CAPÍTULO 12 — QUANDO ELE DECIDE ESPERAR

625 Palavras
Lorrany passou o dia inteiro evitando olhar para ele. O que era praticamente impossível. Desde a noite anterior, algo havia mudado. O quase beijo ainda queimava em sua memória como uma promessa inacabada. Cada vez que lembrava da proximidade… do calor da respiração dele… do jeito que sua voz havia ficado baixa ao dizer “se você pedir, eu paro”… seu estômago dava voltas. E o pior? Ela não tinha pedido para parar. — Concentra, mulher — murmurou para si mesma enquanto organizava reservas na recepção. Foco. Trabalho. Distância emocional. Plano perfeito. Que durou exatamente até sentir aquela presença novamente. Ela levantou os olhos devagar. Erro fatal. **Nikolas Stavros estava parado do outro lado do saguão, conversando com executivos. Mas ele não prestava atenção neles. Prestava atenção nela. Sempre nela. E dessa vez não havia provocação no olhar. Havia decisão. O tipo que deixava o coração inquieto. Minutos depois, ele caminhou até o balcão. Calmo. Controlado. Perigoso justamente por isso. — Preciso falar com você — disse. Lorrany respirou fundo. — Sobre reservas ou sobre decisões ruins tomadas em bares? O canto da boca dele se ergueu. — Sobre ontem. Ela engoliu seco. — Ontem não aconteceu nada. Nikolas apoiou as mãos no balcão. — Exatamente. Silêncio. Ele continuou: — E não aconteceu porque eu não quero que você pense que é apenas mais uma mulher atraída por um momento. Aquilo a pegou desprevenida. Completamente. — Eu não sou esse tipo de homem com você. A sinceridade na voz dele era desconcertante. Lorrany cruzou os braços, tentando se proteger. — Homens sempre dizem isso antes de complicar tudo. Ele assentiu lentamente. — Então vou provar diferente. Ela arqueou a sobrancelha. — Como? Nikolas respirou fundo antes de responder. Algo raro para alguém tão seguro. — Eu vou esperar. O mundo pareceu parar. — Esperar… o quê? — Você confiar em mim. O coração dela falhou uma batida. Ele continuou: — Não vou tocar você sem certeza. Não vou pressionar. Não vou usar posição ou poder. Os olhos dele prenderam os dela. Firmes. — Quando eu beijar você, Lorrany… vai ser porque você quer tanto quanto eu. O ar desapareceu dos pulmões dela. Porque nenhum homem jamais lhe dera escolha antes. Desejo sempre vinha acompanhado de insistência. De cobrança. De expectativa. Mas ali… havia respeito. E aquilo era infinitamente mais perigoso. — Você não precisa fazer isso — ela murmurou. — Preciso, sim. Ele abaixou ligeiramente a voz. — Porque eu não quero perder você antes mesmo de começar. O impacto daquelas palavras ecoou dentro dela. Perder. Como se ela já importasse. Como se já ocupasse espaço na vida dele. Lorrany desviou o olhar, emocionalmente exposta demais. — Isso é loucura. — Talvez. Ele sorriu de leve. — Mas pela primeira vez… eu não quero algo fácil. O silêncio entre eles ficou quente. Suave. Íntimo. E assustadoramente confortável. Nikolas então se afastou. Sem tentar tocar. Sem invadir espaço. Provando cada palavra dita. Antes de sair, porém, voltou-se uma última vez. — Boa noite, Lorrany. Ela demorou alguns segundos para responder. — Boa noite… Nikolas. E percebeu algo alarmante. Ela estava sorrindo. Sozinha. Sem perceber. Naquela noite, enquanto caminhava para casa, Lorrany sentiu algo novo crescer dentro do peito. Não era desejo. Não apenas. Era esperança. E esperança sempre fora mais assustadora que qualquer paixão. Porque esperança podia quebrar você de verdade. Do outro lado da cidade, Nikolas observava as luzes do Brasil pela janela da cobertura. Sabia exatamente o que estava fazendo. Pela primeira vez… não estava conquistando. Estava construindo. E homens da família Stavros não desistiam daquilo que escolhiam amar. 🔥 Ele decidiu esperar. Mas o passado dela ainda não terminou com ela. E alguém está prestes a chegar para destruir essa paz.
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