Mercúrio retrogrado

1462 Palavras
A segunda-feira chegou e tudo que Giovanni pensava era em encontrar aqueles olhos verdes que o hipnotizaram sábado a noite inteira. - Bom dia, Clara. - Passa na mesa dela. Clara estremeceu ouvindo a voz, que a desnorteou o final de semana inteiro. Engoliu seco. - Bom dia, Giovanni. - Que tal almoço juntos? - Giovanni passou o domingo pensando. E não faria m*l conhecê-la melhor, afinal, essa era a deixa para enfim levá-la para a cama. Segurou o sorriso. - Vai trabalhar! - Ela diz desviando os olhos dele. Giovanni revira os olhos e sai dali. Ela tinha voltado àquele tom de voz sério, neutro e profissional. A semana passou e ele a observava de longe. A sala da área da tecnologia era grande, dividida por mesas e pequenos divisores de acrílico, o permitindo ver e ouvir quando ela dava as suas ordens. Mas até isso o estava excitando. Vê-la mandar, corrigir e demandar. Era um arraso de mulher. Clara percebia os olhares de Giovanni, mas focou em fazer o que sempre fez, afinal, não podia se deixar levar por um cara que só a queria levar para cama! A sexta-feira finalmente chegara, e tudo que pensava era em um banho de banheira, um filminho e uma boa taça de vinho. Almoçou no restaurante da esquina, assim como a maioria dos funcionários fazia, comprou um chiclete e voltava para o seu posto. A sala ainda estava vazia, pois todos esperavam o último minuto para subir, ela que gostava de aproveitar um pouco do silêncio. No momento que fechou a porta atrás de si, sentiu o seu corpo ser pressionado contra a parede ao lado. Giovanni aguentou a semana inteira, mas não podia mais conter o seu corpo e a sua mente. Ele rolava na cama pensando nela, e quando dormia, sonhava com ela, e durante a manhã com uma xícara de café preto, ele só conseguia querer ela. Então já bastava! Clara sentiu a boca quente, o leve gosto de café, o perfume... sabia que era ele antes mesmo de entender o que acontecia. O beijo era o mesmo, profundo, voraz e sensual. Por alguns segundos esqueceu-se de onde estava e se entregou ao beijo. - Vamos jantar?! - Ouviu-o dizer e caiu em si. - Me solta! Perdeu o juízo! - Tenta se soltar, mas ele prensa o seu corpo contra o dela. - Aceita! - Ele diz com o rosto quase colado ao dela, a respiração ofegante e o coração acelerado. - Podem nos ver! - E o que tem? - O que tem que está no regimento interno: nada de romance entre funcionários! - Clara amava aquela empresa e não pensava em arriscar tudo por uns beijinhos. - Ah bobagem! - Me solta! - Ela tenta se soltar. - Te pego às 19 horas na sua casa. - Ouvem um barulho do lado de fora, anunciando a entrada de alguém. Ele ergue as sobrancelhas e ela bufa. Ele sorri. - Posso te levar pra casa, se quiser. - Diz a soltando, em seguida entrando um colega de trabalho na sala. - Vim de carro. - Clara fala por entre os dentes. - Ta ok, então às 19 hs! Clara não responde apensas assente e se senta em sua mesa. A sexta estava tranquila demais para ser real. Lara passara na sala da TI e passara algumas demandas a Clara, que acatou pronatamente. Teria de ficar um pouco mais, mas era normal para ela isso. Giovanni saiu como de costume às 17:30 do trabalho, não era do tipo que fazia hora extra. Se quisessem que o serviço fosse feito naquele dia, tinham de lhe pedir para fazer num horário apropriado. Viu que Clara ficou e resolveu esperá-la sair, só para mexer com ela mais um pouquinho. As horas passaram, e quando deu por si, passava das 18:30. Franziu o cenho e resolveu ir até lá, ver se havia acontecido algo. Clara estava no último chamado. Não poderia deixar para o dia seguinte, ou poderia dar problemas no final de semana, ou na madrugada, e então pessoal do suporte a chamaria e ela detestava quando isso acontecia. Concentrada m*l percebeu Anthony parado a sua frente com um buquê de flores. - Ahn, Clara... - O rapaz a chama e ela ergue os olhos. - O que foi? Giovanni chega na porta e sente o seu sangue