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1499 Palavras
Com a minha primeira parte do plano de vingança de Christian realizada, consegui naquela noite uma cama de verdade para dormir. Me senti como uma criança diante de vários brinquedos, o colchão da cama não era como a minha cama mas, só o fato de dormir naquela noite em algo confortável, já fez o caos daquele dia valer a pena. Também tive acesso ao banho e vestir roupas limpas, além da comida que eu poderia comer. A fraqueza em meu corpo já não era persistente, muito menos constante, aos poucos meu corpo se recuperando. - Come mais devagar - Christian reclama na outra lateral da mesa - Parece que nunca viu comida. Encaro ele com a boca cheia, mastigando devagar. - Já faz um bom tempo mesmo que não vejo comida - Ressalto, voltando a comer, interessada apenas com o que havia preparado para o jantar, não vendo a hora de poder comer. Minutos mais tarde, ele deixa a cozinha, me deixando com a louça para lavar e a cozinha para arrumar, que apesar do que achava, arrumei mais rápido que o costume e logo estava livre para dormir. Não ligo a lâmpada ao entrar no quarto, invés disso, fecho a porta atrás de mim e ando em direção da cama em meio ao escuro, que sabia que não estava muito longe de mim. Mas antes mesmo de chegar na cama de solteiro, sinto uma mão grande pressionar a minha boca e meu corpo encostar em um corpo maior que o meu. Inicialmente sem motivo algum, imaginei que fosse Christian mas, não demorou para eu lembrar que eu o deixei na sala, assistindo alguma coisa na tv. Não tinha como ser ele ali. Tento lutar contra o corpo que estava atrás de mim, sendo detida no mesmo instante com um sussurro em meu ouvido. - Sou eu, Laura - A voz de Rafael consegue trazer arrepios involuntários pelo meu corpo. A mão lentamente sai da minha boca e posso me virar para ele, mesmo não o enxergando. - Como você entrou aqui? - Era algo que com certeza eu precisava saber. - Lord está no canil e você estava na cozinha com o Christian. Solto o ar dos pulmões, abraçando meu corpo. - Eu fiz o que ele queria e ele me deixou comer, tomar banho e dormir aqui. Rafael se move em minha frente, como uma fera enjaulada, pensando na atitude do irmão. - Eu tenho que parar ele. - Como? Já que nem parece que tem um coração dentro dele - Rafael com certeza pensava como eu, havíamos sido dececionados por Christian e ainda estávamos nos recuperando. Já não conhecíamos a pessoa que estava no andar de baixo. - Vou pensar em alguma coisa - diz ele por fim - Ele não pode manter você prisioneira dele. Que tipo de vingança seria essa? - A pergunta que fica no ar, me faz pensar. Christian tinha bons motivos para estar fazendo tudo aquilo, talvez os mesmos motivos que Rafael poderia ter. - Você também já pensou em se vingar? - Assim como o questionamento dele que ficou no ar, minha pergunta também ficou. Rafael sempre foi um garoto dócil, gentil, que sempre estava ao meu redor tentando me ajudar de alguma forma ou ser útil e o único momento que fui “insensível” com ele, foi quando o dispensei após se declarar para mim, sendo o mais romântico possível. Rafael tira as mãos dos meus olhos, permitindo que eu vissem sobre a mesa alguns cupcake formando uma única frase: Quer namorar comigo?. Me senti paralisar, nós estávamos na cozinha, que ainda havia utensílios sujos que ele usou, sozinhos e eu não sabia como dizer à ele que já estava namorando em segredo, com o seu irmão. - Ficaram feios. Eu sei - diz ele nervoso, arrumando os doces em minha frente. - Estão bonitos - digo baixo. - Mesmo? - Ele me olha surpreso, com um sorriso tímido em seu rosto. - E parece bons também - Finalizo. - Pode comer um. Aí você pode me dizer se está ou não - Sem jeito, pego um dos doces, dando uma mordida, percebendo que havia recheio no meio. O meu preferido de morango. - Você lembrou - digo olhando para o recheio. - Você só cheira à isso - Ele segura a ponta do meu cabelo, enrolando em seu dedo, me olhando com mais atenção - .... Você... você quer namorar comigo? Engulo em seco, sustentando seu olhar. - Rafa, eu amo você