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643 Palavras
**05** *Aline narrando* A sensação de estar sendo observada por ele nunca me abandonava. Kleiton havia me garantido que ele não me encontraria, mas depois de tanto tempo sofrendo em suas mãos, meu maior medo era exatamente esse: que um dia ele me achasse. **Flashback on** — Quantas vezes mais vou ter que bater para você dizer onde deixou Helena? — Ele perguntou, desferindo mais uma cintada. Minhas pernas ardiam, já estavam em carne viva. — Eu não sei... — sussurrei, a voz fraca. — Você vai matá-la! — Kleiton interveio, arrancando a cinta de suas mãos. — Você vai ficar aí — ele disse, me chutando. — Uma hora, você vai falar. **Flashback off** Passei a mão pela barriga e senti uma das muitas cicatrizes que ele deixou em mim. As lágrimas escorreram no mesmo instante. **Flashback on** — Não, por favor! — implorei assim que ele me amarrou nua sobre a mesa. — Isso não, por favor! Ele pegou um ferro quente e encostou na minha pele. A dor foi insuportável, soltei um grito sufocado enquanto ele sorria satisfeito e pressionava ainda mais o ferro contra minha carne. Queimava. Queimava tudo. **Flashback off** Agora, havia um "M" marcado em minha barriga, a cicatriz que ele me deixou como lembrança eterna do inferno que vivi. Lavei o rosto na tentativa de apagar os rastros das lágrimas. A noite tinha sido difícil, mais uma tomada por pesadelos com aquele monstro. *"Uma hora, tudo isso vai acabar, Aline."* **Flashback on** — Assina essa merda! — ele ordenou, segurando meu queixo com força. — Ou eu corto sua mão fora! Pegou uma faca e pressionou contra minha pele. Tremendo, levei a mão até a caneta e assinei cada um dos papéis diante de mim. — Boa menina — ele disse, deslizando a ponta da lâmina pelo meu braço. — Para, por favor... — supliquei, em prantos. — Por que não me mata de uma vez? Ele riu, segurou meu rosto e me deu um selinho forçado. — Acha que eu vou abrir mão do meu brinquedinho? Ele pegou os contratos que eu acabara de assinar, documentos que me tornavam cúmplice das suas falcatruas. **Flashback off** Apliquei um pouco de base no rosto para esconder qualquer vestígio de choro. No quarto, Helena dormia seu cochilo da tarde. O dia estava chuvoso, típico de um sábado melancólico. Leonardo e Carlos estavam por perto, e amanhã eu teria folga. Mas mesmo assim, eu não poderia me descuidar andando pelo Rio de Janeiro. Maurício tinha olhos por toda parte, e eu jamais poderia deixá-lo me encontrar. Carlos apareceu na porta do quarto. — Aline, pode arrumar as coisas da Helena? Minha mãe vai passar para buscá-la. — Claro, vou arrumar. — Ela deve chegar em meia hora. Depois disso, você estará livre. — Ok, obrigada. Separei as roupas de Helena, acordei-a e dei um banho rápido na preguiçosa. — Estou com sono... — ela resmungou, sentada na cama. — Sua vovó vem te buscar daqui a pouco. Você pode dormir mais um pouco no carro. — Você não vai, tia Aline? — Não, mas amanhã estarei aqui esperando por você. — Mas eu queria tanto que você fosse... — disse, me abraçando. Dona Silvia chegou. — Já está pronta, Helena? — Não quero ir, vovó! — resmungou, cruzando os braços. — Quero ficar com a tia Aline, ela brinca comigo! — Mas eu também brinco... — Dona Silvia tentou argumentar. — Mas não como a tia... A senhora sorriu para mim. — A tia Aline vai estar aqui amanhã, não vai? Assenti. Depois de muito insistirem, Helena acabou indo, embora contrariada. Nós nos apegamos muito uma à outra, e isso era tudo que eu queria. Carlos se aproximou. — Fico feliz que Helena esteja se dando bem com você, Aline. Você prefere o pagamento em dinheiro ou depósito bancário?
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