Yoongi estava feliz, por mais que Hoseok ainda estivesse chateado os dois resolveram sair juntos no dia seguinte, o Jung teve a ideia de visitarem um playcenter infantil, para que se familiarizassem com um ambiente cheio de crianças, pois provavelmente levariam Minhyuk até lá uma ou duas vezes por semana para que o garoto fizesse algum amigo.
Hoseok olhava para as crianças no pula-pula lembrando-se de como Minhyuk adorava o pula-pula, sentia muita falta do garoto, em alguns dias o pequeno Lee passaria a ser o pequeno Min, tornando-se oficialmente o filho de seu namorado. Queria que seu relacionamento com Yoongi desse certo, e se Minhyuk era filho de seu namorado, seria seu filho também.
— Precisamos comprar brinquedos para o Minhyuk, e livros, ele vai ser um garoto inteligente. — Yoongi comentava enquanto caminhava de mãos dadas com Hoseok em meio aos diversos brinquedos espalhados por toda parte, as crianças corriam por entre suas pernas — E ainda tem o quarto para decorar, estamos dormindo no ponto, ele vai voltar pra casa em alguns dias.
O Jung achava as atitudes de Yoongi muito fofas, nunca o vira tão feliz antes, quanto mais perto Minhyuk estava de voltar, mais feliz o Min ficava. Seus planos de vida já incluíam Minhyuk em tudo, o vira calcular as contas do mês adicionando tudo o extra de ter uma criança em casa.
Yoongi estava muito feliz.
— E ele também precisa de roupas, muitas roupas e também de sapatos, e nós também precisamos decidir em que escola ele vai estudar.
Hoseok apenas sorria, seu coração se enchia de calor sempre que Yoongi falava “nós”, ele o incluía em tudo, o tornando parte de sua vida, mesmo com pouco tempo de namoro. Esse era um de seus detalhes favoritos. Yoongi parecia um garotinho apaixonado, seus olhos brilhavam enquanto comentava sobre a decoração do quarto de Minhyuk, e ria da forma como ele xingava quando achava que as coisas estavam ficando caras demais.
— Yoongi, fica calmo, eu vou te ajudar a pagar tudo.
Yoongi não sabia na época, mas Hoseok morava sozinho e trabalhava há muito tempo, por isso tinha muito dinheiro guardado, por nunca ter com o que gastar, ele até havia comentado sobre isso, mas o Min não fazia ideia do valor. Isso faria a diferença quando as coisas complicassem.
Esperava que esse tempo de crise não viesse nunca.
— Claro que vai, eu já tô te incluindo nas contas de fim de mês. — deveria ter se tocado disso no momento em que o “nós” surgiu.
Se fosse para entrar em sua vida, que entrasse com boleto e tudo.
— Energia, água, gás, essas coisas todas. — o Min continuou seu discurso sobre o que queria comprar, não ligando nenhum pouco para a cara de indignação do Jung.
Yoongi não tinha limites.
Nenhum pouco.
— Ah, então nós m*l começamos a namorar e você já está me colocando de marido?
Yoongi ficou vermelho, baixou seu olhar ao perceber o quão longe estava começando a ir. Nunca se sentira tão bem assim ao lado de alguém quanto se sentia com Hoseok. Estava apaixonado, isso estava muito evidente, podia ver isso em cada palavra e em cada ato, e também naquele brilho intenso em seus olhos. Incluir Hoseok cada vez mais em sua vida estava se tornando cada vez mais simples e natural.
— Mas você é o meu marido agora. — falou baixinho, não tinha coragem de olhar nos olhos de Hoseok ao dizer isso.
O Jung mordeu o lábio inferior e baixou o rosto na direção do Min, sorriu de lado o encarando. Yoongi ainda desviava o olhar, seu rosto estava muito vermelho. Era engraçado ver Yoongi daquela maneira, era muito fofo ver ele encolhido e todo vermelhinho.
— Você é passivo, Yoongi?
O menor parou de respirar, seus olhos se arregalaram e sua única reação foi bater no braço de Hoseok e virar as costas, um “Ah, para com isso” foi ouvido em forma de murmúrio vindo do Min. Hoseok sabia como deixa-lo ainda mais envergonhado, em qualquer situação que fosse.
