Após o jantar para comemorar a sociedade, Lorenna e Nathaniel tornaram - se bons amigos.
Passaram a sair juntos nos finais de semana para ir ao cinema ou apenas caminhar na praia.
Aos poucos os dois descobriram ter imensas coisas em comum e até o trabalho tornou-se mais leve.
Com o passar do tempo, Nate começou a perceber que queria ser mais do que o melhor amigo de Lorenna.
Ela era uma mulher diferente das outras. Gentil, paciente, inteligente, linda por dentro e por fora e determinada.
Sem coragem para abrir o seu coração, Nathaniel foi á casa de seus pais. Marília a quem passou a chamar de mãe tinha sempre um conselho para dar.
Ela estava na cozinha quando Nate entrou.
- Olá Mãezinha.
- Nate? Que boa surpresa meu amor.
Ele a abraçou e ficou assim por um minuto.
- O que foi querido?
- Eu estou muito confuso Mãezinha. Preciso de colo e de um conselho.
- Oh meu amor. Não gosto de ver você assim. Vem cá. Vamos falar lá no jardim. O teu pai vai chegar em duas horas apenas.
Após sentarem com o suco de maracujá que Nate tanto gosta, Marília começou por perguntar:
- Quem é ela filho?
Nate ficou surpreso.
- Como a Senhora sabe que existe alguém?
- Nathaniel! Eu não dei a luz á você e seu irmão, mas os conheço melhor do que imaginam.
- Certo. Como uma mãe de verdade. Ela é a minha nova sócia. Agora entendo porque a Magda tanto insistiu para que eu fosse lá no lugar dela.
- Ela agiu como o vosso cupido?
- De certa forma sim. E estou muito grato á ela. Mamãe a Lorenna é perfeita. Pode ser que os tenha, mas eu ainda não enxerguei um só defeito nela.
- Você a ama filho?
- Sim. Eu a amo muito. Estou irreversivelmente apaixonado por ela. Mas, não consigo perceber se ela me corresponde.
- Ora meu amor. Só há um jeito de saberes. Tens que falar com ela. Abra o teu coração.
- E se ela não sentir o mesmo?
- Pelo manos ficarás aliviado.por ter falado. E mais, não faça disso um obstáculo. Se a amas, lute pelo amor dela também.
- Obrigado Mamãe. Mesmo que a minha mãe biológica voltasse, eu jamais a chamaroa assim. Tu és a minha mãe Marília. A única que eu tenho.
- Dá para deixar um pouco para mim também?...- Misael apareceu os pegando de surpresa.
- É claro que também estou aqui para você meu amor. Estou tão feliz por ver os dois aqui. O Sílvio vai adorar esta surpresa. Conversem meninos. Eu vou preparar o jantar contando com vocês.
Quando Marília saiu, Nate sentou e Misael fez o mesmo.
- O que foi Nate?
- Sabes Mano. Eu nunca pensei que amar alguém também fosse tão difícil.
- Porque dizes isso?
- Porque eu não sei se a mulher que amo me corresponde. Ela é perfeita, mas não a quero perder se for o único a sentir alguma coisa.
- O que disse a Mamãe?
- Para eu falar com ela e dizer o que sinto. E mesmo que ela não me corresponder, eu devo conquistar o coração dela.
- Então faça isso irmão. Não dês espaço para que outro aja antes de ti.
- Obrigado. Farei isso com toda a certeza. Não pretendo desistir.
- Isso mesmo. Os Grey nunca desistem. Mas, eu vim aqui trazendo uma notícia não muito boa. É sobre a Joanna.
- O Quê?! O que houve com ela?
- Ela está morrendo Nate. A nossa mãe está muito m*l e deseja estar connosco antes que seja tarde demais. Ela quer o nosso perdão.
- Como você soube disso?
- Ontem o Joel atendeu uma mulher que deu entrada na emergência. Ela está com leucemia e se recusou a fazer o tratamento. Nem mesmo considerou o transplante.
- Porque ela fez isso?
- Não sei irmão. Temos que decidir agora se a vamos ver ou não. Eu só vou se for com você.
O contrário também vale.
