ANTES
NINO
— Você se lembra do que eu disse a Luca da última vez que o vi? Duvido que ele tenha algum interesse em trabalhar conosco depois disso — murmurou Fabiano, andando pela sala. — Ele vai me matar no momento em que eu colocar meus pés no território dele, confie em mim. p***a, eu me mataria se fosse ele.
Remo sacudiu a cabeça. — Ele está com raiva, mas ouvirá a voz da razão.
Eu assenti. — Ele queria proteger sua propriedade, sua esposa, mas ainda é um homem de negócios e temos bons argumentos para a cooperação. As drogas ainda são seu principal negócio, e nosso contato em seu laboratório nos diz que eles não podem produzir o suficiente para a demanda crescente. Luca precisa importar drogas, mas ele não pode, porque nós dominamos o oeste e Dante domina o meio. Seus contrabandistas perdem muita coisa antes de chegar à Costa Leste. Se ele trabalhar conosco, podemos garantir transporte seguro em nosso território e em troca ele nos promete ficar de fora de nossa luta com Dante Cavallaro. Nem sequer queremos a ajuda dele.
— Nós não precisamos dele, — insistiu Remo, olhos escuros endurecendo. Nós discordamos sobre esse ponto; ajuda adicional diante de um oponente como Dante Cavallaro seria muito apreciada, mas como Luca, Remo deixa as emoções entrarem no caminho das decisões racionais.
Fabiano franziu a testa. — Luca não é como você, Nino. Nem todas as suas decisões são baseadas em razões lógicas. Ele está furioso porque insultamos Aria, e seu orgulho pode impedi-lo de tomar a decisão lógica. Confie em mim sobre isso.
Orgulho e fúria. Nenhum deles era útil.
— Se você disser a sua irmã que deu a Leona aquele bracelete, ela o convencerá. Ela vai pensar que você é seu irmãozinho novamente. Ela vai querer acreditar. Leve Leona com você. Faça parecer uma visita à família, por tudo que me importo, mas convença Aria e Luca a falarem conosco. Diga-lhe que me encontrarei com ele pessoalmente, — disse Remo.
Eu dei a Remo um olhar enviesado. A última vez que ele falou com Luca não correu muito bem. Anos se passaram, mas se Luca guardava ressentimentos, ele também se lembraria disso. E Remo tinha um jeito de provocar pessoas o que não era bem visto pelo outro Capo.
— Ele não acredita que somos confiáveis, — disse Fabiano. — E você falar com Luca é a pior coisa que poderia acontecer. Remo, você é uma maldita bomba-relógio. Você fica de p*u duro apenas imaginando como seria se banhar no sangue de Luca, droga. Você realmente acha que pode se impedir de tentar matá-lo?
Remo se recostou com um sorriso no rosto do qual aprendi a ser cauteloso. — A Famiglia é toda sobre títulos para garantir a paz, não é? Nós daremos a eles o que eles querem, o que sua irmã queria para você e todos os outros.
Ele não respondeu a pergunta de Fabiano.
Fabiano parou de andar e cruzou os braços. — E o que seria isso?
— Paz e amor. — A boca de Remo torceu como se ele fosse começar a rir. — Vamos sugerir um casamento entre nossas famílias. Funcionou entre a Outfit e a Famiglia por um tempo.
Remo não havia mencionado nada para mim. Normalmente ele me consultava antes de tomar esse tipo de decisão. Para Remo, era um plano surpreendentemente razoável. Os casamentos haviam impedido muitas guerras ao longo dos séculos da história da humanidade - é claro que eles haviam começado muitas também.
Fabiano riu, mas percebi que ele estava descontente pelo estreitamento de seus olhos. — Por alguns anos e agora eles voltaram a matar uns aos outros.
— Alguns anos é tudo o que precisamos, — eu disse a ele. — Luca sabe tão bem quanto nós que qualquer tipo de acordo de paz será sempre apenas por um curto período de tempo.
— Você não pode acreditar que Luca vai concordar com um casamento arranjado.
— Por que não? — Remo perguntou, sorrindo. — Funcionou para ele e sua irmã. Olhe para eles, doentiamente apaixonado. Tenho certeza de que ele pode dispor uma de suas primas. Você não disse que o pai dele tinha três irmãs e dois irmãos? Tem que haver algumas primas em idade de casar, ou até mesmo uma prima de segundo grau pelo que me importo.
— Uma dessas irmãs era casada com um traidor que nosso pai matou. Duvido que ela nos dê suas filhas — lembrei Remo.