ferver, ao ver Anthony da Infra, em frente a mesa de Clara, com flores. Resolveu esperar para ver o que ia rolar. Afinal, ela podia estar dando fora nele, por estar interessada em outra pessoa. Isso estranhamente o incomodou. - Bem... ahn, tudo bem? - Clara havia ensinado o rapaz tudo que ele precisava. Era novato, estava há cerca de três meses na empresa. Ela nunca havia prestado muito a atenção nele. - Tudo bem, Anthony. Do que precisa? - Diz séria. Será que o rapaz não via que já tinha passado da hora de ir embora e ela estava ocupada? - Bem... - Anthony sabia que ela não dava trégua à ninguém, mas sempre a achou muito bonita, e ao ver Giovanni a rondando, decidiu tentar algo antes. - Trouxe pra você. - Ele estende as flores em direção a ela, que franze o cenho. - Flores? - Ela pega e encara as flores. - Porque? - Ela larga as flores na mesa ao lado. - Ahn... - Ele respira fundo. - Gostaria de jantar comigo? - Clara franze ainda mais o cenho. O que estava acontecendo com aquele setor? Estavam todos possuídos pelo santo antônio? - Olha Anthony, eu agradeço, mas não tenho interesse... - Antes que terminasse de falar, o rapaz a questiona. - Por quê? - Ela começava a agradecer a Deus por sempre focar mais no trabalho, porque esses caras eram uns chatos! Não bastava um não, queriam motivos. Giovanni observando a cena, entra na sala. - Porque ela tem namorado! - Clara vira a cabeça para o lado e vê o homem entrando e revira os olhos. - Você? - Giovanni assente, parando ao lado de Clara. - Nossa, nunca imaginei, vocês nunca estão juntos... - Diz como em dúvida. - Sigilo, meu caro. A empresa não gosta de relacionamentos entre funcionários. - Ah sim... me desculpe, Giovanni. - Anthony sai apressado, enquanto Clara apenas tem as mãos segurando a testa. - Você bateu com a cabeça, né? - Ela se dirige a Giovanni. - Ah, te livrei de um pé no saco. - Clara bufa e volta ao chamado. - O que está fazendo ainda aqui? - Trabalhando. - Ela diz sem desviar os olhos da tela. - Hum, precisa de ajuda? - Não! - Ela responde categórica. Ele então pega um cadeira senta ao lado dela. - O que foi? - Clara se vira para o homem que a estava irritando. - Vou te esperar. - Por quê? - Temos um encontro! - Ah vá cagar! - Clara respira fundo. - Eu recebi alguns chamados, ainda vou demorar uma meia hora, quem sabe deixamos para outro dia. - Hoje é sexta, podemos aproveitar... - Só cala essa boca então, e me deixa terminar. - Clara diz exasperada. - Além do mais, é perigoso ficar sozinha aqui. - Clara balança a cabeça negativamente. - Já saí quase dez da noite, já tranquei essa sala, e saí só com o segurança noturno na portaria. - Segue focada em seus códigos. Giovanni franze o cenho. - Mas não é prudente, os seguranças vivem mudando, não pode confiar, você sozinha... - Clara para os dedos no teclado e pensa por um momento. Realmente estava negligenciando a sua segurança. Então assentiu e voltou ao foco. Giovanni esperou que ela terminasse, e desceu com ela até o seu carro. Esperou ela ligar o carro e nada. Parecia que ele estava com sorte... e ela não! Clara batia no volante enquanto o carro não ligava de jeito nenhum. Saiu, conferiu as rodas, a gasolina, e não entendia porque o bendito não ligava. - Tudo bem? - Ouviu a voz grossa de Giovanni e fechou os olhos. Era só o que faltava. - Pifou, o meu carro pifou. - Começou a rir, passando a mão na testa. - Só pode ser mercúrio retrógrado. - Clara não era ligada em signos, e quando as coisas davam errado brincava que era o signo ou algo assim, por diversão. Giovanni acompanhou a risada dela. - Ai ai, vou pedir pro meu pai me buscar, amanhã peço pra um mecânico passar aqui e pegar o carro. - Ela fala já digitando para o pai. - Eu te levo. - Giovanni aproveita o momento. Clara o encara e pensa em como aquele cara conseguia ser insistente. - Ta, tá bom, obrigada. - Clara por fim diz, desistindo da batalha.
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