🕊️ NARRADO POR CATARINA Saí do quarto sentindo o meu corpo ainda vibrar com a presença do Estêvão. O corredor da Fortaleza estava silencioso, mas o peso da nossa conversa sobre o herdeiro me acompanhava a cada passo. Quando entrei no quarto da Aninha, vi a cena que sempre acalmava o meu espírito: minha mãe estava sentada na beira da cama, e a pequena já estava de pijama, com o rosto sonolento, mas os olhos brilhando quando me viu. — Olha lá, vovó! A tia Catarina chegou! — a Aninha exclamou, sentando-se num pulo. Minha mãe levantou o olhar, me medindo de cima a baixo. O roupão bem fechado escondia as marcas, mas meu rosto devia estar entregando tudo. Ela deu um suspiro longo, aquele suspiro de mãe que lê a alma da filha sem precisar de uma palavra. — Já deu banho no seu homem, Catarina?

