Capítulo 3: O Golpe Final

1282 Palavras
Capítulo 3: O Golpe Final (P.O.V de Olivia) Eu ajoelhei ali na grama, encarando Leo enquanto ele se sentava ao lado de Clara, os seus pés já amarrados para a corrida. O meu coração se partia em mil pedaços, mas eu precisava saber a verdade. "Leo." Eu disse, a minha voz m*l acima de um sussurro. "Se você tivesse que escolher… Quem você preferiria como a sua mãe?" Leo nem hesitou. Ele olhou para Clara com olhos adoradores e sorriu brilhantemente. "A Mamãe Clara, é claro!" A palavra 'Mamãe' me atingiu como uma bala de prata no peito. Ele a chamou de Mamãe. O meu filho chamou a amante do seu pai de Mamãe. "Mamãe Clara é muito mais divertida do que você." Leo continuou com a crueldade casual que apenas crianças poderiam proporcionar. "A mamãe Clara joga futebol comigo e me leva para comer hambúrgueres e me deixa ficar acordado até tarde. Você sempre é tão rígida e chata. Você nunca quer brincar — só faz regras e manda eu comer vegetais." Cada palavra era uma faca no meu coração, mas me forcei a falar através da dor. "Leo, eu costumava ser divertida também. Eu tinha a loba mais ágil de toda a matilha — nenhum dos lobos machos podia me alcançar. Eu era incrível no futebol e no beisebol, melhor do que a maioria dos guerreiros." A minha voz falhou conforme as lembranças voltavam. "Eu poderia ter brincado com você todos os dias, te ensinado todos os esportes, corrido pelas florestas com você nas minhas costas. Mas quando você nasceu…" Engoli em seco, tentando fazer uma criança de cinco anos entender um sacrifício que ele nunca pediu. "Algo deu errado. Eu perdi a minha loba para salvar a sua vida. O meu corpo enfraqueceu para que você pudesse ser forte." Por um momento, Leo ficou em silêncio, algo cintilando nos seus olhos escuros que podiam ser incerteza. Foi quando Clara atacou. "Oh, Luna Olivia." Ela disse com falsa simpatia, o seu tom pingando com preocupação fingida. "Eu sei que você faria qualquer coisa por Leo, verdadeiramente eu sei. Mas você não pode sempre usar a culpa para manipular um filhote a escolher coisas ou pessoas que ele na verdade não quer." Os meus punhos se fecharam ao lado do meu corpo. A ousadia dessa mulher, me dando uma lição sobre o meu próprio filho enquanto roubava a minha família. "Mesmo que eu seja uma Ômega." Clara continuou, os seus olhos encontrando os meus com um desafio. "Eu sou mais jovem, mais enérgica, mais bonita, e submissa o suficiente para deixar Alfas se entregarem às suas verdadeiras essências." As suas palavras pareciam inocentes o suficiente para qualquer observador, mas eu ouvi a verdadeira mensagem por baixo. Ela falava de Theodore. De como ela era mais jovem, mais enérgica, mais bonita. A implicação era cristalina. Ela era tudo o que eu não era. Tudo o que Theodore aparentemente queria. A coragem de Leo retornou com o apoio de Clara. Ele afastou as minhas mãos bruscamente. "Mãe, você precisa entender o meu desejo de vencer!" Ele disse firmemente. "Clara e eu vamos ganhar essa corrida!" Ele deu um t**a de mão aberta com entusiasmo em Clara, e ela sorriu para ele como se ele fosse a coisa mais preciosa do mundo. Foi quando Theodore veio correndo, seu rosto escuro de raiva. "Clara!" Ele rosnou, a sua voz Alfa cortando o barulho do parquinho. "Como ousa falar com a minha Luna com tanto desrespeito! Peça desculpas a ela imediatamente, ou eu te banirei desta matilha!" Clara imediatamente se encolheu, os seus olhos arregalados de medo. "Sinto muito, Luna Olivia! Não quis faltar com respeito! Por favor me perdoe!" A performance foi impecável. Para qualquer um assistindo, Theodore parecia o companheiro protetor