O ar é denso com tristeza e com o desejo que sinto por ele toda vez que o vejo. Não importava se a sala tem centenas de pessoas, eu poderia enxergar Rashid entrando em um lugar entre elas a um quilômetro de distância. O primo dele também sente sua presença e fica sem graça quando o encara. —Com licença. — Aproveito para dizer e vou em direção a cozinha. Entro nela à procura de Zilá, entre os armários de madeira, bancadas de granito polido e peças em aço inoxidável. A encontro abaixada, pegando um pano de enxugar que caiu. Ela está cantando uma canção árabe, a mesma que mamãe costumava cantar quando estava feliz: Fein Habibi de Asalah. Quando ela se ergue e me vê, para de assobiar a melodia. —Zilá, você tem remédio para dor de cabeça? Ela sorri. —Temos uma maleta de primeiros socor

