O salão do Hotel Imperial brilhava como se cada lustre tivesse sido aceso apenas para aquela noite.
Era o maior evento empresarial do ano.
Empresários, investidores, jornalistas e celebridades circulavam entre taças de champanhe e sorrisos falsos. Tudo era luxo. Tudo era aparência.
E Lorrany sabia que não pertencia completamente àquele mundo.
Ainda assim… caminhava como se pertencesse.
O vestido azul-escuro moldava seu corpo com elegância, sem exageros. Os cabelos cacheados estavam soltos, naturais, e os olhos castanhos observavam cada detalhe com atenção profissional.
Ela não estava ali como acompanhante.
Estava ali porque trabalhou para aquilo.
Do outro lado do salão, os olhos de Nikolas Stavros a encontraram imediatamente.
E algo dentro dele apertou.
Não era mais fascínio físico.
Era orgulho.
Nas últimas semanas, ele havia visto Lorrany enfrentar reuniões difíceis, funcionários hostis e decisões que fariam executivos experientes hesitarem.
Ela não precisava dele para existir.
E talvez fosse exatamente isso que o estivesse destruindo lentamente.
Ele estava se apaixonando.
De verdade.
— Que curioso… — uma voz feminina cortou o ambiente atrás de Lorrany.
Ela reconheceu antes mesmo de virar.
Helena.
Elegante. Perfeita. Perigosa.
— Nunca imaginei que funcionários agora participassem de eventos privados — disse Helena, alto o suficiente para chamar atenção ao redor.
Algumas pessoas pararam.
Outras fingiram não ouvir.
Mas todas escutavam.
— Fui convidada pela diretoria — respondeu Lorrany calmamente.
Helena sorriu.
O tipo de sorriso feito para ferir.
— Claro… imagino que certos… talentos sejam valorizados.
O silêncio ficou pesado.
Um jornalista próximo ergueu discretamente o celular.
Helena avançou mais um passo.
— Todos sabem como mulheres sobem rápido quando encontram o homem certo.
O golpe foi público.
Direto.
Cruel.
Alguns convidados trocaram olhares constrangidos.
Era uma acusação clara.
Lorrany sentiu o coração acelerar.
O passado tentando sufocá-la novamente.
A menina que já havia sido diminuída… descartada… silenciada.
Mas aquela menina não existia mais.
Ela respirou fundo.
E sorriu.
Não um sorriso frágil.
Um sorriso firme.
— Sabe qual é a diferença entre nós duas, Helena?
O salão inteiro parecia escutar.
— Eu precisei trabalhar para chegar aqui.
O sorriso da rival vacilou.
— Enquanto você… — Lorrany continuou suavemente — sempre precisou que alguém mantivesse sua posição por você.
Um murmúrio percorreu o ambiente.
Elegante.
Sem gritos.
Sem vulgaridade.
Helena endureceu.
— Você acha que pode competir comigo?
Lorrany inclinou levemente a cabeça.
— Não estou competindo. Só estou vivendo minha própria história.
E foi naquele instante que uma voz masculina ecoou atrás delas.
Grave.
Perigosa.
Controlada.
— E eu garanto que ninguém aqui tem o direito de desrespeitá-la.
O salão inteiro se abriu quando Nikolas se aproximou.
Os olhos dele estavam frios.
Não possessivos.
Protetores.
Ele parou ao lado de Lorrany — não à frente.
Como igual.
Como escolha.
Helena empalideceu.
— Nikolas, eu só estava—
— Humilhando alguém em público — ele interrompeu. — Algo que minha empresa não tolera.
O peso das palavras caiu como sentença.
Mas o que realmente abalou Lorrany foi o gesto seguinte.
Ele segurou sua mão.
Suave.
Sem exibição.
Sem domínio.
Apenas… apoio.
E naquele toque, ela percebeu algo perigoso.
Ele não estava ali por desejo.
Estava ali porque não suportava vê-la ferida.
—
Mais tarde, já longe dos convidados, Nikolas falou baixo:
— Preciso voltar para a Grécia.
O mundo pareceu parar.
— Problemas familiares… empresariais. Não posso evitar.
O medo surgiu imediatamente dentro dela.
Abandono.
Distância.
Promessas quebradas.
Ele percebeu.
E segurou seu rosto com cuidado.
— Não estou indo embora de você.
Os olhos dele suavizaram.
— Mas preciso que confie em mim.
E pela primeira vez…
Lorrany percebeu que amar talvez fosse exatamente isso.
Confiar mesmo quando o coração tremia.
🔥