina se o chefe descobre que eu peguei a irmã dele... p**a m***a!
Dante: Ta na minha hora gatinha, tenho que meter o pé. – falei um pouco tenso.
Mayana: Ta indo embora porque te disse que o Tandera é meu irmão, quer dizer, você sabia né? – se levantou.
Dante: N a verdade não, eu não sabia...mas, eu vou fazer uns corres pra ele amanhã, e você sabe bem a fama que ele tem em r*****o a você não é? – cocei a nuca.
Mayana: Tudo bem, eu to acostumada com isso. – começou a se vestir.
Dante: Não me leva a m*l não May, tu é uma mina f**a mesmo, quero ficar m*l contigo não.
Mayana: Fica tranquilo que eu também gosto de você, e tenho certeza que ele não mata, quer dizer...se ele não mata os dele que me pegam de vez em quando. – sorriu sacana.
Dante: Tu não presta mesmo né garota. - dei um selinho nela e nos despedimos.
Bom, se mais pra frente eu morrer por causa disso pelo menos eu fiquei com uma gostosa.
....
Já tinha feito varias coisas no meu dia hoje e estava na hora de fazer a minha primeira entrega.
Ele me deu as coordenadas e disse todos os passos que eu deveria seguir.
Tandera: So não esquece, se você abrir essa mochila eu arranco seus olhos fora. – disse serio e eu concordei.
Peguei a moto que ele havia me “emprestado” e fui sutilmente fazer o meu corre, cheguei no local combinado e logo avistei o cara que eu iria encontrar.
Cheguei mais ou menos perto em um lugar que desse pra ele me ver e fiz o sinal, deixei a mochila em um canto escondido de visão fácil pra ele e me certifiquei que ele havia pegado.
Voltei pro morro e já fui todo empolgado pra receber o meu dinheiro, fiquei bobão mermo.
A partir de hoje a vida da minha coroa vai começar a mudar.
Marquei o próximo corre e fui pra casa feliz da vida, hoje era dia de consulta da minha mãe e eu ia dizer pra ela que iriamos na clinica fazer o plano de saúde dela, o melhor que tiver.
Cheguei em casa e enquanto ela se arrumava eu já dei a noticia e ela ficou toda boba, como sempre ficou meia hora dizendo que não precisava mas no final se deu por vencida.
Depois de fazermos tudo nos passamos no mercado para comprar umas coisas que estavam faltando em casa e finalmente quando for semana que vem ela já começa o tratamento pro problema nos rins que ela tem.
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Algumas semanas depois...
Já tem mais ou menos um mês que eu to fazendo corre praticamente todos os dias, os lugares e pessoas variavam mas era sempre a mesma mochila preta e a mesma regra. “se você abrir essa mochila eu arranco seus olhos”.
Ele fazia questão de dizer isso todas as vezes.
Esse pagamento ta sendo uma ajuda e tanto, nunca achei que acharia algo tão fácil e que pagasse bem, não que isso seja o paraiso mas pra um cara como eu já esta de bom tamanho.
Hoje estava um sol do c*****o e eu estava sem um pingo de v*****e de sair de casa, algum pressentimento r**m estava me mandando ficar...mas isso deve ser coisa da minha cabeça, so ignorei e segui a minha rotina de todos os dias.
Deus me livre, hoje o patrão tava pior que cavalo, m*l humor ultrapassou todos os dias.
Conforme o padrão eu fiz todo o meu trajeto tranquilamente e sem dar bandeira pra ninguém, avistei o cara como sempre e ele veio na minha direção pegar a mochila, hoje seria um pouco diferente por que o chefe me mandou receber o dinheiro e levar pra ele.
Quando entreguei a mochila pra ele e vi aquela a**a eu me dei conta de que tinha feito a pior m***a da minha vida...eu fui rendido.
Era um policial disfarçado e como ele ordenou, eu coloquei as mão pra tras, me revistou e eu fui algemado.
Até então eu não estava entendendo muita coisa, o cara abriu a minha mochila, me enfiou no camburão e me levou direto pra delegacia.
Chegando la eu fiquei sabendo que dentro daquela mochila tinha 2kg de cocaína pura.
Eu sabia que oque tinha ali era m***a mas não imaginava que era nesse nível, nesse momento eu vi que a minha casa tinha caído.
Tentei explicar tudo pra eles mas quem disse que queriam saber de alguma coisa, já estavam me chamando de bandidotraficante e os caralhos, aonde já se viu uma p***a dessa.
Tinha direito a um telefonema mas não tinha nem condições de ligar pra minha mãe, so de pensar em como ela vai ficar quando souber já é f**a.
Liguei pro VT que era o meu amigo mais próximo e quem eu sabia o numero de cabeça.
*
Dante: VT é o Dante, presta atenção.
Eu fui pego pela policia, eles acharam 2kg de coca na mochila que eu fui entregar hoje e ate agora eu não entendi como aquilo foi parar la. – respirei fundo enquanto ele ouvia atentamente.- avisa a minha mãe sem deixar ela preocupada e fala pro Tandera dar um jeito de me tirar daqui o mais rápido possível!- falei já ficando puto.
VT: Pode deixar mano, Lili vai cantar e não vai demorar, fica na paz.
*
Fizeram a minha ficha, me levaram pra sela e agora eu to aqui esperando a boa v*****e de alguém vir me tirar desse lugar.