mas, já estou namorando com o Chris - Acredito que foi nesse momento em que parti o coração de Rafael, pois pude ouvi-lo se quebrar. Sinto as mãos dele em meu rosto, suadas, me lembrando de onde estava. - Não. Você não - diz rapidamente, como se quisesse que eu acreditasse que não estava mentindo - Nunca quis machucar você. Eu ainda... - Você ainda...? - Espero que ele continue a frase, invés disso, ele tira as mãos de meu rosto. - Deixa para lá - diz num sussurro e em meio ao silêncio, ouço sua respiração acelerada, que deduzia que estava nervoso. - Rafa... - Tenho que ir. Christian pode subir a qualquer momento - diz ele de repente indo para a janela, passando pela mesma com agilidade, o que me fez concluir que aquela não era a primeira vez que ele estava fazendo algo do tipo. Novamente fico sozinha naquele quarto, já sem vontade de dormir, com as palavras de Rafael ainda girando ao meu redor. Com muito custo, consigo dormir, ainda com as palavras de Rafael frescas em minha mente e pensando como as coisas seriam se eu tivesse namorado com ele. Com certeza não estaria naquele momento, nós dois estaríamos seguindo nossas vidas, deixando o passado aonde ele deveria estar. No passado. Durmo incrivelmente bem , esquecendo por um momento de onde estava, ao me dar conta de que Christian não havia me acordado, muito menos Lord em cima de mim. Sento na cama, percebendo que já havia amanhecido e após uma ida ao banheiro, me sinto pronta para mais um dia na minha sentença. Aparentemente a casa estava vazia, não havia nenhum sinal de Christian por ali, o que não era r**m mas, ele não costumava me deixar sozinha, fazia questão de estar de olho em mim o dia inteiro. Paro na entrada da cozinha ao notar Luara tomando café da manhã. - Ah. Oi - diz ela com um sorriso, me olhando por cima do ombro - Espero que não se importe mas, fiz o café - Olho para a mesa posta abismada. - Não. Tudo bem - Puxo a cadeira mais próxima, me sentando. - As roupas deram certinho em você - Ela comenta, me olhando com atenção. - Estão um pouco folgadas - digo me servindo - Não costumo ser tão magra. - Christian andou judiando de você muito, não é? - Sustento seu olhar, sem saber a pegadinha que estava por trás daquele comentário. - Falando nele - Solto um suspiro - Cadê ele? - Na linha de frente - diz séria - Invadiram o morro. Ergo as sobrancelhas, parando a xícara perto da minha boca. - Pela polícia? - Se a resposta fosse afirmativa, eu não estaria salva, estaria sendo procurada e teria que fugir para o mais longe possível, sem ajuda alguma. - Não. Tomo um pouco do líquido quente, ainda sem saber como reagir, só então me dando conta de que disparos estavam vindo ao longe. Nunca presenciei tal coisa, ouvir aqueles disparos seguidos, certamente me apavorou. - Acho que estamos protegidas aqui - A voz de Luara soa novamente. - Você acha? - pergunto com meu nervosismo aparente, estava tendo um tiroteio naquele lugar e ela não tinha ideia se estávamos seguras ali ou não. Poderíamos estar correndo o risco de ser mortas. - Acho que aqui é o último lugar que invadiriam. Mas se invadirem, nós temos o Lord - Ela olha para o cachorro dormindo perto da pia. - Ele é um cachorro! - digo nervosa - Não tem como ele nos proteger - Deixo a xícara de lado, quando noto que não estava mais com fome e sim apreensiva. Luara não diz nada, invés disso, continua a comer, como se não estivesse acontecendo. Eu até invejava aquela calma dela, só que não conseguia encontrar aquela paz que estava dominando ela. Aquelas pessoas deveriam ser perigosa e poderiam estar querendo a cabeça de Christian e de todos que tivessem uma ligação com ele, era para ela estar como eu, preocupada com sua própria vida e temendo pelo pior. - Seu café vai esfriar - Ela comenta. - Não estou mais com fome - murmuro. Ela levanta sorrindo, balançando a cabeça de um lado para o outro. - Você tem muito que aprender, sabia? - diz antes de sair da cozinha ainda com a calma instalada em seu corpo, me deixando para trás roendo as minhas unhas que haviam sobrado.
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