CHRISTOPHER

1525 Palavras
Christopher Scotter. Sem comentários quanto a ideia de ser protegido por uma mulher. Isso sem dúvidas feria meu ego. Primeiramente quero deixar claro que não é como se eu não achasse que ela fosse capaz de fazer a minha guarda, é mais como se alguém estivesse me dizendo que eu não podia me cuidar sozinho. Gostaria de comentar também que Sophie, era muito bonita para trabalhar com aquele tipo de coisa violenta. Talvez em uma agencia de modelos ela ganhasse mais por dia, do que o que ganha protegendo pessoas. − Por que essa profissão afinal? – Deixei que as palavras saíssem da minha boca ao ver a garota analisando minha sala. Sim, uma garota. Ela provavelmente era um ou dois anos mais velha que eu, mas tinha a aparência de uma moça jovem. Não conseguia imaginar o que ela podia fazer para me proteger, ela tinha um ótimo porte físico aparentemente, mas mesmo assim, ela sairia no murro com meu assassino se necessário? Ela tinha um humor ácido bem chato, parecia que precisava se masturbar. Talvez fosse assim por falta de sexo. − Acredite Christopher, você não quer saber. – Não consegui ignorar o tom triste em sua voz. O que tinha feito ela entrar para essa carreira afinal? Bom, o que eu sabia sobre Sophie se resumia a seu nome, sua idade, sua altura, e que ela ficaria melhor com o cabelo comprido. Mulheres de cabelo curto não ficam bonitas, eu não acho. Pode me chamar de machista ou o que for, não estou cagando regra na vida de ninguém, é uma opinião. Também é uma opinião que o trabalho de guarda-costas fosse feito por homens, e não por mulheres. − Então, o que pode me contar sobre você senhorita Cavaunagh? Eu tenho a impressão de já tê-la visto em algum lugar. – E tinha mesmo, mas não me lembrava onde. Talvez em vidas passadas. Deixei a lista de casos pendentes para o lado e prestei atenção naquela mulher. − O que você precisa saber, é que vou salvar sua vida. − Desde quando conhece a Clypeus e seus representantes, como o Simon? – Perguntei interessado pelo sorriso que ela havia dado mais cedo. − Desde pequena. – Arqueei uma sobrancelha curioso. – Na verdade, se você olhar na linhagem da Clypeus, quem fundou a maior companhia de advogados, foi Leah Cavaunagh, minha avó. Uma mulher de fibra, sem dúvidas. A frente de seu tempo. – Dei um sorriso de canto. Eu não sabia a história de onde eu trabalhava, por que deveria? – Não se culpe caso não saiba disso, eu também não me interessaria tanto se trabalhasse aqui. − Você seria a herdeira direta da Clypeus então, se não tivesse se tornado guarda-costas? – A pergunta me fugiu antes de eu perceber se aquilo era possível de perguntar ou não. Ela soltou um pigarro antes de me responder, droga. − Meus pais morreram quando eu era muito nova, a Clypeus tinha um nome diferente, antes. Não quis relações com o local. Deixei que os acionistas decidissem tudo, era uma criança não podia assumir o controle de nada. Por isso Simon é o CEO agora. Até por que, eu não poderia ficar em uma sala de frente ao computador estudante casos e mais casos. – Observei enquanto ela se levantava com um sorriso cínico no rosto. – O que o senhor deveria estar fazendo agora, em vez de bisbilhotar minha vida, com suas perguntas. Fiquei observando enquanto ela se retirava da minha sala sem dizer mais nada. Como se aquelas palavras fossem o bastante. Sorte a dela, porque eu sou do tipo esquentado e ela parece ser igual, então ficaríamos discutindo um bom tempo se eu a respondesse a altura. Soltei um suspiro vendo a agenda da semana, meus casos estavam calmos, talvez eu devesse ir a prisão depois, falar com Andrey Miller, quem sabe ele soltava o nome de alguém que pudesse estar atrás de mim, eu poderia oferecer um acordo para que reduzissem o tempo dele na prisão, caso ele cooperasse. Escutei batidas na porta depois de um tempo que Sophie saiu, talvez alguma das meninas da recepção me trazendo algum recado. Mandei logo que entrasse, se fosse meu assassino ele não iria simplesmente bater na porta, não é mesmo? − Senhor Scotter deixaram essas caixinhas na recepção. – Uma das meninas que ficavam na recepção entrou na sala com uma caixinha vermelha de veludo em mãos. − Pode deixar aqui em cima, obrigado. Indiquei minha mesa, e ela não demorou a deixar a caixa ali. Logo depois, fiquei sozinho novamente, não sabia onde