— Uma de suas filhas é daquele filho da p**a do Growl. Como se eu a aceitasse ou sua irmã na nossa família, — Remo cuspiu. Inclinei minha cabeça concordando. Passaria a mensagem errada se permitíssemos que a Famiglia nos desse as sobras de nosso meio-irmão traidor.
— Luca não escolheria nenhuma delas. Mas quem diabos deveria se casar com uma mulher da Famiglia? — Fabiano perguntou, erguendo as sobrancelhas loiras para o meu irmão. — Não me diga que vai ser você, Remo, porque não vou fazer essa p***a de oferta. Nós todos sabemos que você é a última pessoa que podemos apresentar como marido. Você perde a paciência o tempo todo. Isso acabará em um casamento maldito e você sabe disso.
Remo sorriu, seus olhos mudando para mim. Isso explicava por que ele não tinha me consultado. — Eu não vou casar com ninguém. Nino vai.
Levantando minhas sobrancelhas para ele, perguntei: — Eu vou?
Fabiano afundou no sofá, fazendo uma careta. — Sem ofensa, mas Nino também não é a pessoa certa para interpretar um marido.
Eu inclinei minha cabeça, nunca pensei em casamento. Parecia desnecessário. — Se você está se referindo à minha falta de emoções, posso assegurar-lhe que posso fingir, se necessário.
Remo encolheu os ombros. — Não é como se fosse um casamento por amor. Nino não precisa sentir nada para se casar. Ele só precisa dizer sim e f***r sua noiva, talvez fazer um ou dois filhos, e manter sua esposa viva enquanto quisermos a paz com a Famiglia. Você pode fazer isso, certo?
Estreitei meus olhos, não gostando do tom dele. — Eu posso fazer isso.
Fabiano balançou a cabeça. — Isso é uma péssima ideia e você sabe disso.
— Não é convencional, — admiti, — mas é uma prática que tem sido usada em nossos círculos há gerações. Mesmo antes de nossas famílias virem para os EUA, eles arranjaram casamentos para estabelecer laços entre famílias diferentes. E a Famiglia tem valores do velho mundo. Eles são a única família fora da Itália que ainda segue a tradição dos lençóis ensanguentados. Tenho certeza de que a família de Luca aceitará a ideia de outro casamento arranjado entre famílias; Luca precisa manter os tradicionalistas na Famiglia felizes, especialmente agora que ele teve que receber alguns de seus parentes da Sicília. E ainda há tradicionalistas na Camorra que apreciarão esse tipo de acordo.
Fabiano balançou a cabeça novamente. — Volto a dizer que Luca não concordará. Ele vai me matar.
Remo sorriu. — Vamos ver. Ouvi dizer que ele precisa proteger seus filhos.
Fabiano levantou. — Aria tem filhos?
Remo e eu sabíamos há algum tempo. Um dos nossos contatos nos disse. Luca fez questão de manter Aria e as crianças fora da imprensa e até matou alguns fotógrafos que não entendiam o conceito de privacidade. Remo não queria que Fabiano soubesse porque se preocupava que Fabiano ficasse muito emotivo durante sua visita a Nova York. Aparentemente, ele mudou de ideia.
— Uma filha e um filho, — eu disse. — Ele precisa protegê-los, e se lhe oferecermos paz, isso deve convencê-lo.
Fabiano ficou calado. — Há quanto tempo você sabe?
— Isso é importante? Não é como se Luca fosse deixar você se aproximar de seus filhos — disse Remo.
Fabiano assentiu, mas sua boca estava apertada. — Você sabe que Dante não foi a principal força por trás do ataque contra nós. Foi meu pai. — Ele olhou para mim e depois para Remo. — Dante pode matar meu pai antes de colocarmos as mãos nele. Eu não quero que isso aconteça. Deixe-me ir para Chicago e trazê-lo para Las Vegas. Ainda podemos pedir paz a Luca depois disso.
Remo me deu um olhar aguçado, obviamente precisando que eu fosse a voz da razão como de costume.
— Isso parece imprudente, — eu disse. — Você está muito emocionalmente envolvido para liderar um ataque no território da Outfit, especialmente contra seu pai. E não sabemos ao certo se seu pai agiu sem as ordens diretas de Dante. Dante pode não matá-lo.
— Foi um plano do meu pai. Você ouviu o que os filhos da p**a da Outfit disseram quando os separamos. Meu pai mandou aqueles filhos da p**a porque queria que eu morresse — grunhiu Fabiano. — E eu quero matá-lo. Quero despedaçá-lo, m****o a m****o.
