A sala de conferências do hotel estava lotada.
Jornalistas locais.
Fotógrafos.
Executivos.
O anúncio oficial da compra do hotel por
Nikólaos Kyriakos já era grande o suficiente para atrair atenção. Mas depois do escândalo da noite anterior…
A curiosidade virou espetáculo.
Lorrany estava nos bastidores, mãos frias, coração acelerado.
— Você ainda pode desistir — ela disse quando ele entrou na sala reservada.
Nikólaos vestia um terno cinza escuro impecável. O olhar firme. O controle absoluto que o tornava intimidante.
Mas quando a encarou…
Havia algo diferente.
— Eu nunca digo algo que não pretendo cumprir.
Ela respirou fundo.
— Isso vai te afetar também.
Ele se aproximou.
Devagar.
— Eu não sou um homem que se esconde atrás de reputação.
Silêncio.
— E você não é uma vergonha para mim.
A frase foi direta.
Forte.
E atingiu exatamente onde ela ainda doía.
Antes que pudesse responder, um assessor entrou.
— Senhor Kyriakos, estão prontos.
Nikólaos estendeu a mão para ela.
Não como dono.
Como parceiro.
— Fique ao meu lado.
O pedido não era ordem.
Era escolha.
E Lorrany, contra todos os medos antigos, colocou a mão na dele.
O salão silenciou quando ele apareceu.
Os flashes começaram imediatamente.
Ele caminhou até o púlpito com a postura de quem comandava impérios.
E Lorrany sentiu o peso dos olhares novamente.
Mas dessa vez…
Ela não estava sozinha.
Nikólaos iniciou falando sobre negócios.
Investimentos.
Melhorias.
Expansão internacional.
Profissional. Seguro. Irrepreensível.
Até que um jornalista levantou a mão.
— Senhor Kyriakos, antes de finalizar… o senhor gostaria de comentar os rumores envolvendo uma funcionária do hotel?
O ambiente ficou elétrico.
Era o momento.
Nikólaos não olhou para a equipe.
Não consultou advogado.
Não desviou.
Ele virou levemente o corpo.
E segurou a mão de Lorrany diante de todos.
Um suspiro coletivo percorreu a sala.
— Sim — respondeu calmamente. — Eu gostaria.
O coração dela batia tão forte que quase doía.
— A senhorita Lorrany não tem qualquer envolvimento com decisões corporativas.
A pausa foi estratégica.
— O que existe entre nós é interesse pessoal.
Murmúrios explodiram.
Flashes ficaram ainda mais intensos.
Mas ele continuou.
— E qualquer tentativa de difamá-la será tratada judicialmente.
O tom não era agressivo.
Era definitivo.
— Eu não costumo comentar minha vida privada — acrescentou. — Mas não permito que ataquem alguém por estar ao meu lado.
O mundo pareceu parar.
Ele não disse que era amor.
Não exagerou.
Mas deixou claro.
Ela estava ao lado dele.
Por escolha.
Não por conveniência.
Não por dinheiro.
Quando terminou, ignorou novas perguntas e conduziu Lorrany para fora sob uma tempestade de câmeras.
Assim que a porta se fechou atrás deles, o silêncio caiu.
Ela virou-se lentamente para ele.
— Você é louco.
O canto da boca dele se ergueu.
— Possivelmente.
— Isso pode virar uma guerra com Helena.
O sorriso desapareceu.
— Já virou.
Ela respirou fundo.
— E você fez isso mesmo assim?
Ele se aproximou.
Mais perto do que deveria.
Mas ainda respeitando a linha invisível entre eles.
— Eu fiz porque você não merece passar por isso sozinha.
As palavras ficaram suspensas entre eles.
Sem plateia.
Sem flashes.
Só verdade.
Lorrany sentiu algo dentro dela se quebrar.
Não de dor.
Mas de defesa.
— Você não tem medo de se arrepender? — perguntou baixo.
Nikólaos a observou por longos segundos.
— Eu só me arrependo do que não faço.
O silêncio ficou carregado.
Intenso.
Os olhos dele desceram lentamente para a boca dela.
Dessa vez não havia jornalistas.
Nem interrupções.
A tensão era real.
Quase palpável.
Ele levantou a mão.
Tocou suavemente o rosto dela.
— Eu ainda não toquei em você — murmurou. — Porque quero que seja escolha sua.
O coração dela quase explodiu.
Ninguém nunca tinha esperado.
Ninguém nunca tinha dado poder de decisão a ela.
E ali estava ele.
Poderoso.
Paciente.
Esperando.
Ela poderia recuar.
Poderia manter as muralhas.
Mas não recuou.
Lentamente, aproximou-se.
Os lábios deles ficaram a centímetros.
Respirações misturadas.
E quando finalmente o beijo aconteceu…
Foi diferente de tudo que Lorrany já conheceu.
Não urgente.
Não desesperado.
Foi firme.
Seguro.
Escolhido.
Como se ambos estivessem selando algo maior do que desejo.
Quando se afastaram, o olhar dele estava mais intenso do que nunca.
— Agora — ele disse baixo — que o mundo fale.
E pela primeira vez na vida…
Lorrany não sentiu medo de ser vista.
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