Capítulo 5

1691 Palavras
Murilo Ferreira Meu coração está um pouco acelerado pela adrenalina, nunca me senti assim, tão vivo. Meu último relacionamento me quebrou, me deixou em pedaços, mas foi um completo estranho aparecer que me deixei fazer coisas que prometi nunca mais fazer, deixar outro homem se aproximar e ter a chance de me machucar. Diogo foi um mostro, me deixou traumas que acho nunca ser possível superar, mas aquele home, tinha algo que me puxava em sua direção, me deixei cair em suas palavras, por míseros minutos, eu voltei a ser o antigo Murilo, aquele sem dor de um passado traumático. Solto um suspiro em frustação o que não passa despercebido dos olhos atentos do meu querido cunhado, desde que entramos nesse carro ele não para de me direcionar olhares duvidosos e cheios de malicia. - Quando vai abrir a boca? Estou te esperando, mas parece que você não vai falar nada. – Ele diz em claro deboche. Depois que pegamos i********e com algumas pessoas, é quando notamos quão pé no saco elas são. Fernando é assim, da primeira vez que nos falamos, ele não demostrou timidez, mas não falava muito, mas depois de três ligações, ele já estava conseguindo tirar de me meus maiores segredos. Como me arrependo de ser amigo desse intrometido. Olho para ele, que sustenta um sorriso presunçoso, ele sabe que eu vou falar. Acabo rindo baixinho, eu nunca me arrependeria de tê-lo como amigo. Não mesmo, falo isso apenas na brincadeira, mas amo esse homem ao meu lado, assim como amo meu irmão Bruno, eles são minha família. - Ele é só alguém que tive o desprazer de esbarrar. – Ele me olha com uma sobrancelha arqueada. E logo solta uma gargalhada. - Pelo pouco que fiquei na presença de vocês dois, pude sentir toda a tensão. Era palpável, Murilo. Eu quase me senti sufocado com o olhar que o homem te direcionou. – Ele diz com humor. Eu reviro meus olhos. - Tá, considerando que isso seja verdade, o que aquele homem iria querer comigo? Ele deve estar atrás de alguém apenas para comer e jogar fora. – Digo, mesmo que fundo, eu não sinta isso. Mas como posso confiar num homem que conheci a minutos atrás? - Você estar o julgando antes mesmo de se permitir conhecer ele. Assim você verá as reais intenções dele. – Ele diz me olhando por alguns segundos, para logo voltar sua atenção ao trânsito. Parece que todo um filme se passa em minha cabeça, as cenas das agressões, dos jogos psicológicos, dele fazer eu me senti um inútil, uma pessoa sem vontade própria, do quando eu me humilhava para ele, tentando provar o quanto eu era bom mesmo depois das palavras que me destruía por dentro. Mesmo depois de tudo isso, eu ainda procurava chamar a atenção dele, como posso ser tão burro? Como pude me permitir ser tão burro, eu sou i****a, uma pessoa sem amor. Eu só queria amor... Sinto braços ao meu redor e levo um pequeno susto ao notar Fernando me abraçando, parecendo sair de um transe, eu sinto as lágrimas em minha bochecha. Ele parou o carro no meio-fio e me abraça apertado. Sinto meu coração doer. - Está tudo bem, pode chorar, eu vou estar aqui. – Afundo minha cabeça em seu peito, estamos de um modo meio torto por causa que estamos sentados lado a lado nos bancos do carro, deixo o choro que eu vinha perdendo por alguns anos sair. A sombra do trauma ainda permanece na escuridão, mas me sinto mais leve quando meu choro cessa depois de alguns minutos, nos afastamos e Fernando segura a minha mão. - Você pode ter contado tudo por alto, escondido a maior parte da sua dor, mas, Murilo, eu e Bruno sabemos que isso foi muito maior do que nos contou. Mas respeitamos você, e não vamos de nenhuma forma de forçar a nada. Mas queremos que saiba que não importa o que, ou quando, você pode nos procurar, você vai ter abrigo em nossos braços, ok? Somos uma família. – Impeço que mais lágrimas venham à tona. - Obrigada por me entender, por respeitar meu espaço. Eu amo você. - Eu também te amo. – Ele parece pensar um pouco. – Depois que eu perdi minha cunhada, para logo em seguida perder meu irmão, eu pensei não haver mais felicidade, e olha eu aqui, sou casado, pai de crianças maravilhosas e amorosas, ganhei mais um irmão. Não que Felipe possa ser substituído, mas você chegou para somar, eu me permiti viver tudo de novo que estava aparecendo diante de mim, aceitei meus medos, e superei eles, e hoje tenho tudo que amo ao meu lado. – Ele respira fundo. – O que quero dizer, é que não se permita desistir por causa do medo. Você pode perder coisas importantes. Ele pode ser o homem que vai te amar para sempre, e pode não ser, e está tudo bem, você