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2164 Palavras
No dia seguinte, tobby acordou sozinho na sua cama, mas ainda conseguia sentir o calor de Blake ao seu lado no colchão. Ele sabia que Blake iria sair cedo, mas não achou que seria antes dele mesmo acordar. Ainda sonolento, Tobias levantou da cama completamente pelado, antes de caminhar em passos cambaleantes em direção ao banheiro, enquanto esfregava os olhos e bocejava longamente. Assim que saiu do limite do carpete, tobby soltou um grunhido quando seus pés entraram em contato com chão absurdamente frio e liso, que fez as solas quentes dos seus pés formigarem, e não de um jeito legal. Tobias entrou no banheiro e acendeu a luz, fazendo-o fechar levemente os olhos até que eles se ajustassem a claridade. O rapaz encarou o seu reflexo e percebeu que ele estava um pouquinho acabado, o que não era surpreendente, já que ele e o seu stalker maluco transaram até longas horas da noite. A pele marrom de tobby ajudava à esconder os chupões, mas ele conseguia ver marcas levemente mais escuras por todo o seu corpo, além de marcas de dentes aqui e alí. O seu cabelo crespo e castanho claro (que ele herdou da família do pai) estava bastante bagunçado, meio espetado para todos os lados ao invés de uniforme ao redor da sua cabeça. Tobby entrou no box de vidro e aumentou a temperatura do banho, já que ainda estava frio lá fora e não havia tido tempo para a água do encanamento esquentar com o calor do sol. Ele ligou o chuveiro e deixou a água cair por alguns segundos, sabendo que aquela primeira que descia não havia tido tempo para ser esquentada e não tendo coragem de entrar debaixo dela, que deveria estar praticamente congelando. Quando enfim teve a certeza de que estava quentinha, tobby entrou debaixo do chuveiro, para tomar um banho longo e demorado. Ele lavou o cabelo e esfregou sua pele febril com um sabonete de lavanda por um bom tempo, revirando os olhos ao perceber que Blake já estava acabando com o seu shampoo, apesar de tobby sempre dizer que ele era específico para cabelo crespo e poderia deixar o dele estranho (uma mentira descarada para fazer o safado tentar usar os outros shampoos, mas pelo visto ele tinha uma tara em usar todas as coisas que tobby usava, desde o shampoo até os perfumes). O banho demorou quase vinte minutos, mas quando o rapaz saiu, o seu corpo estava completamente quentinho e satisfeito, livre da sensação de suor na sua pele e a p***a de Blake também. Tobby se secou e caminhou até o seu guarda-roupas com a toalha branca enrolada na cintura, abrindo as portas duplas e dando uma rápida olhada no interior delas. Ele não tinha muitas roupas, mas pegou as melhores que tinha e levou para a cama, incluindo calças, cuecas e camisas. Os planos de Blake eram de passar todo o fim de semana lá, então talvez não precisasse de tantas roupas assim. Além disso, ele sequer tinha malas, então resolveu enfiar tudo dentro de uma velha mochila, para então vestir a única muda de roupas que ficou em cima da cama (uma cueca Boxer branca, jeans surrado e uma camisa verde escura de botões e mangas curtas). Depois, ele calçou um par de all stars velhos. A barriga de tobby roncou enquanto ele saia do quarto em passos tranquilos, seguindo pelo corredor com a mochila presa em um dos ombros, enquanto retirava o celular do bolso e escrevia rapidamente uma mensagem para John, dizendo que ia dar uma passadinha na casa dele depois. Ele não queria dar muitos detalhes sobre com quem ia ou o que iria fazer na capital, pois ainda não tinha contato sobre o que estava acontecendo entre ele e Blake. Tobby havia parado de atualizar o amigo sobre esse lance de stalker logo depois do dia em Blake sumiu por quase duas semanas. Após terminar de descer as escadas, o rapaz caminhou tranquilamente em direção a sua cozinha, deixando a bolsa em cima de um dos sofás e cantarolando baixinho uma música aleatória. Ele não lembrava que aquela casa era tão silenciosa daquele jeito, já que Blake dormiu alí durante todos os últimos dias, e como ele era tagarela pra caramba, o lugar nunca ficava silencioso. Tobby abriu o aplicativo do