Capítulo 3

935 Palavras
Miguel del Rey se sentou à mesa depois delas. O seu escritório era limpo, cheiroso e bem organizado. Bem a cara do dono, Rebeca Diamantino não conseguiu evitar o pensamento. — Vamos direto ao ponto — ele apoiou os cotovelos na mesa e uniu as pontas dos dedos abaixo do queixo. — Como todo mundo gosta. — Fala de uma vez, cretino — mandou ela. — Queria um queijinho — Carolina se esparramava na sua cadeira, sentando-se com as costas toda torta. — Eu não vou deixar vocês irem embora — revelou o dono do morro. — Vocês vão ficar aqui, na minha casa. — Se é pela forma que eu falei com o senhor, do fundo do meu coração, peço perdão — a loira tentou reverter a situação. — Não é por causa disso, consigo lidar com palavrões. — Então vai à merda, arrombado — Rebeca ralhou de uma vez. — Que é que você vai fazer, estuprar a gente e cortar em pedaços? É disso que sua gentalha nojenta gosta, né? — Não — Miguel negou. — Se alguém estuprar e cortar mulheres no meu morro, eu mesmo arrancarei o p*u e as mãos antes de abrir a cabeça do infeliz com um machete. Isso eu te prometo. O homem falou com tanta intensidade que a deixou sem palavras. — Bom — a loira conseguiu dizer depois de alguns segundos. — Isso é bom mesmo. Então o que você quer? Pedir um resgate milionário ao meu pai? Se não tivesse quebrado meu celular, eu mesma te passava uns dez milhões no pix agora mesmo. — Juro que não havia pensado nisso, mas vou considerar sua proposta — ele considerou como se fosse um bom acordo. — Meu Pai do céu, me arrebata logo — Rebeca olhou para o forro do teto. — Você é engraçada — Miguel sorriu. E dessa vez ela adorou de verdade, seu peito esquentou um pouco com o elogio. — Mas você que é o palhaço — a jovem rebateu, difícil de ser conquistada. Ele gostava. — Por que vai me manter aqui então, se é tão burro que nem pensou em me sequestrar? — Ah, certo — o dono do morro lembrou de que iria direto ao ponto. Rebeca revirou os olhos nesse meio tempo. — Não posso deixar você ir por dois motivos. — Estou esperando, senhor príncipe — Rebeca cruzou as pernas. — Ou senhor del Rey? — Eu amo Lana del Rey — Carolina falou, praticamente deitada no chão. — Se ajeita, menina, daqui estou vendo seus fundos — a loira ajudou a morena a se sentar novamente. — Pronto, pode continuar aí, seu Rey. — Me chama de Miguel — ele olhou preocupado para Carolina e então voltou a atenção para Rebeca. — Como eu dizia, há dois motivos para que eu as mantenha aqui contra a própria vontada. — Sim, sim, direto ao ponto, fala de uma vez por todas. — Estou falando e você só me interrompendo — o coitado abriu os braços, impaciente. — A culpa agora é minha? Você não viu que a Carol caiu no chão? — Ela escorregou porque quis! — Miguel disse o óbvio. — Porque ela encheu o cu de pinga. — Chega — o dono do morro colocou sua arma sobre a mesa. — Mais uma interrupção e eu dou um tiro na sua cara e na dessa vagabunda. Rebeca engoliu em seco. Carolina ficou quieta. — Então você se revelou de verdade — a loira falou, as feições firmes, sem medo. — Direto ao ponto, Miguel del Rey. — Não vou deixar vocês saírem. Primeiro motivo: o morro está sendo vigiado pela facção rival do Morro Peneirinha. Viram o carro de vocês entrando aqui, é provável que encham vocês de tiro quando saírem. Tanta bala que vão ficar parecendo peneirinhas, vocês entenderam? — Nunca mais saio com você, Beca — Carolina choramingou. — Desculpa, amiga — Rebeca beijou a testa da amiga. — Vai ficar tudo bem. E o segundo motivo. — O segundo não é muito diferente do primeiro — explicou Miguel. — Eu tenho espiões no Morro Peneirinha. Estão preparando uma invasão ao nosso há uma semana. Não posso deixar vocês saírem porque podem morrer perseguidas por eles. — E não pode deixar a gente sair também porque seus rivais podem atacar a qualquer momento — completou Rebeca. — Para uma mimadinha, você entende rápido — o chefe sorriu. — Vocês estão tão tensos que até deram uma festa — a loira ironizou. — Sabíamos que a invasão não seria hoje. Bons soldados merecem uma boa refeição antes de irem para guerra. — Sim — ela assentiu, em vez de criticar sua analogia, chamando os “soldados” dele de bandidinhos desgraçados. — O resumo da ópera, até onde vai meu interesse, é que estamos duplamente fodidas. — Eu já fiz com dois — Carolina chupava seu dedão. Rebeca e Miguel arregalaram os olhos com a revelação, mas não comentaram nada. — E agora? — Perguntou a loira. — Eu quero dormir — resmungou a morena, morrendo de sono. — Agora — disse Miguel — vamos procurar quartos para vocês, mas creio que vai ser difícil porque eu não estava esperando visitas. — Não somos suas visitas — Rebeca tratou de esclarecer —, somos suas reféns. — Se são minhas reféns, vou amarrá-las, amordaçá-las e jogá-las no porão. — Na verdade, somo suas visitas mesmo — ela tentou consertar a tempo. — Então levanta — Miguel se ergueu. — E traz essa cu de pinga com você, vou encontrar seus quartos.
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