O mototáxi deixou Carol na entrada do morro ao anoitecer. Ela desceu, pagou a corrida e subiu a ladeira sentindo o peso do dia. Trabalhar no Rio Real era glamoroso, mas exaustivo. Sorrir para a elite, servir pratos caríssimos, fingir que pertencia àquele mundo... era uma atuação constante. Mas hoje, a exaustão era diferente. Era misturada com medo. O morro não estava normal. Desde que saíra pela manhã, o clima havia mudado. Havia mais homens nas esquinas, não relaxados, mas tensos, com fuzis a postos. As conversas nos becos eram sussurradas. As crianças não corriam pelas vielas com a mesma algazarra. Havia um silêncio pesado, uma urgência contida no ar, como a quietude que precede uma tempestade violenta. Ela entrou na mansão, o coração apertado. Precisava falar com Rebeca. Bateu na

