Por Gabriela :
Lucca está enchendo a p***a da minha paciência! Acha que é meu dono ou algo meu.
Não vou mentir que não sinta atração ou algo a mais por ele. Mas não vou ser trouxa ao ponto de ceder o que ele anda exigindo pra mim. Só dou pra ele de vez em quando, e não espero receber nada em troca, sei que não vou receber. Então eu não crio expectativas em relação a "nós".
Já tem uma semana que eu não falo com ele. Ignoro as mensagens que me manda pelo what's. Não vou ficar correndo atrás dele, implorando atenção. Sabendo muito bem que ele anda comendo as mulher do morro. E eu faço da minha vida o que quiser e não vai ser macho nenhum seu vai vim dá p**a que pariu pra mandar em mim.
–Tá surda é c*****o?—ele grita não chamando atenção de ninguém.
–Tá falando comigo?—me faço de sonsa, não tô afim de bater boca com ele aqui no meio da rua. Num sol da p***a e ainda com essa mochila nas costas.
–Vamos deixar vocês dois conversarem.—Sarah manda beijinho e sai com Pérola me deixando sozinha.
Piranhas!
–E com quem mais c*****o?—continua gritando.
–Quer fazer barraco aqui no meio da rua é p***a?—digo entre os dentes.–Não tá vendo que tão olhando pro seu show?
–Eu tô pouco me fodendo pra esses zé povin.—olha pros grupinhos que tão olhando sem nem disfarçar.–Tem o que fazer não c*****o? Bora! Circulando aê.
Reviro os olhos e cruzo os braços. Fico olhando pra ele sem nenhum pingo de medo. Não vou abaixar a cabeça pra ele nunca, se não quer montar em cima.
–Pode falar o que é,que eu tenho que ir pra casa.—olho no meu relógio de pulso. Ganhei da minha madrinha de aniversário.
–Esqueceu do que eu te avisei lá em casa?—e lá vem ele de novo com essas conversa.–Ainda fica aí, dando mole pros macho da favela toda. Já tá abrindo as pernas pra quem mais?
–Onde que isso é da tua conta? Ou da conta de alguém aqui?—levanto a sobrancelha.
–Tu tá botando banca de mais não acha não? Eu posso te cabecear em dois minutos.
–Você acha que consegue tudo me ameaçando não é?—não abaixo a guarda.–O que você quer? Que eu fique igual um cachorrinho atrás de você igual as outras fazem? Tá muito enganado meu amigo.
–Ninguém vai enfiar o p*u no que é meu. Tá me entendendo?—aperta meu braço com certa força.–Tá me ouvindo c*****o?
–Da pra soltar o meu braço?—olho pro mesmo que tá com a marca dos dedos dele.
–Eu vou te avisar só mais um vez.—chega bem perto, fazendo a minha respiração ficar acelerada.–Se tu falar com teus machos eu vou saber na hora e pode saber que ele já não vai respirar, entendeu bem?
–Já acabou Jéssica?—debocho.
–Esse teu deboche ainda vai te levar pra vala.—dá um último aviso indo pra perto dos amigos que tão do outro lado.
Bufo de raiva e vou caminhando. Eu tô com ódio desse filho da mãe! Ele me estressa a cada minuto da existência na terra. Em todo canto que eu vou tem um solado pra ficar me vigiando e passar o radinho pra ele. Isso já tá me deixando com mais raiva ainda da cara dele.
Posso até gostar dele, mas não vou dá uma de emocionada e acreditar que um conto de fadas vai acontecer comigo.
Chego em casa e não encontro a minha mãe. Já deve ter saído pras faxinas dela. Tenho que estudar e tirar a minha mãe daqui, dá uma vida melhor pra ela. Onde ela não tenha que trabalhar tanto e chegar exausta todos os dias.
A comida está feita e ainda quente no fogão.
Coloco as coisas no prato e como sentada no sofá,assistindo Marsha e o urso.
Lavo tudo que eu sujei e guardo no armário.
Tomo um banho e fico no meu quarto que não tem luxo algum. Só uma cama de casal, um guarda roupa, uma cômoda do lado da cama e só. Mas eu sou feliz aqui e sei também que minha mãe deu duro pra gente ter tudo o que temos. Devo a minha vida a ela. Em todos os sentidos.
Sem nada pra fazer fico olhando a minha galeria. Pego uma foto já antiga e decido postar na minha rede social. Eu ainda estava com as tranças na época. Tirei bastante fotos exibindo as tranças que demoraram horas para serem postas.
Visto um shortinho mais folgado, não quero ter infecção urinária novamente. Coisa r**m do cão. Só de top eu fico a vontade em casa. Jogada na minha cama e estudando um pouco.
Tenho que ser uma p*****a estudada pelo menos né Brasil?
Dou uma arrumada legal no meu quarto, mas não fico em paz por muito tempo. Já que Lucca praticamente invadiu a minha casa do nada, sem convite algum.
–Tá fazendo o que na minha casa?—fico na sua frente com as duas mãos na cintura.
–Isso é roupa de tu tá vestida c*****o?
Olho pra minha roupa e não vejo nada de mais.
–Eu tô na minha casa se você ainda não percebeu.—dou ênfase na palavra minha.–Eu ando pelada se eu quiser meu filho.
–Tu quer tomar uns p*u não é?—puxa meu braço com força.–Tá dando pro Arthur também né vagabunda?
–Vaganunda porque meu anjo?—debocho, mesmo estando com um pouco de medo dele lá no fundo.–Porque eu pego quem eu quiser? Eu sou solteira, então pode melhorar seus xingamentos. Olha, tem v***a, p*****a, rodada, puta...melhore!
–Tu é muito p**a mesmo na moral.
–Sou mermo!—digo com a voz firme.–Agora já pode sair já que veio aqui só me dizer "elogios",agradeço por eles.
–Vadia!
–Gracias!—debocho em outro idioma ainda. Tô bonita agora.
–Não quero nem me estressar com você cê é louco.—passa a mão nos cabelos.
–Então não se estresse, vaza da minha casa.
Não dizendo nada ele sai. Antes me lançando um olhar mortal. Tô cagando e andando pra ele.
Pouco me fodendo!
Ele que lute!