— Ficou envergonhadinho, foi? — o Jung perguntou enquanto o abraçava pelas costas, Yoongi continuou calado enquanto era abraçado — Eu posso dormir na sua casa hoje? Nós podemos discutir sobre isso, na cama talvez, ou na mesa, no sofá, onde você achar melhor.
Se Yoongi já estava envergonhado, sua vergonha triplicou de tamanho. Hoseok já estava passando dos limites, até certo ponto chegava a ser engraçado, mas em alguns momentos Yoongi via aquilo como um aviso, como se Hoseok gritasse aos quatro ventos que queria t*****r com ele.
O que o fazia lembrar de alguns detalhes, o Jung tinha uma vida antes dele, e de que não fazia ideia do quanto o sexo era frequente na vida de seu namorado. Aliás, Hoseok transava muito ou só estava tirando uma com sua cara?
— Hobi, aqui não é lugar para falarmos sobre isso, tá cheio de crianças.
— Então vamos pra casa conversar, a gente pode conversar de quatro também.
— Hoseok, para!
O Jung percebeu que aquele era o limite, se continuasse naquele assunto Yoongi sairia correndo. Beijou a bochecha de seu namorado e o apertou mais forte entre seus braços. Yoongi sorriu. Hoseok era um grande i****a em alguns momentos, mas o amava mais a cada segundo.
Curtiu o momento.
Mas entrou em desespero assim que viu a figura baixa e de cabelos castanhos se aproximando. A assistente social estava ali, e se aproximava cada vez mais. Soltou-se imediatamente de Hoseok, e talvez tenha sido mais brusco do que esperava que fosse. O Jung estranhou, e estava pronto para perguntar o que estava havendo quando a mulher se aproximou.
— Sr. Min?
Yoongi sorriu e se curvou, estendendo sua mão para cumprimenta-la.
— Que coincidência boa. — ela comentou, mais animada do que seria aceitável se animar — Não sabia que gostava de ambientes assim.
— Eu adoro. — ele queria ser natural, mas estava tão nervoso que tudo o que falasse soaria estranho — É muito bom estar em um ambiente lotado de crianças.
Hoseok apenas encarava a cena, se perguntava o que estava havendo com o menor. Yoongi estava muito estranho, quase como se aquilo fosse um grande pesadelo, e era evidente que ele não queria que Hoseok se comunicasse com aquela mulher, e nem que aquela mulher se comunicasse com Hoseok.
— Não vai me apresentar seu amigo? — aquilo era mesmo embaraçoso, ela sorria ainda mais quando olhava para o Jung, sabia que seu namorado era atraente, mas aquela mulher já era estava sendo atirada demais, atirando-se para todos os lados sem nem olhar direito o alvo.
Yoongi não queria ter que apresentar Hoseok não.
— Ah, Srtª. Lee, este é Jung Hoseok, meu vizinho.
Aquilo não acabaria bem, a expressão de desgosto e raiva no rosto de Hoseok já dizia tudo. Yoongi havia pisado na bola, pisado feio.
[. . .]
Minhyuk estava sozinho.
Os garotos do orfanato não gostavam de brincar com ele, o garoto não sabia jogar bola, na verdade, ele nem gostava disso, e não era nenhum pouco fã das demais brincadeiras que os meninos do lugar gostavam. Olhava de longe as meninas brincarem com suas bonecas. Ele não tinha nenhuma boneca. Apertou forte seu ursinho, aquele ursinho se tornara seu porto seguro.
— Minhyuk, vem brincar com a gente! — uma garotinha de cabelos negros aparecera, a menina segurava uma boneca de pano bastante colorida em suas mãos, ela sorria de forma gentil enquanto estendia uma das mãos para o garoto sentado — Estamos brincando de casinha.
O pequeno Lee recuou, juntando suas pernas de forma assustada, quase como se a garota fosse machuca-lo. A menina não entendeu nada, e continuou com sua mão estendida, suas sobrancelhas se juntaram em confusão.
— Você não quer brincar?
Logo as demais garotas notaram a demora, ambas esperavam Minhyuk para brincar, e estranharam o fato de o garoto estar demorando. Ele sempre brincava com elas. Lideradas pela mais velha, as garotas correram até onde ele estava. Minhyuk se encolheu ainda mais.
