Sentada no sofá, ela aproveitou para ligar a TV e sintonizar as notícias do dia. Enquanto mudava de canal, parou em uma reportagem que lhe chamou a atenção:
"Uma mulher foi encontrada morta em sua residência com marcas de mordidas na lateral do pescoço. Curiosamente,não havia nenhum vestígio de sangue no corpo da vítima. As autoridades estão levando o corpo para análise, pois os detetives responsáveis pelo caso relataram que um incidente semelhante ocorreu há nove anos. Mais detalhes serão divulgados em breve."
Madalena ficou paralisada no sofá, o controle remoto ainda em sua mão trêmula. As palavras do noticiário ecoavam em sua mente: "Uma mulher foi morta com mordidas na lateral do seu pescoço sem sequer um sangue no corpo".
Um arrepio percorreu sua espinha. Ela se lembrou da morte brutal de seus pais, nove anos atrás.A polícia nunca havia resolvido o caso.
Agora, outra mulher havia sido morta da mesma forma horrível. Madalena sentiu um pânico crescente. Ela não conseguia respirar, seu coração batia forte em seu peito. Ela queria gritar, mas nenhum som saiu de sua boca.
Ela se levantou cambaleando do sofá e correu para o quarto.
Madalena cambaleou caindo no chão. Ela abraçou os joelhos contra o peito e começou a chorar. Ela não sabia o que fazer. Ela estava sozinha e com medo.
Ela sempre foi medrosa, pois nunca saía muito de casa. Nem mesmo na escola ela tinha amigos, devido ao seu medo. Depois que se formou, sua solidão se intensificou.
Apesar de amar arte, seu tio não permitiu que ela fizesse faculdade. Sua timidez e obediência eram resultado de uma infância trancada dentro de casa, sofrendo agressões verbais e virtuais de seu tio até os 19 anos.
Esse ambiente opressor moldou sua personalidade, tornando-a retraída e insegura. Ela não conseguia se expressar livremente ou buscar seus sonhos, pois o medo a paralisava.
Depois de um tempo, ela olhou para o relógio e já eram três horas. Nem celular ela tinha mais, pois seu tio havia tomado dela. Então, ela percebeu que seu tio não chegaria agora, só pela noite. Mais calma, foi deitar um pouco para descansar, já que havia passado a manhã em faxina.
Quase duas horas depois, acordou assustada com um pesadelo que teve com seus pais. "Não posso nem descansar em paz mais", falou Madalena, indignada. Ela olhou pela janela e deu um pulo da cama, olhando para o relógio novamente.
Olhou que ainda eram 5 horas e agradeceu a Deus por isso. Foi para o banheiro tomar um banho para preparar o jantar.
Terminou o banho, passou um creme de pele e foi até o guarda-roupa. Tirou um conjunto de moletom confortável, uma calça e uma blusa de manga rosa com estampa de abelhinhas. Pegou um sutiã liso preto e uma calcinha preta também. Vestiu tudo e foi para a penteadeira.
Desmanchou a trança e sacudiu levemente o cabelo, deixando-o ondulado e solto. Estava pronta.
Saindo do quarto, Madalena desceu a escada e estremeceu com o clima frio e agradável da noite. Chegando à sala, percebeu que havia deixado a TV ligada desde a tarde. "Misericórdia, que dia!", exclamou ela, desligando o aparelho e indo para a cozinha.
Madalena estava faminta, pois quase não havia comido nada. Preparou o jantar, aproveitando o peito de frango que havia sobrado do almoço, e fez uma lasanha e um jarra com suco de maracujá. Terminou tudo por volta das sete horas, mas seu tio Carlos ainda não havia chegado. Ela já sabia que ele só vinha lá pela madrugada ou de manhã.
Colocou o jantar e foi para a sala escolher um filme para se distrair enquanto comia sem pressa. Optou por "A Cinco Passos de Você", um romance comovente. Após terminar a refeição, levou o prato para a cozinha e retornou à sala.
Passou algumas horas assistindo a filmes, até que se levantou e foi para o quarto dormir.pediu a Deus que lhe concedesse uma saída daquela vida difícil para uma melhor, pois não aguentava mais.
Entrou no banheiro para fazer suas necessidades e, em seguida, foi para a cama. Enquanto adormecia, seus pensamentos se voltavam para a esperança de um futuro melhor.
E assim foi a semana e semanas de Madalena, a mesma coisa com o seu tio a chingando ou às vezes a batendo. A cada dia, a raiva dela aumentava, mas sua paciência de ficar calada, sem poder sequer argumentar com seu tio Karlos, também diminuía.
Ela notava os olhares meio estranhos que seu tio lhe lançava, e ele às vezes chegava perto demais, o que a deixava desconfortável. As notícias de mortes aumentavam na cidade de Forks.
Após duas longas e angustiantes semanas, o pior pesadelo acontecese...