Alejandro narrando
Estou tentando me concentrar, mas tudo que consigo pensar é em Solange. Meu treino de Muay Thai foi um desastre hoje. Meus golpes estavam descoordenados, minha mente longe do ringue. O treinador percebeu minha distração e me deu um sermão sobre a importância do foco, mas não consigo tirar Solange da cabeça, ela não queria fazer aquilo, eu sei, conheço minha garota.
Chego em casa, atirando minhas coisas no chão. A raiva e a frustração borbulham dentro de mim, e antes que perceba, estou socando a parede, a dor física uma pequena distração para a dor em meu coração. Por que ela fez isso? O que a levou a se afastar de mim tão abruptamente? As perguntas giram na minha mente, sem respostas.
Quebro algumas coisas no meu apartamento, eu não aguentaria estar na casa cedida a mim, tão perto de minha garota sem poder me aproximar, o som de vidro se estilhaçando ecoando pela sala. A dor em meus punhos é nada comparada ao vazio que sinto. Depois de um tempo, a raiva cede ao cansaço, e me deixo cair no sofá, respirando pesadamente. Olho para a foto de Solange que tenho no celular, seu sorriso radiante, seus olhos brilhantes. Como alguém tão cheia de vida poderia causar tanto sofrimento?
Minha obsessão por ela não diminuiu, e sinto uma necessidade avassaladora de vê-la, de entender o que aconteceu. Decido fazer algo que provavelmente não deveria.
[...]
Na calada da noite, invado a casa dela mais uma vez, e p***a, eu deveria ter feito isso ontem mesmo, após suas palavras me machucarem. Subo pela janela do seu quarto, algo que já fiz antes, mas desta vez com um propósito diferente.
Ao entrar no quarto, vejo Solange dormindo. Ela está usando um blusão grande e uma calcinha, sua figura delicada se destacando na luz suave da lua que entra pela janela, ela abraça uma travesseiro e sorrio por vê-la descansar. Meu coração aperta ao notar as marcas de lágrimas em seu rosto. Ela esteve chorando antes de dormir. Isso me parte ao meio, também está sofrendo.
Deito ao seu lado na cama, sentindo o calor de seu corpo. Com cuidado, pego o seu celular, usando a sua digital para desbloqueá-lo. Vasculho suas últimas conversas, procurando desesperadamente por uma pista, algo que explique a sua decisão. Não há nada. Nenhuma mensagem suspeita, nenhuma conversa com outra pessoa. Isso me deixa ainda mais intrigado e frustrado.
O que a fez se afastar de mim? Será que meu amor por ela é tão errado assim? Mas ela nem sabe de minhas constantes invasões ao seu quarto, fora isso não teria porque se assustar comigo
Saio de lá antes que ela acorde, deixando-a dormir em paz, mas sem conseguir parar de pensar, o que eu fiz para ela se afastar?
[...]
No dia seguinte, depois do meu treino, minha irmã e eu decidimos ir ao shopping para algumas compras que ela deseja. Tento me distrair, mas é impossível. Minha mente está sempre voltada para Solange:
_ Irmão, o que está te aborrecendo?_ Ela questiona e abraço exagerado feliz por vê-la rir
_ Desculpa Rosa, hoje estou uma péssima companhia, é que... estou gostando de alguém, mas ela se afastou de mim, sem motivo nenhum, juro que fui um cavalheiro, mas não consigo parar de pensar nela
_ Talvez ela esteja fazendo isso de propósito, para você se atrair mais_ n**o com a cabeça, meu Sol não faria isso
Enquanto andamos pelos corredores do shopping, algo chama minha atenção me surpeendendo imensamente. Lá está ela, fazendo compras com um segurança ao seu lado. Meu coração acelera ao vê-la, e uma mistura de sentimentos me invade, eu preciso falar com ela.
Tento explicar a minha irmã que não entende nada pela minha pressa ao falar, mas ando em sua direção discretamente.