Olhava para os lados, os garotos mais velhos olhavam para a cena, eles não gostavam nenhum pouco do que estavam vendo, e encaravam o pequeno Lee de forma a desafia-lo. Minhyuk estava com medo, e esse sentimento estava estampado em seus olhos.
— Você não quer brincar, Minhyuk? — a garota mais velha perguntou, abaixou-se para olhar melhor no rosto do garoto, que se escondia — Tem alguma coisa no seu rosto?
Ele não queria que elas o vissem daquela maneira, mas quando a menina mais alta afastou seus braços, não conseguiu evitar que ela visse.
Seu olho estava roxo.
A garota ficou aterrorizada, sua boca se abriu em um perfeito “O” e ela quase gritou. Tocou delicadamente o rosto do garoto e ficou em silêncio por alguns segundos. Minhyuk levantou seu rosto para que as outras meninas também vissem como ele estava. Todas elas se chocaram, e as mais novas perguntavam o que era aquilo.
— Quem machucou você, MinMin? — ela perguntou.
Ele não queria dizer, temia que as coisas piorassem ainda mais para o seu lado. Mas a verdade era que os garotos mais velhos o batiam, e tudo porque Minhyuk brincava com as meninas, agia como uma menina, era pequeno e fraco demais. Os garotos mais velhos não entendiam, eles achavam que aquilo era algo muito errado, que brincar com garotas era trair os garotos, e por isso o proibiram de falar com elas, de brincar com elas, e até de se aproximar.
Minhyuk estava sob ameaça.
— Por favor, MinMin, fala quem te bateu. — a garota mais velha pediu mais uma vez, ela estava começando a agir de forma irritada, olhava para todos os lados procurando por um culpado.
Ela já sabia quem eram os culpados.
— Eles vão me bater de novo se eu contar, Shimie. — ele sussurrou, voltou a esconder seu rosto entre os joelhos.
A garota continuou ali, e as demais meninas ainda faziam o mesmo cercadinho ao redor de si, todas se recusavam a se afastar sem saber exatamente o que estava acontecendo com ele, Minhyuk estava machucado, e as meninas não gostavam de vê-lo assim.
— Nós protegemos você, MinMin. — uma outra garota disse, ela sorriu tentando passar confiança.
Era aquele mesmo sorriso que Hoseok abria quando queria passar confiança para Yoongi. Minhyuk jamais esqueceria daquele sorriso, era aquele mesmo sorriso que ele abriu no dia em que o visitou.
Lembrou-se do colar mágico, ele ainda estava em seu pescoço. Enfiou sua mão dentro da camisa o tirando de lá, o apertou, juntou todas as lembranças felizes que tinha e tentou sorrir. Sairia dali logo, confiava na promessa de Yoongi, ele logo iria para casa.
— Vocês vão mesmo me proteger? — perguntou, seu rosto ainda entre os joelhos.
A garota mais velha tocou seu joelho e se sentou diante do mesmo. Demorou alguns segundos, mas Minhyuk acabou por levantar a cabeça e olhar para ela. Olhou para todas as meninas ao seu redor, elas estavam em maior número, e seus sorrisos pareciam ser confiantes.
Se todas elas estavam ali para o proteger, quem o machucaria?
— Vamos sim. — uma das menorzinhas respondeu — Nenhum garoto malvado vai te machucar, Minhyuk-oppa!
Todos eles riram, era sempre engraçado quando uma das meninas o chamava de oppa, ele nem sabia o que aquilo significava, nenhum deles sabia, apenas viam as funcionárias do lugar chamarem os funcionários dali assim. E criança acha qualquer coisa legal.
— Eles não vão mais mexer com você. — a garota mais velha ficou de pé, estendeu sua mão para que Minhyuk a segurasse, sorriu para ele, ele sorriu de volta e estendeu sua mão ficando de pé também — Agora vamos brincar de bonecas. Nós podemos vestir um vestido em você?
O pequeno garotinho que gostava de brincar com garotas demoraria até se entender, e provavelmente aquela não seria a última vez que seria rejeitado por causa de seus gostos pessoais um tanto... diferentes. Minhyuk era um garoto incrível, independente de suas opções, e no fim das contas, o pequeno Lee Minhyuk poderia ser quem ele quisesse.
Garoto ou garota.