Gabriel ficou parado no meio da sala por alguns segundos depois de sair do quarto dela.
Respirou fundo.
Fechou os olhos.
Engoliu tudo o que queimava por dentro.
Voltou.
Sofia levantou o olhar na mesma hora, ainda com os olhos vermelhos.
— Tá — ele disse, direto, a voz controlada demais. — Eu vou deixar você namorar ele.
Ela demorou um segundo para entender.
— O quê? — perguntou, quase sem acreditar.
— Você pode namorar — repetiu. — Mas vai ser sob minhas regras.
O rosto dela se iluminou na hora.
Um sorriso verdadeiro. Aliviado. Quase infantil.
Ela se levantou rápido e foi até ele.
— Obrigada… obrigada, Gabriel — disse, emocionada.
Antes que ele pudesse reagir, Sofia ficou na ponta dos pés e beijou o rosto dele, um beijo cheio de gratidão, sem pensar.
Depois o abraçou.
Forte.
Como quem se agarra à única coisa que tem.
— Você não sabe o quanto isso significa pra mim — murmurou contra o peito dele.
Gabriel ficou imóvel.
Os braços demoraram um segundo a se mover… mas acabaram envolvendo ela num abraço contido, duro, como se ele estivesse segurando algo que podia quebrar — ou que podia quebrá-lo.
O cheiro dela subiu.
O calor.
O coração batendo rápido demais.
Ela se afastou ainda sorrindo, sem perceber.
— Eu prometo que vou fazer tudo certo — disse animada. — Prometo mesmo.
Ele assentiu devagar.
— Minhas regras não são negociáveis — falou. — Horário. Lugar. Nada escondido. E ele não chega perto desse morro.
— Tá bom — ela respondeu rápido. — Eu concordo.
Gabriel desviou o olhar.
Porque ela não fazia ideia.
Não fazia ideia do esforço absurdo que era dizer “sim”.
Não fazia ideia do quanto aquele abraço tinha atravessado todas as defesas que ele construiu em anos.
Não fazia ideia do quanto aquilo doía.
Ela voltou para o quarto leve, quase feliz como não ficava há tempos.
E ele ficou ali, parado, olhando para o nada.
— Você sorri… e eu perco — murmurou sozinho.
Gabriel sabia.
Sabia que ceder não significava aceitar.
Sabia que aquele “sim” não era liberdade — era contenção.
Sabia que estava abrindo espaço para alguém ocupar um lugar que ele nunca deveria ter tomado para si.
Mas mesmo assim…
não conseguiu dizer não.
Porque perder o controle era r**m.
Mas perder Sofia…
era impensável.
E naquele instante, ele entendeu algo perigoso:
Ele estava disposto a se machucar…
desde que ela ficasse.
Mesmo que isso custasse tudo depois.