CAPÍTULO 14 — SOB A PROTEÇÃO DO GREGO

643 Palavras
O carro de Nikólaos deslizou silenciosamente pelas ruas iluminadas da cidade. Lorrany mantinha os braços cruzados, tentando parecer tranquila, mas sua mente ainda voltava ao estacionamento. Alguém observando. A ideia não saía da cabeça. Ela nunca teve uma vida fácil, mas medo constante… aquilo era novo. — Você está muito quieta — Nikólaos comentou sem tirar os olhos da estrada. — Tô pensando se aceitei entrar no carro de um bilionário estrangeiro ou se comecei um episódio de programa policial. O canto da boca dele se curvou. — Humor sob pressão. Interessante. — É sobrevivência — respondeu ela. E aquela palavra chamou a atenção dele. Sobrevivência. Não vida. Não rotina. Sobrevivência. Nikólaos percebeu novamente algo que vinha notando desde o primeiro dia: Lorrany carregava batalhas invisíveis. O carro entrou na garagem privativa do prédio onde ele estava hospedado. Segurança. Portões automáticos. Homens atentos. Lorrany arregalou os olhos. 😨😨😨😨😨😨😨 — Meu Deus… você mora dentro de um cofre? — Precaução — respondeu simplesmente. Ele saiu primeiro e abriu a porta para ela. O gesto foi natural. Sem ostentação. Sem superioridade. Ela hesitou antes de sair. — Isso tudo é mesmo necessário? Nikólaos a encarou com seriedade. — Quando você cresce aprendendo que poder atrai inimigos… sim. O elevador subiu em silêncio. O espaço fechado deixou o ar pesado demais. Ela conseguia sentir o perfume dele. Amadeirado. Quente. Perigoso. E odiava o fato de que seu corpo reagia automaticamente. Quando as portas se abriram, ela entrou no apartamento e parou. Era enorme. Elegante. Luxuoso sem parecer exagerado. Mas o que mais chamou atenção foi algo inesperado. Não havia mulheres. Nem roupas femininas. Nem sinais de festas. Era… solitário. — Você vive sozinho? — perguntou. — Sempre. A resposta saiu simples. Quase vazia. Lorrany deixou a bolsa sobre o sofá. — Deve ser triste. Nikólaos a observou. Pouquíssimas pessoas ousavam imaginar tristeza na vida dele. — Solidão é eficiente — respondeu. Ela virou para ele. — Não pra quem precisa sentir que pertence a algum lugar. O impacto daquela frase foi silencioso. Profundo. Ele não respondeu. Porque, pela primeira vez em muito tempo… Não tinha argumento. Nikólaos caminhou até o bar e serviu água para ela. Nada de vinho. Nada de tentativa de sedução. Apenas cuidado. — Você pode usar o quarto de hóspedes — disse. Lorrany piscou surpresa. — Só isso? Ele arqueou uma sobrancelha. — Esperava algo diferente? Ela riu nervosa. — Olha… considerando sua fama de deus grego perigoso… Nikólaos se aproximou lentamente. Não invadindo. Apenas diminuindo a distância. — Desejo não significa pressa, Lorrany. O nome dela em sua voz arrepiou cada centímetro de sua pele. — Eu não toco no que ainda não confia em mim. O coração dela apertou. Porque aquilo… Aquilo era novo. Homens sempre tinham pressa. Sempre queriam provar algo. Mas Nikólaos parecia disposto a esperar. E esperar era intimidador. — Obrigada — murmurou. Ela entrou no quarto e fechou a porta. Só então percebeu que suas mãos tremiam. Não de medo. Mas da sensação perigosa de segurança. Do lado de fora, Nikólaos permaneceu sentado na sala escura. Sem trabalhar. Sem olhar o celular. Apenas pensando. Ele desejava Lorrany. Muito. Mas o que o inquietava não era o corpo dela. Era a força. A coragem escondida atrás do humor. A maneira como ela lutava para continuar sorrindo. E aquilo despertava algo desconhecido. Proteção. Respeito. Algo perigosamente próximo de sentimento. Horas depois, quando passou silenciosamente pelo corredor, ele ouviu um som baixo vindo do quarto. Um murmúrio. Um pedido assustado. — Não… para… Nikólaos parou imediatamente. A maçaneta girou devagar. Lorrany dormia inquieta. Respiração irregular. Lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto. Pesadelo. Ele não entrou. Não invadiu. Apenas ficou ali. Vigiando. E naquele instante compreendeu algo definitivo: Quem quer que tivesse machucado aquela mulher no passado… Nunca mais chegaria perto dela. Porque agora… Ela não estava mais sozinha. emocional: 🔥👑🔥
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