Fiquei sozinha o restante do dia, além da companhia de Lord. Diferente do que achei que ficaria, estava apreensiva, acreditando que algo de r**m havia acontecido com Rafael. Aquela não era a primeira vez que me sentia daquela forma.
- A rede está frouxa - diz Christian, em um dia quando decidimos usar a quadra do condomínio para jogar vôlei. Mesmo nós estando em três, havíamos concordado que iríamos nos revezar, entretanto, a rede não estava esticada o suficiente.
- Eu resolvo - digo andando na direção de uma das bases que estava a segurança.
- Deixa comigo, Laura - diz Rafael, passando por mim correndo, escalando uma das bases que não era muito alta mas, tinham um bom tamanho por causa da rede. Antes mesmo dele conseguir esticar a rede, ele se desequilibra e tentando amortecer a queda, colocando uma das mãos em baixo do corpo, o que acaba causando uma lesão em seu pulso.
- Rafa!! - grito correndo até ele, quando ele começa a rolar no chão de dor - Deixa eu ver!
- Está doendo muito! - Ele apertava o braço contra o corpo com força, numa tentativa inútil de fazer a dor parar.
- Para de ser frouxo e de gritar! - diz Christian, puxando o braço do irmão, para que pudesse olhar melhor o que estava acontecendo.
Rafael grita mais alto de dor, puxando o braço de volta.
- Está machucando ele! - digo séria, olhando Christian com raiva. Ele não estava ajudando nem um pouco, até parecia que ele estava irritado com o irmão, por ter atrapalhado a brincadeira e estar atraindo toda a minha atenção.
- Não foi nada, você não está vendo? - Ele tenta argumentar, levantando - Vai, Rafael, levanta.
Rafael continua apertando o pulso contra o peito, com o suor se acumulando.
- Vamos atrás da sua mãe, Rafa - digo ajudando Rafael a se levantar, olhando para Christian com todo meu ódio.
Assusto, abrindo meus olhos, quando algo úmido jogado contra o meu rosto. Apertando os olhos, percebo que Christian está em pé na minha frente com seu maxilar tencionado, notando que ele havia jogado água contra meu rosto.
- Levanta - diz rudemente. Sento na cama, sem desviar o olhar do dele.
- Cadê o Rafa?
Ele estreita os olhos.
- Por quê está tão preocupada com o meu irmão? - Dou de ombros, semicerrando os olhos.
- Ele levou um tiro - Faço questão de lembrar, caso ele não estivesse lembrando.
- Eu também.
- Você optou em ir para um hospital.
- Eu o levei também - diz ao menos sem pensar - Nós dois fomos baleados, Laura - Havia um quê a mais na voz dele, que demorei para perceber o que era, precisei vasculhar a minha mente, quando senti que já havia visto aquilo em algum lugar.
- Está com ciúmes, Chris? - Me ouço perguntar, me arrependendo no mesmo instante de ser tão íntima com ele, quando claramente nós não éramos mais íntimos.
Ele tenciona ainda mais o maxilar, dando um passo na minha direção.
- Não me chama de Chris. Entendeu? E não estou com ciúmes - Claro que ele estava, ele ficou daquele mesmo jeito quando ambos tiveram um pequeno acidente de bicicleta. Christian havia inventado de levar o irmão na garupa de uma bicicleta sem freio em uma ladeira e acabou que ambos não conseguiram parar a tempo e acabaram de ralando no asfalto.
No dia, fiquei preocupada com os dois mas, Rafael parecia ter se machucado mais do que irmão, já que tombou por cima da bicicleta e até mesmo de Christian. E quando Christian percebeu que estava mais preocupada com o irmão do que com ele, se enfureceu.
- Eu queria que vocês dois morresse - diz ele enfurecido, se afastando de nós movido pela raiva.
- Ainda quer que nós dois morra? - pergunto com irônia, conseguindo ver em seu rosto, que havia atingindo alguma coisa dentro dele.
Ele inclina a cabeça para o lado, com os olhos semicerrados.
- Qual é o seu problema, Laura?
- Eu que deveria perguntar isso, não acha? Mas invés disso, quero saber se ainda quer que nós morra.
- Eu quero que você morra - diz ele de imediato mas, não conseguiu me surpreender. Já esperava que ele tentasse parecer durão ou algo do tipo - Quero que você morra lentamente, que sofra antes disso com preferência que, eu possa ver a dor em seus olhos e a certeza que irá morrer - Agora aquilo foi profundo.