perfeito defendendo a honra da sua Luna. Clara parecia uma serva contrita que tinha ultrapassado os seus limites. Mas eu enxergava através do seu teatro. A frieza no meu coração se espalhou como gelo por minhas veias. Tudo o que eu queria agora era tirar meu filho dessas duas pessoas tóxicas. Eu acreditava que assim que tirasse Leo da influência deles, ele ficaria bem novamente. Ele tinha que ficar. Mas então Leo explodiu. "Pare de gritar com Mamãe Clara!" O meu filho gritou, se lançando entre o seu pai e a sua amante como um guerreiro mirim. "Ela não é má! Ela é a melhor! É a minha estúpida, f**a mãe que é o problema!" O parquinho ficou em silêncio. Cada pai, cada criança, cada professor parou o que estava fazendo para encarar o filhote do Alfa defendendo a sua babá contra a sua própria mãe. Ele se virou para mim com olhos cheios de desprezo que nenhuma criança deveria possuir. "Você é extremamente estúpida e velha, Mamãe! Nem sequer tem mais uma loba! Você nem é uma Ômega - é pior do que uma Ômega!" As palavras me atingiram como golpes físicos. O meu próprio filho, o meu menino precioso, estava me olhando como se eu fosse nada. Como se fosse menos que nada. As minhas mãos começaram a tremer. m*l conseguia formar as palavras. "Leo… Você realmente prefere a Clara como a sua mãe?" Ele olhou para mim com aqueles olhos frios e escuros - os olhos de Theodore - e disse a palavra que despedaçou o que restava do meu coração. "Sim!" Aquela única palavra me destruiu por completo. Eu assisti Leo se virar para Clara, rindo e conversando com ela como se eu não existisse. Como se eu nunca tivesse existido. O meu espírito se partiu. Cinco anos de sacrifício, de colocar a suas necessidades acima das minhas, de quase morrer para trazer ele a este mundo—e isso foi o que eu consegui em troca. Theodore se aproximou de mim, o seu rosto de repente cheio de preocupação. "Olivia, não dê ouvidos a ele. Ele é só uma criança. Ele não entende o que está dizendo." A sua voz era gentil agora, reconfortante. A mesma voz que costumava me tranquilizar depois dos pesadelos. "Vou mandar a minha mãe demitir a Clara imediatamente." Ele prometeu, estendendo a mão para mim. "Encontraremos uma nova babá. Alguém melhor. Alguém que saiba qual é o seu lugar." Mas as suas palavras gentis soavam como veneno agora. Tudo o que ele dizia era uma mentira. Tudo sempre fora uma mentira. Já que tanto o meu companheiro quanto o meu filho tinham escolhido Clara em vez de mim, eu estava acabada com eles. Não os queria mais. Empurrei Theodore com mais força do que usara em anos. "Não me toque." Eu disse calmamente, me afastando das suas mãos estendidas. "Livvy, por favor—" "Eu disse para não me tocar." Então eu me virei e fui embora do parquinho, longe do riso do meu filho, longe da vida que eu pensei que fosse minha. Theodore tentou correr atrás de mim, mas ouvi a voz de Clara impedir ele. "Alfa, talvez você devesse deixar a Luna se acalmar sozinha. Ela parece muito chateada, e às vezes o espaço é o que as pessoas precisam quando estão emocionais." Que prestativa ela. Que atenciosa. Cheguei ao meu Porsche e me sentei no banco do motorista, as minhas mãos firmes pela primeira vez no dia. Theodore apareceu na minha janela, batendo no vidro. "Olivia! Abra a porta! Precisamos conversar sobre isso!" Eu o olhei através do vidro—esse homem que me drogara, me traíra e mentiu pra mim por anos. Esse homem que permitira que o nosso filho se tornasse uma criança mimada e c***l sob a influência da sua amante. Eu ignorei as suas tentativas de me fazer ficar. Pisei fundo no acelerador e parti.
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