Promessas de amor.

1123 Palavras
Arrumou a sua postura e ficou ali esperando em pé, isso mais de meia hora, estava quase desistindo de esperar e ir para sua sala. Foi aí que a porta se abriu e Ethan entrou, ficou surpreso por vê-la esperando ali, em frente a sua mesa. --- Olá senhor, me chamo Penélope, sou sua assistente pessoal e estou aqui para ajudá-lo no que for preciso, é uma honra trabalhar com o senhor. Ethan sorriu, ela era formal, não gostava disso, mas a voz dela, era como cântico dos anjos, passaria anos somente ouvindo a sua voz. Isso porque ele apreciava o silêncio mais que tudo em sua vida, descobriu que isso não se aplicava à voz dela. --- Ótimo Pen, me chame de Ethan quando estivermos sozinho, e sem senhor também, não sou tão velho assim. --- Claro. --- O que temos para hoje? --- O senhor Benício pediu para que eu apresentasse toda a área da empresa ao senhor. --- Ótimo, então vamos lá. Deu espaço para que Pen passasse na frente, assim ela foi o guiando até o elevador. O silêncio era matador, ela sentia que os olhos dele estavam a todo momento em cima de si, por isso andou um pouco para trás ficando ao lado dele. Seu coração continuava acelerado e nem entendia o porquê, especialmente naquele dia seu corpo estava totalmente estranho. Mesmo do lado dele ainda sentia que estava sendo muito encarada, queria fingir que nada acontecia e ignorar aquele olhar, mas era impossível. --- Porque tanto me encara? A algo em mim que te incomoda? --- Nunca, tenho curiosidade em saber porque você está com uma lente. --- Como? Pen não demorou a processar a informação, não sabia como, mas seu chefe sabia que a cor dos seus olhos era na verdade escondida por uma lente. Ninguém soube disso, exceto Benício, Brianna e sua família, não entendia como o chefe que acabou de chegar sabia desse fato. Tinha plena certeza que nunca havia encontrado ele em toda a sua vida, não tinha como ele saber disso se não tivesse sido alguém que contou. --- Vou te matar Benício. --- Não vai me contar porque usa lentes? --- Porque eu deveria? Só não gosto da singularidade dos meus olhos e ponto. --- Não fale assim de você, seus olhos é só mais uma parte bonita do seu corpo. Piscou diversas vezes até aquela informação finalmente chegar no fundo do seu cérebro, Ethan tinha dito indiretamente que ela era bonita. Nunca em toda a sua vida, Pen ouviu de outra pessoa que não fosse Benício e Brianna que seus olhos eram bonitos, ninguém nunca havia dito. E Ethan disse isso olhando no fundo dos olhos dela sem piscar, com uma verdade no olhar que ela mesma acreditou nisso por um segundo. Foi despertada do seu transe quando foi puxada por Ethan para mais perto de si, mais pessoas entraram no elevador e o ambiente estava apertado. De repente aquele elevador ficou pequeno demais, Pen sentia o calor do corpo de Ethan a centímetros do seu, perto demais para o seu coração que já batia acelerado. Sua respiração estava descontrolada, o sobe e desce do seu tronco denunciava a Ethan que ela estava nervosa, nervosa até demais. Assim que o elevador parou ele a guiou para fora segurando em seus ombros seguindo ela logo em seguida. Pen não parou porque tinha a impressão de que seu coração sairia para fora do peito a qualquer segundo, não queria encarar aquele par de olhos gelados e quentes ao mesmo tempo. Antes que pudessem continuar o seu caminho foi interrompido por Gael, ele parou na frente dos dois impedindo de passarem. --- Gael, o que faz aqui? --- Posso falar com você. --- É... Pen olhou por um instante na direção de Ethan, ele afirmou com a cabeça levemente. --- Eu volto já, não saia daqui. Andou com Gael até uma escada que havia ali próximo, esperou para ouvir o que ele tinha a dizer. --- O que quer? Te disse que não podia vir ao meu ambiente de trabalho. --- Você sempre foi chata, não precisa mais me proibir de vir até aqui, afinal, agora eu trabalho aqui também. --- Como assim? Desde que entrou naquela empresa, Pen tentou arrumar uma vaga de emprego para Gael, mas em todas as entrevistas ele nunca passava. Depois de um tempo ela desistiu já que ele nem se esforçava para se sair melhor. --- Eu consegui uma vaga de emprego, um dos acionistas que é o pai da minha atual namorada conseguiu para mim, e veja só, não preciso mais depender de você. Naquele momento, ao invés de bater, o coração de Pen parou, ouvir Gael falar que tinha outra atual namorada atingiu o mais profundo da sua alma. Sua respiração falhou e sentiu as forças do seu corpo correrem por entre seus dedos como água. O homem que fez planos para se casar, ter uma família e viver o resto de sua vida, estava dizendo que tinha outra namorada. Acreditou realmente nas promessas idiotas de amor que haviam saído da boca dele, não porque era uma i****a, mas porque ele sabia mentir muito bem. Ele sempre fingiu tão bem que a amava e que queria realizar sonhos com ela, que a mesma acreditou com toda a sua alma. Mas agora, tudo não passou de um teatro muito bem arquitetado por ele. --- A quanto tempo? --- Não sei, cinco anos talvez. --- Obrigada por ter me feito de i****a por todos esses anos, eu realmente adorei ser motivo de alegria para você. --- Não se sinta m*l, fiz um favor em namorar você, afinal quem aceitaria uma mulher que parece mais uma bruxa com a cor dos olhos diferentes. Pen saiu dali antes que chorasse na frente dele, não queria dar a ele o gostinho de vê-la chorando, não faria isso. Imaginou por toda a sua vida que comentários como aquele não a magoaria, mas ouvir Gael, o homem que ainda amava, falar isso, deixou seu coração em pedaços. Foi até o terraço do prédio, sentou em um lugar qualquer e ficou apenas observando o céu, derramou uma única lágrima e decidiu não chorar, mesmo sozinha. Se dando conta do sumiço de Pen, Ethan foi procurá-la, sabia que ela não era o tipo de pessoa que descumpria uma palavra. Ela pediu para que esperasse que já voltaria, mas como demorou ele se preocupou e saiu procurando por ela logo em seguida. A encontrou no térreo, sozinha, e conseguiu constatar o quão solitária ela parecia estar naquele momento. Tudo que queria era poder abraçar ela e dizer que ela não estava sozinha, mas nem isso podia fazer, por que aí, não iria querer soltá-la.
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