- Tudo isto por causa do Rafael? - pergunto baixo, não deixando me abalar com suas palavras, mesmo eu sentindo que ele estava tentando tocar em alguma ferida dentro de mim.
- Não é sobre só o Rafael e você sabe disso, Laura. Você mais do que ninguém sabe - E eu sabia mas, ainda acreditava que existia uma dorzinha de cotovelo também por causa de tudo aquilo.- Agora se quiser que eu arraste você, é melhor levantar agora.
Tiro o cobertor bruscamente de cima de mim.
- Posso pelo menos escovar os meus dentes?! - grito de volta, ele não responde.
Minutos depois, desço os degraus da escada, me preparando para ir para a cozinha, quando ele me detém.
- Você vem comigo - diz simplesmente antes de sair pela porta da frente. Soltando o ar dos pulmões eu o sigo, sem ter ideia de qual parte do seu plano de vingança ele estava prestes a por em ação.
Primeiramente imaginei que poderia estar me levando de volta para o Matias e seu companheiros, para que pudessem se desfrutar novamente de mim. Mas o Matias não estava do lado fora da casa, invés disso entramos no carro e ele começou a dirigir pelas ruas.
- Aonde estamos indo? - Ouso perguntar, quando fico apreensiva.
- Cala a boca - Ele ao menos me olha, mantém seus olhos fixos na rua. Começo a mordiscar meu lábio inferior, sem conseguir imaginar o que ele estava planejando.
Ele poderia estar prestes a fazer qualquer tipo de barbaridade, havia tantas que eu não conseguia nem listar.
Diante de diversas pessoas acumuladas ao lado de fora d algum lugar, Christian para o carro e desce do mesmo sem dizer nada. Observo ele dar a volta no carro e parar na frente do mesmo, me encarando.
- Precisa de um convite? - Relutante desço do carro, andando até ele, que não perde tempo em segurar meu pulso e me puxar para o meio daquelas pessoas. Sem ao menos pedir licença, ele começa a atravessar aquela pequena multidão, as vezes algumas pessoas saiam da frente e as vezes acontecia de não perceberem ele.
Apenas quando atravessamos todas aquelas pessoas, que percebo aonde estávamos e o que estava acontecendo.
- Por que estamos aqui? - pergunto tentando me soltar.
- Já ficou cega?
- Eu sei que aqui é um cartório.
- Então sabe que vamos nos casar - Encaro ele de imediato, estava acontecendo ali um casamento comunitário.
- Não era assim que eu imaginava.
Ele sorri com desdém para mim.
- Um vestido branco não vai fazer falta.
- E um casamento de verdade também - digo alto o suficiente, para que as pessoas que estavam ali nos olhasse - Pensei que iríamos fazer uma cerimônia - Aquele de longe se parecia com meu casamento que tive antes. Estava vestida da pior maneira e teria que dividir meu dia com outras pessoas.
-Você não é a mulher dos meus sonhos, então não tem por que algo incrível.
Semicerro os olhos, conseguindo puxar meu braço de sua
mão.
- Digo a mesma coisa - Ele tinha que me ofender de todas as maneiras possíveis.
Christian fura fila e acaba que passamos na frente de todos que estavam do lado de fora.
- Já conversamos sobre isso e poupe meu tempo - diz ele para o homem que estava do outro lado do balcão, que apenas engole em seco.
- É só assinarem aqui - Havia uma parte reservada com o meu nome completo e com o dele. A única pergunta que eu conseguia fazer era: Quando ele conseguiu agilizar tudo tão rápido?
Ele não hesita em assinar, jogando a caneta na minha direção quando termina. Encaro a caneta, com a certeza que aquele era novamente o maior passo que eu daria, mais uma vez na minha vida; Se prender a alguém que nitidamente não me amava e que só estava ao meu lado por estar, eu teria que passar por tudo novamente. Só esperava não ter que matar Christian também.
Pego finalmente a caneta e perfeitamente escrevo meu nome, uma caligrafia melhor do que as que já estavam ali. Christian revira os olhos quando eu termino, evitando de me olhar.
- Pode beijar a noiva - diz o homem hesitante, dando um passo para trás.
Solto o ar dos pulmões, me afastando do balcão, sabendo que intimamente ele não me beijaria. Mas mudo completamente de opinião, quando sinto a sua boca pressionar a minha.