Duas semanas se passaram, e Madalena já não suportava mais a tensão que dominava a casa. Desde que seu tio Karlos recebeu uma misteriosa carta, ele parecia uma pessoa completamente diferente. Tornou-se imprevisível, perigoso. Saía de casa sem explicações, e quando estava presente, seu comportamento oscilava entre o extremo da violência e uma proximidade desconcertante.
No dia anterior, ele havia cheirado os cabelos dela de forma perturbadora enquanto ela limpava a sala. O ato a deixou paralisada, mas, em um impulso de pânico, ela tentou se afastar. A reação dele foi imediata e brutal: deu-lhe uma surra por ousar fugir de sua presença. As marcas em seus braços ainda estavam frescas, uma lembrança dolorosa de sua impotência.
Naquela manhã, as palavras que ele havia dito na noite anterior ecoavam em sua mente: "Hoje à noite, no seu quarto, tenho uma surpresa para você. Vai gostar." A voz dele era baixa, quase suave, mas havia algo sombrio em cada sílaba.
Sem entender o que aquilo significava, Madalena passou o dia em casa, inquieta, tentando manter as aparências. Fez suas tarefas como sempre, limpando a casa e preparando o almoço. Quando terminou de comer, decidiu tomar um banho demorado, tentando lavar o medo e a angústia que pareciam grudar em sua pele.
À tarde, tentou se distrair. Sentou-se na sala para assistir a qualquer coisa que pudesse ocupar sua mente, mas as horas pareciam se arrastar. Cada som na casa a fazia pular, cada passo de Karlos nos corredores fazia seu coração disparar. Quando a noite começou a cair, o desconforto se tornou insuportável.
Com um suspiro resignado, tomou outro banho, deixando a água quente escorrer por seu corpo, como se pudesse se preparar para o que quer que estivesse por vir. Vestiu algo simples, sem pensar muito, e caminhou em direção ao quarto.
Agora, sentada na beirada da cama, as mãos trêmulas repousavam sobre o colo. Seus olhos fixavam-se na porta, cada batida do relógio ressoando em seus ouvidos como um aviso de algo inevitável. A promessa de Karlos estava prestes a ser cumprida, e o medo a consumia, mas ela não tinha para onde ir, nem a quem recorrer.
minutos se arrastaram até que Madalena ouviu passos apressados subindo as escadas. Seu coração disparou, e ela soube imediatamente que era ele. Não demorou muito para que a porta se abrisse com um rangido pesado, revelando Karlos com uma expressão séria, os olhos fixos nela como predadores que avistam sua presa.
"Ah, minha sobrinha linda... Como sempre, você nunca me decepciona," murmurou ele, a voz baixa e arrastada, enquanto se aproximava devagar. O olhar intenso fazia Madalena estremecer, mas sua inocência a impediu de compreender de imediato o que estava por vir.
"Tio... qual é a surpresa?" perguntou ela, a voz carregada de umG ingenuidade que ele parecia saborear.
Karlos esboçou um sorriso que gelou o sangue dela. Era um sorriso c***l, cheio de intenções obscuras, diferente de qualquer coisa que ela já havia visto antes. Ele deu mais um passo à frente, inclinando-se levemente sobre ela.
"A surpresa? Ah, minha doce Madalena, a surpresa sou eu. Hoje, farei de você uma mulher," disse ele, a voz grave e quase melodiosa, como se quisesse enfeitiçá-la com as palavras. "Esperei por esse momento por tanto tempo, minha docinho. Você não entende? Vou fazer você sentir prazeres que nunca imaginou... Está mais do que na hora de deixar de ser uma menina."
Enquanto falava, seus dedos começaram a deslizar suavemente pelo braço dela. Cada toque a fazia encolher-se, um arrepio de puro pavor percorrendo seu corpo. O que antes parecia confuso agora estava claro como o dia.
"Por favor, não faça isso, tio!" implorou Madalena, com a voz trémula, lágrimas brotando em seus olhos. "Você já me tirou tudo... tudo! Deixe-me co menos ficar com isso. Eu não quero, não me obrigue, eu suplico!"
Mas suas súplicas caíram em ouvidos surdos. A expressão de Karlos rapidamente mudou para algo mais sombrio, e a paciência que ele fingia ter se esgotou. Ele agarrou o braço dela com brutalidade e a atirou sobre a cama.
"Pare de resistir, Madalena. Não faça isso ser mais difícil do que precisa ser!" rugiu ele, a voz agora carregada de impaciência.
Madalena começou a gritar, o desespero tomando conta, mas ele não parecia se importar. Ele sabia que estavam isolados, longe de qualquer ouvido que pudesse ouvi-la. Ignorando seus protestos, Karlos segurou os dois pulsos dela com uma mão, prendendo-os firmemente sobre a cabeça. Com a outra, começou a explorar o corpo dela sem hesitação.
Ele se inclinou, beijando-a à força, os lábios esmagando os dela em um ato de puro domínio. Madalena lutava, debatendo-se com todas as forças que conseguia reunir, mas era inútil. O peso dele a prendia, esmagando qualquer esperança de fuga.
"Karlos, por favor, pare! Eu imploro!" gritou ela, a voz rouca de tanto clamar por misericórdia.
Ele, no entanto, parecia cego e surdo aos apelos. O sorriso c***l retornou aos seus lábios enquanto ele descia os beijos para o pescoço dela, mordiscando e sugando sua pele com brutalidade.
Com uma mão ainda segurando seus pulsos, ele usou a outra para puxar a roupa dela, expondo seus s***s à força. O toque era agressivo, cheio de uma selvageria que fazia Madalena se contorcer de dor e vergonha.
Ela chorava desesperadamente, implorando para que ele parasse, mas ele não tinha intenção de atender. Continuava em sua descida pelo corpo dela, os olhos brilhando com uma lascivia doentia enquanto murmurava palavras que Madalena não conseguia compreender em meio ao horror.
Quando ela sentiu a mão dele alcançar sua calcinha, algo dentro dela se acendeu. Um grito primal de
sobrevivência ecoou em sua mente, dando-lhe forças que ela não sabia que possuía. Num movimento desesperado, conseguiu soltar uma das mãos e, sem pensar, pegou o pesado jarro de vidro que estava na mesa ao lado da cama,
Com todas as suas forças, ela o lançou contra a cabeça de Karlos. O som do impacto foi seco e brutal, e ele cambaleou para trás antes de desabar no chão.
Madalena não perdeu tempo. O coração martelava em seu peito enquanto ela pulava da cama e saía correndo do quarto, os pés descalços batendo contra o chão de madeira. Desceu as escadas em disparada, ignorando a dor nos tornozelos ao pular degraus, e saiu da casa sem sequer olhar para trás.
A porta da frente, para sua sorte, estava destrancada, e ela a abriu com um puxão desesperado. Lá fora, a noite era escura e fria, a casa cercada pelo silêncio pesado da floresta que a rodeava. Sem hesitar, Madalena correu para a mata densa, os galhos e espinhos arranhando sua pele enquanto ela avançava.
Atrás dela, os gritos de Karlos ecoaram na escuridão, cheios de fúria e ameaça. Ela sabia que ele estava vindo, mas isso só a fez correr mais rápido. O medo pulsava em suas veias como fogo, e a única coisa que ela sabia era que precisava continuar correndo. Sua vida
dependia disso.