— E você vai, — Remo disse com firmeza, tocando o ombro de Fabiano. Ele fez uma pausa. Mais uma vez com aquele sorriso. — Mas seria um bom presente de casamento. Se pusermos as mãos em Scuderi, poderíamos usar sua morte como uma oferta de paz para Luca e seu clã. Afinal, as irmãs Scuderi também não amam muito o pai.
— Claro que não. Ele é um i****a desprezível, — disse Fabiano.
— Não podemos entrar em Chicago e arrastar o Consigliere para fora. Você percebe isso, certo? Dante deve ter colocado toda a proteção possível no lugar. — Eu tinha que dizer isso porque estava ficando cada vez mais óbvio que nem Remo nem Fabiano fariam a escolha sábia quando se tratava de derrubar a Outfit. — A única escolha lógica é me mandar para Nova York para encontrar com Luca. Eu não estou emocionalmente envolvido e serei capaz de atenuar a situação, se necessário.
Remo sacudiu a cabeça. — Eu sou o Capo. Eu deveria estar à frente disso. Só um maldito covarde enviaria seu irmão para arriscar sua b***a em uma situação como essa.
— E a p***a da minha b***a? — Fabiano murmurou.
— Sua b***a está segura por causa de sua irmã. Não importa o que Luca diga, ele sempre pensará duas vezes antes de colocar uma bala na sua cabeça. Com Nino, nada o impedirá.
— Ele não vai atirar em mim. Sua próxima entrega terá que atravessar nossas fronteiras nos próximos dias… se nossos informantes no México forem confiáveis. Nós interceptamos, mantemos seus homens e suas drogas até a reunião, e eu darei a ordem para liberá-los como oferta de paz, um sinal de boa vontade.
— Drogas e soldados dispensáveis não impedirão Luca de matar você, — disse Fabiano.
— Vamos ver, — eu disse. — É a única escolha lógica.
— Sua maldita lógica está me irritando, — Remo murmurou.
— Eu sou o futuro marido, então é a escolha lógica me enviar. Faremos isso do meu jeito, Remo. Não quero que vocês dois estraguem tudo isso com suas emoções.
— Eu acho que ele está me irritando de propósito, — disse Remo para Fabiano.
Fabiano assentiu. — Eu acho que ele está.
— Não é preciso muito esforço para te chatear, Remo.
Remo estreitou os olhos para mim. — A escolha lógica seria levar alguém com você. Você não deveria ir sozinho. Leve Fabiano.
Fabiano revirou os olhos. — Sim, me leve. Porque, aparentemente, sou à prova de bala porque sou um maldito Scuderi.
Eu considerei o homem loiro. — Talvez sua presença abrisse muitas feridas para Luca. Nós não queremos começar com o pé errado.
— Acho que é tarde demais, — disse Fabiano.
— Você quer vir comigo para Nova York? — Eu perguntei, minha expressão duvidosa.
— Eu prefiro ir para Chicago e matar a p***a do meu pai, mas se um casamento insano entre você e alguma pobre mulher da Famiglia me levar mais perto desse objetivo, vou para Nova York e falarei com Luca p***a Vitiello. Mas não acho que ele ficará muito feliz em me ver. Ele não vai acreditar que mudei nem por um segundo.
— Você não mudou realmente. Exceto pelo seu comportamento em relação à Leona. Você ainda é um bastardo c***l, então Vitiello não deveria confiar em você — eu disse.
Fabiano olhou entre Remo e eu. — Eu vou ou não? Vou ter que descobrir uma maneira de contar a Leona sobre isso sem enlouquecê-la. Remo sacudiu a cabeça. — Eu deveria ir como Capo.
— Nós vamos guardar esse encontro para uma segunda reunião, quando Vitiello estiver convencido de que os benefícios de um vínculo superam a alegria de cortar sua cabeça, — eu disse.
— Entendo que isso significa que estou indo. — Fabiano se levantou. — Eu realmente espero que essa provação me permita matar meu pai, ou vocês dois terão muito a me compensar.
Eu ainda não estava convencido de que a presença de Fabiano melhoraria nossa situação. Ele era irmão de Aria, é verdade, mas nem isso o protegeria para sempre. Levar Remo estava fora de questão. Eu teria que ter certeza de que Luca e Fabiano seguiriam meu raciocínio e não deixariam suas emoções imprevisíveis dirigirem o show.