- Está certo. Vamos lá. Eu não quero carregar o peso de a deixar morrer sem a ter perdoado. Amanhã encontro você no hospital na hora do almoço.
- Obrigado irmão. Mas temos que falar com o Papai e a Marília.
Ela sabe o quanto a amamos não é?
- É claro que sabe. Tornou-se a nossa mãe e isso nunca vai mudar.
Durante o jantar Misael contou sobre o estado de saúde da mãe biológica.
Sílvio Grey não conseguiu evitar uma lágrima. Ele tinha amado a mãe dos meninos, mas ela a abandonou para seguir a sua vida em completa liberdade.
Joanna nunca foi uma mulher cuidadosa e responsável.
Bebia e fumava bastante. Não gostava de fazer exercícios e alimentava - se poucas vezes e nunca o suficiente.
Agora que a sua saúde tinha finalmente chegado ao limite e com a descoberta de uma doença que a estava a matar, ela decidiu que estava na hora de obter o perdão dos três homens a quem havia magoado bastante.
O arrependimento era desnecessário pois não mudaria nada, mas ela estava com esse peso no coração.
Quando os viu entrar no seu quarto, tentou sorrir mas não obteve resposta.
- Sílvio! Meu meninos. Nossa! Vocês estão homens tão bonitos.
- Como estás Jô?
- Quase morrendo. Mas, não posso partir sem o vosso perdão.
É tarde demais para o pedir?
- Claro que não Jô. Nós estamos aqui para perdoar você.
Não é mesmo meninos?
- Sim Papai. Eu e o Nate perdoamos você Joanna. Não penses que temos raiva ou ódio de você.
- Obrigada Misael. Você com certeza é o gêmeo sensato.
- A Senhora ainda me insulta neste estado?
- Não filho. Mas, você nasceu primeiro e eu sei que herdaste este jeito orgulhoso de mim.
Por causa disso eu acabei com a minha vida, e olha só onde estou.
- Você procurou por isso Jô.
Sei que não é o melhor momento, mas eu avisei e te alertei várias vezes.
- Sim. E eu não te escutei.
Meu filhos! Eu desejo á vocês muitas felicidades. Amem boas mulheres e sejam amados. Tenham uma vida com limites.
E saibam que mesmo que não acreditem, eu amo muito, muito vocês dois. E vou morrer amando vocês três. Ter deixado vocês é o meu maior arrependimento.
Imitando o pai, Misael e Nate pegaram na mão dela e deixaram cair as lágrimas. Adultos ou não, sentiam a dor de perder a mãe que odiaram por anos.
Joanna fechou os olhos devagar e parecia estar feliz por finalmente ter sido perdoada.
Sílvio chamou a enfermeira e o médico. Nathaniel foi embora sem olhar para trás. Estava arrasado mas não queria desabar diante do pai e do irmão.
Dirigiu sem rumo e quando percebeu estava diante da casa de Lorenna.
Quando ela abriu a porta, Nathaniel apenas conseguiu falar:
- Ela se foi Lorena. A minha mãe biológica morreu diante dos meus olhos.
Lorenna apenas o abraçou sem dizer nada. Sabia o que ele estava a sentir.
Mais tarde e já calmo, Nathaniel ligou para o irmão que estava preocupado.
- Você a perdoou.
- Sim. Eu, o Misael e o meu pai.
Nós a perdoamos e ela se foi em paz.
- Eu sinto muito Nate. Você a amava não é?
- Sim. Eu a odiei por anos, mas a verdade é que...Eu amava. E agora ela se foi para sempre.
- Não chores por favor. Ver você assim acaba comigo. Saiba que tens ainda muitas pessoas que te amam. A tua irmã, o Misael e até a Marília a quem chamas de mãe. E claro, eu também estou aqui. E amo muito você Nate.
Nathaniel a beijou com amor e a sua dor tornou-se mais leve.
O amor se Lorenna o ajudaria a superar esta perda.
Quando ele foi para casa, Lorenna sorriu de felicidade.
Agora entendia o que Laura quis dizer quando falava sobre o amor e sua intensidade.
E este agora era o início da estória de amor que Lorenna sempre desejou para a sua vida.