estava a tal senhorita Cavaunagh, mas no momento não me importava, queria um tempo sozinho e para mim. Sabia que seriam coisas raras de agora em diante. Claro, só consegui aproveitar dois minutos até que ela entrasse pela porta bem exasperada pronta para pular no meu pescoço. − Você só pode ser e******o! – Ela se aproximou pegando a caixinha em cima da minha mesa e logo depois abrindo a janela do escritório o máximo que podia. − Sua louca, o que você está fazendo? Perguntei me levantando e vendo ela jogar a caixa pela janela. Logo depois ela correu para cima de mim, me empurrando e me derrubando no chão ficando por cima de meu corpo. Se aquela era sua estratégia de como pular em cima de um homem, estava um pouco equivocada. Alguns segundos depois a caixa jogada pela janela explodiu me fazendo soltar um grunhido forte enquanto minha respiração travava. Os vidros das janelas pareciam ter aguentado a pressão, mas meu coração ia pular por minha boca. − Ainda acha que eu sou louca, Scotter? – Sophie perguntou enquanto se levantava respirando pesado e olhando para a janela como se ainda pudesse ver a caixa explodindo ali. Eu me levantei, da maneira mais calma que pude, se é que seria possível. Eu podia morrer, e ela estava fazendo piadinhas na minha cara? Quem ela pensava ser? Além de minha guarda-costas? − Como você sabia? – Perguntei a primeira coisa que veio na minha cabeça. − Sua mãe não é do tipo que manda presentes, você m*l fala com seu pai. Seus irmãos m*l lembram a sua existência, eu estava pesquisando sobre você, não preciso falar sobre a namorada que você não tem. Além do mais, a caixa fazia barulho, como você não percebeu? – Dei de ombros sem saber exatamente o que respondeu. – Escute, seja bem-vindo a vida de quem está sendo perseguido. Você não escuta, não fala, não sente, você morre. É isso que acontece. – Dessa vez eu senti que ela estava falando sério, e por mais que eu quisesse negar, ela tinha razão. – Vou ter que te ensinar a apurar seus próprios sentidos para se proteger? – Aquilo era uma pergunta retórica. – Vamos embora em algumas horas. Mandei que algumas pessoas fizessem uma analise na sua sala. − Quando foi que eu permiti que alguém de fora viesse a minha sala? – Perguntei tentando manter meu nível autoritário. Ela não podia simplesmente chegar como se mandasse no lugar. − Eu não quero saber o que você pensa Christopher. Não estou sendo paga para te proteger a toa, e te proteger não inclui gostar ou te escutar. Eu volto em algumas horas, tente não se matar novamente. Dizendo isso, ela saiu. Era a segunda vez que ela saía me deixando olhando para o nada com muita raiva, e ainda por cima, atônito. Meu Deus, como alguém conseguiu colocar aquilo na minha sala? Quero dizer, eu sei que permiti, principalmente quando a moça veio deixar e eu não chequei nem mesmo quem tinha o entregado. Claro que, mais de mil nomes passaram na minha cabeça, como advogado criminalista, existe sempre alguém querendo sua cabeça em alguma bandeja, mas até então, é algo normal. Dias atrás, eu quase havia sido atropelado, e agora eu também estava começando a pensar que não foi um acidente qualquer, e que isso também fazia parte da tentativa de me matar. O pior, ainda era, ter que admitir que Sophie estava certa. Eu estava completamente desprotegido, e teria que mudar isso se quisesse continuar vivo. Fora isso, aquela mulher era um mármore, parecia que algo tinha morrido dentro dela, e agora estava a corroendo, ela conseguia exalar isso, e eu nunca tinha conhecido ninguém assim. Só sobrava algumas palavras amargas e um silêncio deprimido. Ela conseguia passar confiança e medo na mesma proporção. Eu estava no fundo do poço, e era estranho pensar que Sophie era a mão que ia me tirar dele, quando aparentemente ela não conseguia nem usar a própria mão para gozar. Talvez a falta de felicidade seja por isso. Mesmo assim, não podia negar que estava curioso a respeito dela. Qual era o segredo por trás da pose incrivelmente gelada e qual a real ligação dela com a Clypeus? Mesmo que a história sobre ela ser uma antiga herdeira fosse real, era só aquilo mesmo? Ela tinha toda essa ligação com Simon, apenas por ter lhe passado a empresa? Ela vendeu a empresa para ficar longe, por que continuava voltando, então?  
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