NARRADO POR TIGRE A noite foi longa, do jeito que o dono da Penha gosta. A gente se perdeu naquele quarto, e eu só apaguei quando senti que tinha marcado a Catarina de um jeito que alma nenhuma conseguiria apagar. O silêncio da Fortaleza era a minha paz, mas durou pouco. O sol já tava querendo entrar pelas frestas da cortina quando eu senti o colchão dar um solavanco violento. Meus sentidos de bicho despertaram na hora. A mão já foi por baixo do travesseiro buscando o ferro, o coração disparado pronto pra guerra, mas o que eu vi me fez travar o gatilho da mente. — ACORDA, PAPAI! ACORDA, MAMÃE! — o grito fino ecoou no quarto. A Aninha tinha dado um salto ninja e caído bem no meio da gente, rindo que nem uma doida e pulando sem parar, fazendo a cama de mola parecer um pula-pula de festa