Spotify no seu celular e selecionou uma playlist aleatória, antes de colocar o volume quase no máximo e enfiar novamente o celular no bolso da calça surrada e confortável. A geladeira de tobby estava exatamente como da última vez que ele checou (na noite passada), mas mesmo assim ele a vasculhou por um bom tempo, esperando que alguma coisa boa simplesmente se materializasse alí dentro. Depois de vasculhar cada centímetro, tobby encontrou uma tigelinha com bolo recheado lá no final, que ele provavelmente havia trazido da cafeteria uns três dias atrás (nem tobby tinha certeza sobre a procedência do bolo, mas o que importava era que ele também não tinha caído nas garras do seu stalker esfomeado). Enquanto tirava a tigela de vidro e a garrafa com leite da geladeira, ele fez uma nota mental de que precisava urgentemente fazer compras, e que faria isso logo após chegar de viagem. Tobby não se importava em comer o bolo frio, muito menos beber o leite (ele corou levemente ao lembrar de que se falasse isso em voz alta na frente de Blake, ele iria abrir um sorriso largo e malicioso, dizendo que tobby gostava bem mais de tomar leite quentinho e direto da fonte). O rapaz encheu o corpo de leite e tentou tirar esses pensamentos impuros da cabeça enquanto bebia em goles tranquilos, alternando entre a bebida e o pedaço de bolo. O primeiro gole foi um pouco amargo, pois o gosto da pasta de dente ainda estava bastante vivo na sua boca, mas do segundo em diante, o gosto açucarado do leite acentuou o mentolado do creme dental. Tobby continuou comendo de forma tranquila, ouvindo as músicas que tocavam no Spotify do celular. Ele terminou de comer um minuto depois, e não demorou mais do que meia hora para ouvir o som de um carro se aproximando pela estrada de tijolos hexagonais que levavam até o casarão. Tobby pegou a sua mochila de cima do sofá e correu para fora da casa, abrindo a porta da sala e saindo para a varanda logo em seguida. Ele sabia que Blake tinha um carro, mas nunca o tinha visto (até porque o cara aparecia misteriosamente igual o fantasma, tanto no casarão quanto na cafeteria, como se tivesse sido teletransportado). Tobby não sabia muito de carros, mas aquele alí parado à poucos metros definitivamente parecia ser bastante caro. A cor era cinza, e ele parecia aqueles carros esportivos, bem baixos e aerodinâmicos. — Vamos lá, Baby. — Blake abriu a porta do carro e abriu um sorriso radiante para tobby. Ele vestia uma calça preta, coturnos, uma camiseta branca e uma jaqueta preta por cima, e além disso, tinha óculos escuros escondendo seus olhos azuis claros. Vê-lo naquelas roupas chiques e pilotando aquele carro fez tobby se sentir praticamente um mendigo. Ele trancou a porta do casarão e voltou-se para a frente novamente. — Como você passou pelo portão? — Tobby perguntou de forma tranquila, descendo as escadas da varanda enquanto levantava uma das sobrancelhas para o loiro. Ele nunca havia dado chave nenhuma para Blake, nem a das portas e muito menos a do portão, mas lá estava ele, com um carro dentro da sua propriedade. — Abrir fechaduras é bem mais fácil do que você imagina, Ratinho. — Blake deu de ombros e caminhou até o outro lado do carro, abrindo a porta e lançando um pequeno sorriso maroto para tobby, que soltou um suspiro e caminhou até lá, entrando no carro sem pressa alguma e sentando no banco ao lado do banco do motorista. O interior do carro de Blake era bastante bagunçado, porém absurdamente limpo. No banco de trás havia uma confusão de coisas que tobby não sabia indentificar, pareciam pastas, PCs, o seu MacBook e várias outras coisas. — por que você não coloca essas coisas no porta-malas? — Tobby perguntou assim que Blake deu a volta no carro e entrou, sentando ao seu lado, com a sua perna roçando na dele. — O porta-malas está cheio também. — Blake explicou, antes de ligar o carro, fazer a curva bruscamente e começar a dirigir pela pequena rua que cortava a o bosque em alta velocidade. — Aaaah!! — Tobby soltou um gritinho quando Blake freou bruscamente quase em cima do portão, fazendo o seu coração quase sair pela boca de tanto susto. — Relaxa, baby. — Blake