vai ter aprendido algo novo com ele para levar para o seu próximo relacionamento, só se permita viver, Murilo. - Obrigado, por tudo. Meu irmão soube escolher bem o marido. - Sim, ele soube, e você também vai fazer o mesmo se assim for o que você quiser para o futuro. - Talvez seja. – Olho pela janela do carro quando Fernando coloca o carro em movimento. Um milhão de pensamentos se passando por minha cabeça. Metade deles são sobre o medo do que o futuro me reserva. Estou receoso com Max, de tudo que ele vem me despertando, não é como se fossemos nos casar, longe disso, mas sinto uma coisa diferente em relação a ele, e não sei se vou gostar de descobrir o que é. Tudo tem sido uma nova experiencia desde que cheguei ao Brasil, estou me redescobrindo, focando nas coisas que realmente me interessa, estou realizando meus sonhos, por mais que lá em paris eu já o estivesse realizado. Mas eu voltei para minha terra, minha casa e, finalmente vou reabrir minha loja, vender minhas roupas, não queria me envolver com nenhum homem tão cedo, mas Max está aí para me mostrar que nem tudo sai como planejamos. Estou com receio de aceitar seu convite, e se tudo se repetir, se ele não for a pessoa que demonstra ser e se transformar em um ser humano h******l depois de conseguir o que quer de mim? Respiro fundo, vendo os carros passando ao nosso lado, o que me leva a ficar distraído o caminho todo. - Chegamos. – Minha cabeça está uma tempestade, já não tenho certeza de nada. - Olha, você não precisa de ninguém para ser feliz. Mas se o que está te impedindo de encontrar alguém e começar um relacionamento for o seu medo por causa de tudo que seu Ex fez, então te aconselho a procurar um psicólogo, para que deixe esses medos de lado e seja feliz, você não pode parar sua vida por causa da atitude de um m*l caráter. – Ele me olha com atenção. – O que você quer, Murilo? - Eu só não quero terminar sozinho, não quero morrer sozinho. – Ele sorrir para mim. - Ei, você tem a mim, tem seu irmão e, também três sobrinhos lindos que te amam. – Ele me abraça, meio sem jeito pois é apertado dentro do carro. - Mas eu também quero dividir minha vida com alguém que eu amo e que essa pessoa me ame de volta, quero ter uma família, como a sua e a do meu irmão. – Falo tristemente. – Mas eu tenho medo. Medo de que todos sejam que nem ele. – Ele se separa de mim e segura minhas mãos nas suas. - Por isso tem que fazer terapia, somos sua família, vamos te dar todo o apoio de que vai precisar, mas apenas um profissional pode ajudar a viver com esses medos e até mesmo superá-los. - Pode deixar, eu vou me cuidar. - Mas então, você gostou mesmo dele? – O olho confuso. – O homem do shopping. - Ah, não saberia dizer, é a primeira vez que eu o encontro. Mas... – Ele me olha com expectativa. – Ele parece ser bem direto, direto até demais, e confesso que gostei do modo como ele deixou tudo claro, eu sei o que ele quer de mim, mas ele não fez questão de esconder isso por trás de uma conversa barata e conquistadora. - Todos deviam ser assim, sempre deixar claro o que quer, sem iludir ou alimentar esperanças no outro. - É, mas bom, estou indo, vai lá, sua família estar te esperando. – Trocamos um rápido abraço e saio de dentro do carro. Ele abaixa o vidro e meio que grita de lá de dentro. - Me liga se precisar de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo ok? – Levanto meus dedos em um joinha e ele se vai. Fico alguns minutos ali parado na calçada da rua, vendo vários e vários carros passarem. O que eu realmente quero da minha vida? Max... Ah Max, não posso negar que ele é muito bonito, atraente, até que tem um papo legal pelos poucos minutos que fiquei em sua presença. Tem algo que me puxa para ele. Clichê né, ou apenas meu coração i****a começando a se iludir. Devo dar uma chance a ele e ir a um encontro com ele? Se ele quer só s**o, eu não deveria estar cheio de medo assim, pois não é como se fossemos ficar juntos. Passo minha mão por meus cabelos e com um suspiro cansado subo para o meu apartamento, não vejo seu Alberto pelo caminho até o elevador, então apenas sigo a passos calmos, assim que entro dentro do conforto do meu apartamento, tiro minhas roupas e tomo um banho morno na banheira, fico ali na água morna enquanto releio o livro “As incríveis estrelas no céu” de Valério, não importa quantas vezes eu já o tenha lido, eu sempre volto para ele novamente ao término de qualquer outro livro novo. Como é bom deixar pensamentos preocupantes de lado e relaxar lendo meu livro preferido.
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