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1042 Palavras
Talita Se me contassem que aconteceria tudo isso na minha vida, nesse curto período de tempo, eu jamais acreditaria. Fiquei três semanas em uma terrível experiência de quase mort3. Com isso, passei a dar ainda mais valor ao que eu tenho. Minha família, meus amigos, minha saúde e, claro, meu marido. Juliano tem inúmeros defeitos, mas nenhum deles é cuidar m*l da nossa família. As coisas saíram do controle de uma maneira que eu jamais imaginaria, isso me assustou, mas eu decidi não me colocar em um papel de vítima. Ele agiu muito errado comigo, mas eu também agi errado em não contar as coisas. Eu o cobrei de algo que eu mesma não estava fazendo. Me arrependo, mas sinto que isso serviu de aprendizado e pode nos fortalecer ainda mais. Os dias passaram e acabou sendo inevitável um clima estranho. Acho inusitada a atitude dele de me chamar para conversar, ele realmente está evoluindo, mas quando ele começa, eu sinto meu mundo desabar. Ele quer se separar de mim com a desculpa da sua personalidade? Será que ele não me ama mais? O questiono sobre isso e ele explica que quer o meu bem, mas isso me dói tanto. Ele que sempre falou que não desistiria de nós dois, está desistindo? Digo que quero tentar novamente e a reação dele me conforta. Nós agarramos e terminamos em cima da cama, eu tinha me esquecido em como ele é bom nisso. Sinto seu peito forte e quente na minha bochecha e posso ouvir as batidas do seu coração. - Eu te amo, meu amor. Não quero te perder, não quero quase te perder de novo... – Ele fala e eu olho para cima para olhar nos seus olhos. - Eu também te amo, nós vamos superar tudo isso. Mas, eu não confio no Sávio. Não quero esse homem próximo de nós. Eu entendo que ele tem ajudado no processo, entendo que sem a colaboração dele, talvez não teríamos conseguido descobrir as coisas, mas nada tira da minha cabeça que ele tem alguma intenção por trás disso. Ainda não sabemos o que o Treva será capaz daqui para frente. – Falo e parece que ele fica aliviado quando me ouve. - Sim, eu concordo. Mas, depois de tudo, eu achei pertinente te deixar escolher o que fazer. Eu também desconfio dele, mas sinto que preciso mantê-lo por perto para estar um passo a frente. Ele não vai sossegar enquanto não conseguir o que quer. E nós já sabemos o que ele quer... Você não tem noção de como tem sido difícil ter que suportá-lo falando que te ama. Eu tive vontade de voar no pescoço dele diversas vezes, mas estou me controlando para adiar qualquer plano que ele tenha, para nos dar uma chance de descobrir e tentar impedir qualquer trunfo sobre nós. – Ele explica e vejo que agora tudo faz sentido. Eu realmente estava estranhando o comportamento do Juliano de permitir a presença do Sávio, mas ele estava fazendo tudo de caso pensado por que também desconfia dele, acho que ele teve medo de me falar antes, pensando que eu poderia achar que tratava-se de ciúmes, depois daquele episódio em que ele me machucou, mesmo sem querer, vejo que ele demonstra cuidado em tudo o que vai fazer, para eu não entender errado. - Eu não imaginava que você estava pensando isso. Por que não me falou antes? – O questiono de maneira pacífica, para ele entender que eu não estou brava, mas estou curiosa. - Eu fiquei com medo. Tive receio de te falar e você entender que eu estava tentando te dominar ou arranjando desculpas para o meu ciúmes doent1o. – Ele fala com a maior sinceridade do mundo e eu não posso me controlar, o abraço forte, ainda deitada no seu peito e ele retribui. - Você deve me contar tudo, só assim teremos alguma chance de vencer isso, mas dessa vez juntos. Vamos confundir o Sávio e o Treva. Eles devem pensar que ainda estamos naquele pé de relacionamento cheio de intrigas. O Sávio não é burro e ele percebeu que não estávamos bem e nesse momento ele usou das nossas fragilidades, contra nós. – Falo e ele concorda. - Não vai ser fácil, meu amor. Mas, vamos conseguir. – Ele diz me puxando e voltando a beijar os meus lábios, eu interrompo nosso beijo. - Vamos, daqui a pouco as crianças chegam e a comida vai esfriar. – Falo e ele respira fundo, como quem não quer ir. - A refeição que eu quero está mais do que aquecida... – Ele me fala com um sorriso malicioso, passando as mãos pela minha coxa e damos risadas. Pego nossas roupas e nos trocamos, arrumo a mesa para todos e os pequenos chegam, como sempre, falando mais do que a boca... É impressionante como o tempo passa rápido. De uns tempos para cá, a Cat tem sentido muito ciúmes do Juliano comigo. Jamais pensei que isso fosse acontecer, mas percebi que quando o Juliano me abraça ou toca em mim, ela interfere e tenta me tirar me perto. Como se estivesse demarcando o seu território. No começo achamos engraçado, mas agora estamos buscando soluções plausíveis, como a chamar para um abraço coletivo. Às vezes ela aceita, outras ela prefere que fique só os dois. Eu ia falar que ela puxou a personalidade do pai, mas confesso que isso me lembra muito a minha infância... Sempre fui muito apegada com o meu avô e o meu pai, agia bem parecido. O Juliano se sente um pão de mel com tudo isso e eu não posso deixar de achar fofo. Em compensação, o Bruninho é um grude comigo. Tudo o que ele vai fazer, ele vem me contar antes. Eu sou apaixonada pelos meus filhos, o amor que sinto pelos dois é capaz de tudo. O Juliano mima mais a Catarina por ser menina, mas vejo que ele ensina o Bruno a ser um homem todos os dias. Ele trata os dois com muito carinho, sempre volta do trabalho com alguma coisa para eles, é sempre uma festa. Essa é a família que eu sempre pedi para Deus, mesmo com os autos e baixos, eu seria ingrata demais se reclamasse...
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