disse, saindo do carro rapidamente para abrir o portão. Ainda com o coração à mil, tobby aproveitou a deixa para colocar o cinto de segurança o mais apertado possível. Depois que saíram da propriedade e Blake desceu de novo para fechar o portão, ele começou a dirigir em alta velocidade pelas ruas, desviando dos carros e furando os sinais velhos como se isso fosse divertido. —AAAAH!! — Tobby gritou quando Blake passou por cima de um quebra-molas à uns mil quilômetros por hora, fazendo o carro praticamente quicar de forma brusca. Ele deu um soco forte no ombro de Blake, dando graças a Deus por ter colocado o cinto de segurança. — Relaxa, amor. Eu sei o que tô fazendo. — Blake gargalhou, dirigindo tão rápido pela rua que tobby não conseguia ver mais do que um borrão se olhasse através das janelas. Coisas no banco de trás chacoalham sem parar, e tobby teve certeza absoluta de que aquele MacBook iria ficar praticamente só os farelos quando finalmente chegassem na capital (SE chegassem lá). — V-você errou o pedestre. N-não quer voltar lá pra tentar passar por cima dele de novo? — Tobby exclamou, olhando pelo retrovisor para o cara que estava tentando atravessar a rua e quase foi Blakeficado. Tobias agarrou a alça do cinto de segurança com tanta força que seus dedos ficaram brancos. — Qual é ratinho. Quero chegar cedo para termos mais horas pra visitar tudo. — A-antes tarde do que morto!! — Ele exclamou, fazendo Blake gargalhar como um maníaco mais alto ainda, mas ele pelo menos diminuiu a velocidade (tobby desconfiou que foi por causa do gigantesco caminhão que estava passando pelo cruzamento). O rapaz aproveitou para dar outro soco forte no ombro do loiro, que continuava sorrindo. — Vem aqui, baby. — Blake roubou um rápido beijo de tobby, antes de voltar a dirigir pela estrada. — Você é habilitado, seu maluco? — O mais novo perguntou, lambendo os próprios lábios e capturando os últimos vestígios do beijo. — Mas é claro que sou. — Ele apontou para o porta-luvas, então tobby o abriu com as mãos trêmulas e tirou um documento lá de dentro. Nele havia a foto de um cara parecido com Blake, e apesar do documento ser super antigo, a foto era de alguém que tinha no mínimo uns vinte e cinco anos. O nome escrito no papel plastificado era "Jordan Johnson". — Isso aqui e falso. — Tobby disse o óbvio. — Os tiras não sabem disso, baby. — Blake deu de ombros e continuou dirigindo com um sorriso largo no rosto. Tobby rezou silenciosamente e disse que se chegassem vivos, ele mesmo iria matar Blake logo em seguida. Felizmente, quando eles enfim chegaram na interestadual e não haviam mais cruzamentos e rodovias, apenas uma larga estrada em linha reta, com fazendas, parques ambientais e plantações de ambos os lados da estrada, tobby relaxou um pouco e se permitiu apreciar a visão. Tudo ali era tão bonito e intocado que ele não conseguiu evitar o suspiro longo que escapou dos seus lábios. Até as árvores eram mais vivas e frondosas que a do bosque da sua casa. — Como eu abro o vidro? — tobby perguntou. O carro era tão chique que ele não conseguia encontrar o lugar onde fazia isso na porta. Blake apertou em um dos inúmeros botões do painel e fez o vidro do lado direito abrir. A brisa fresca e deliciosa atingiu o rosto de tobby um milissegundo depois, fazendo-o fechar levemente os olhos e abrir um sorriso bobo. — Toma, Ratinho. — Blake tirou os seus óculos escuros e estilosos e os colocou no rosto de tobby, que assim conseguiria manter os olhos completamente abertos. Ele olhou para Blake, sem conseguir esconder o sorriso de felicidade. — Obrigad... — Ele começou, mas foi interrompido quando Blake roubou outro beijo carinhoso dele, antes de mover sua atenção para a estrada novamente. Tobby suspirou e se acomodou de forma mais relaxada no banco, também afrouxando o cinto de segurança que o estava praticamente sufocando. Blake ligou o som carro (que provavelmente estava logado no Spotify do seu celular) e colocou uma playlist de músicas de rock dos anos noventa, fazendo tobby rir baixinho e observa-lo cantar daquela forma engraçada.
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