Juliano O silêncio no carro é insuportável. Eu mantenho os olhos fixos na estrada, mas minha mente está em chamas. A imagem de Genaro tocando a mão de Talita não sai da minha cabeça. Não foi um toque qualquer. Foi sutil, quase imperceptível, mas eu vi. Eu sempre vejo. -Você percebeu o que ele fez, não é? - Pergunto finalmente, quebrando o silêncio. -Percebi. - Ela suspira, mas o tom dela me irrita. É como se não fosse nada, como se eu estivesse exagerando. Engulo em seco, tentando controlar a raiva. Quando chegamos ao hotel, eu fecho a porta do quarto com força, mais do que pretendia. -Você acha normal o que aconteceu lá, Talita? - Pergunto, encarando-a. - Um homem te toca de forma tão descarada e você age como se não fosse nada! -Eu não agi como se não fosse nada! - Ela rebate, cruz