A sigo de longe, observando cada movimento. Ela parece feliz ao tirar uma foto sorridente e logo abaixar o celular, mas sei que é apenas uma fachada. Quando nossos olhares se encontram, ela fica em choque. Sei que ela não esperava me ver aqui. Começo a me aproximar e o seu segurança percebe a troca de olhares e coloca a mão no ombro dela, um gesto possessivo que me enche de raiva.
Vejo Solange e o segurança se afastarem rapidamente após ele dizer algo a minha garota. Minha raiva atinge um novo pico. Agora está claro. Eles a proibiram de estar comigo. Isso não é algo que ela faria por vontade própria.
[...]
Minha irmã tenta me acalmar, mas é inútil. Estou furioso, transtornado com a situação. Não vou permitir que ninguém, nem mesmo seu pai, nos mantenha separados. Decido que preciso falar com ela, entender tudo isso de uma vez por todas:
_ Deita ai e descansa Alejandro, não faça nada e******o_ Ela manda e apenas beijo sua cabeça, ela pega a chave do seu carro que eu a presenteei no seu aniversário e parte para sua casa, me deixando sozinho com todos meus demônios
Tento focar em outras coisas, mas é inútil. As imagens de Solange e do segurança, a expressão de choque no rosto dela, tudo isso não sai da minha cabeça.
A noite chega e não consigo dormir. Estou deitado na cama, encarando o teto, a mente a mil. Decido que preciso ver Solange novamente. Não vou esperar mais. Me levanto e vou até a casa dela, pulando a janela do seu quarto mais uma vez.
Ela está dormindo, mas ao meu lado, posso ver o seu rosto marcado pelas lágrimas. É insuportável vê-la assim. Deito ao seu lado, sem fazer barulho, e fico observando-a. Ela parece tão frágil, tão vulnerável. Meu coração dói só de pensar que estou de alguma forma causando essa dor nela.
Passo a noite ao lado dela, sem conseguir dormir. Quando o sol começa a nascer, decido sair antes que ela acorde. Mas algo dentro de mim diz que isso não pode continuar assim. Preciso de respostas. Preciso entender o que está acontecendo.
Nada vai nos separar, eu não vou permitir isso, ela é minha e asism deve ser, ninguém tem o direito de afastar minha ruvia de mim
Ela resmunga em seu sono se virando de costas para mim e resmungo apenas mentalmente sabendo que é minha hora de ir, não vejo a hora de poder passar uma noite de verdade ao seu lado
[...]
Decido ir até o estúdio de dança onde ela treina, esperando que talvez lá eu consiga falar com ela em um momento mais calmo. Quando chego, vejo-a saindo com as suas amigas. Ela parece feliz, rindo e conversando, mas algo em seu olhar me diz que é apenas fachada, tem que ser isso.
Espero até que ela esteja sozinha e me aproximo, tentando parecer o mais calmo possível.
— Sol, precisamos conversar — digo, minha voz firme mas suave.
Ela me olha surpresa e um pouco assustada, mas não se afasta.
— Alejandro, eu já disse que é melhor nos afastarmos — ela responde, sua voz tremendo levemente e vejo que observa nosso arredor, em busca dos seus seguranças.
— Por quê? O que está acontecendo? Eu sei que algo está errado — insisto, tentando segurar a sua mão.
Ela puxa a mão de volta, olhando para os lados como se procurasse alguém, com medo que visse isso.
— Não podemos, Alejandro. É melhor assim. Confie em mim — diz, sua voz cheia de dor.
— Não posso simplesmente aceitar isso. Eu gosto de você, Solange. Não posso te perder sem nem saber o motivo — digo, minha voz quebrando.
_ Eu... desculpa mas é o melhor, estou fazendo isso por você Alejandro, você parece ser um ótimo homem, que ama sua família e merece sucesso, você deve arrumar outra pessoa
_ Eu quero apenas você_ Afirmo e ela sorri rapidamente, mas logo se afasta mais
Ela me encara, os olhos cheios de lágrimas, mas não diz nada. Apenas balança a cabeça e se afasta, deixando-me ali, sentindo-me impotente e devastado.