NARRADO TIGRE Desci as escadas da Fortaleza com o fuzil batendo no peito e o sangue ainda fervendo. Cada passo que eu dava, parecia que eu sentia o cheiro de baunilha da Catarina misturado com o cheiro de pólvora da pista. Aquela mulher ia me levar à loucura, papo de visão. Saí do casarão e o vento frio da madrugada bateu na minha cara, mas não apagou o fogo que ela tinha acendido no meu peito com aquele papo de "ter mais filhos". Entrei na minha BM blindada e rumei direto pra boca principal. O morro tava naquele silêncio tenso de quem sabe que a guerra pode estourar a qualquer segundo. Quando estacionei, vi o Dido encostado num muro, com o rádio na mão e o semblante fechado. Ele jogou a bituca do cigarro fora assim que me viu saltar do carro. — Qual é a boa, Tigre? O movimento tá tranq

