O REINO DOS STAVROS

477 Palavras
O avião particular tocou o solo grego pouco antes do amanhecer. A luz dourada começava a nascer sobre o mar Egeu quando Nikolas Stavros desceu os degraus da aeronave. Casa. Mas daquela vez… não parecia. O ar carregava responsabilidade. Peso. Destino. Homens de terno aguardavam próximos aos carros pretos alinhados na pista privada. Segurança reforçada. Discrição absoluta. A família Stavros nunca fazia nada pequeno. Nunca fazia nada sem propósito. — Senhor Stavros — disse Dimitri, o assessor mais antigo da família, inclinando levemente a cabeça. — Seu avô está esperando. Claro que estava. Nikolas entrou no carro sem responder. Durante todo o trajeto até a propriedade da família, sua mente não saiu do Brasil. Do sorriso cansado de Lorrany. Da forma como ela tinha dito vou tentar confiar. Aquilo o perseguia. Porque ele sabia… que ainda não tinha contado toda a verdade. A Mansão Stavros surgia no topo da colina como um palácio antigo, cercado por oliveiras e segurança armada. Poder. Tradição. Controle. Assim que entrou, vozes ecoavam no grande salão. Seus irmãos estavam ali. Seu pai. E sentado na poltrona central… o patriarca. O homem que comandava tudo. — Finalmente decidiu voltar — disse o velho Stavros, sem sequer se levantar. Nikolas manteve a postura firme. — Vim resolver o que precisa ser resolvido. Os olhos envelhecidos do avô brilharam. — Ótimo. Então vamos falar do seu casamento. Silêncio. Pesado. Frio. O maxilar de Nikolas travou. — Eu não vou me casar por negócios. O pai dele riu baixo. — Você sempre foi emocional demais. Nikolas sentiu a irritação subir. — O acordo com a família Petros continua ativo — continuou o avô. — A união fortalecerá nossos hotéis na Europa Oriental. E então veio o golpe. — Helena já está sendo preparada para assumir o papel de sua esposa. O nome caiu como veneno. Helena. A mulher que havia humilhado Lorrany. A mulher que acreditava já possuir seu futuro. Nikolas deu um passo à frente. — Isso não vai acontecer. O salão inteiro ficou em silêncio. O avô apenas ergueu uma sobrancelha. — Então existe alguém. Ele não respondeu. Mas não precisava. O velho sorriu lentamente. — Uma fraqueza. Nikolas apertou os punhos. Não. Lorrany não era fraqueza. Era escolha. E pela primeira vez na vida… ele estava disposto a enfrentar a própria família por alguém. Enquanto isso… No Brasil. Lorrany tentava voltar à rotina. Mas o hotel parecia diferente sem ele. Vazio. Os funcionários cochichavam. Rumores circulavam. E então… ela viu. Uma manchete aberta no celular de Clara. “Herdeiro grego Nikolas Stavros retorna ao país para oficializar noivado com empresária europeia.” O mundo parou. O ar desapareceu. — Isso deve ser mentira… — Clara murmurou. Mas Lorrany não respondeu. Porque algo dentro dela… quebrou silenciosamente. Ela lembrou do pedido dele. Confia em mim. E pela primeira vez… duvidou se deveria ter confiado.
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