CAPÍTULO 24: O Escudo de Seda e o Despertar do Vingador

1616 Palavras
POV – VITOR ROSSI D’ÁVILA Eu sempre fui o equilíbrio entre a fúria do Lorenzo e a impulsividade do Vinícius. Mas naquela noite, enquanto observava minha irmã Helena desaparecendo no salão de mãos dadas com aquele lunático do Dante Moretti, senti que o mundo que eu conhecia estava desmoronando para dar lugar a algo muito mais selvagem. — Ela sabe o que está fazendo, Vitor — uma voz feminina, profunda e carregada de um sotaque moscovita sofisticado, soou ao meu lado. Meu coração falhou uma batida. Eu não precisei me virar para saber quem era. Katerina Volkov. A mulher que povoava meus sonhos e meus pesadelos desde a nossa missão conjunta na Turquia. Ela era a herdeira dissidente de uma das maiores organizações de inteligência russa, uma mulher que trocou a espionagem estatal pelo poder das sombras. — Katerina — murmurei, finalmente me virando. Ela estava magnífica. Usava um vestido de cetim prateado que parecia mercúrio líquido, contrastando com seus cabelos negros e olhos de um azul glacial. Katerina não era apenas uma mulher bonita; ela era uma arma biológica disfarçada de aristocrata. — Você me chamou para Chicago dizendo que o Conselho precisava de "especialistas" — ela disse, aproximando-se o suficiente para que eu sentisse o perfume de gardênias e pólvora. — Mas vejo que o que vocês realmente precisam é de alguém que entenda que a família é a maior fraqueza e a maior força ao mesmo tempo. — Helena é... intensa — respondi, tentando manter o foco. — Mas e você? Está pronta para ser o meu par neste Conselho de 20? Você sabe que isso significa guerra total contra os Vanchini. Katerina sorriu, e foi o sorriso de alguém que já viu o fim do mundo e sobreviveu. — Vitor, eu não vim a Chicago para a guerra. Eu vim para a aniquilação. E se você for o homem que eu acho que é, governaremos este caos juntos. POV – LORENZO ROSSI Eu havia assumido Vittoria. No meio do salão, diante de juízes e criminosos, eu declarei que ela era minha. Mas, por dentro, eu ainda era um prisioneiro do meu próprio medo. Cada vez que minha mão tocava a dela, eu sentia a descarga elétrica do desejo, mas a voz da lógica gritava em minha mente: “Você a tornou um alvo. Você a sentenciou.” A festa continuava, mas o clima de celebração era uma fachada fina. Eu estava tenso, meus olhos constantemente varrendo as saídas. — Lorenzo, relaxe — Vittoria sussurrou, encostando o corpo no meu enquanto caminhávamos em direção à varanda privativa para uma pausa. — Você já deu o passo mais difícil. O mundo sabe quem eu sou para você. — Exatamente por isso não consigo relaxar, Vittoria — respondi, a voz rouca. — Eu vejo sombras onde não existem. Eu vejo o fim de tudo cada vez que você sorri para mim. — Então pare de ver o fim e comece a viver o agora — ela disse, puxando-me para as sombras da varanda, longe dos olhares curiosos. Eu estava prestes a beijá-la, a esquecer as regras por um momento, quando meu instinto de Arquiteto gritou. Um brilho metálico vindo do prédio oposto. O reflexo de uma mira telescópica. — ABAIXE-SE! — gritei. Mas eu não fui rápido o suficiente. Ou melhor, Vittoria foi rápida demais. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Eu vi o movimento de Lorenzo, mas eu também vi a trajetória. O atirador não estava mirando em mim. Estava mirando no centro do peito de Lorenzo. O Arquiteto era o alvo principal daquela noite. Se ele caísse, o Conselho morreria antes de completar 20 membros. Eu não pensei. O instinto Vitale, o sangue de Valentina que corre em minhas veias, assumiu o controle. Em um movimento fluido, eu me lancei à frente de Lorenzo, bloqueando seu corpo com o meu. PAF. O som abafado do silenciador foi seguido pelo impacto. Não foi uma dor aguda de imediato, foi como um soco violento que me tirou o fôlego. Senti o calor do sangue se espalhando pelo tecido n***o do meu vestido na altura do ombro direito. O impacto me jogou contra Lorenzo, e caímos juntos no chão de mármore da varanda. — VITTORIA! — o grito de Lorenzo não era o de um líder. Era o grito de um homem perdendo a alma. POV – LORENZO ROSSI O mundo parou. O som da música lá dentro tornou-se um ruído distante e insignificante. Minhas mãos, sempre tão precisas para desenhar e planejar, agora tremiam violentamente enquanto eu segurava Vittoria contra o meu peito. — Não, não, não... — eu repetia, sentindo o sangue dela entre meus dedos. — Vittoria, olhe para mim! Fique comigo! A fúria que senti naquele momento foi algo que nunca experimentei. Era uma escuridão absoluta. Eu queria queimar Chicago inteira. Eu queria encontrar quem puxou aquele gatilho e arrancá-lo pedaço por pedaço. — Maya! Vinícius! — gritei pelo comunicador, minha voz falhando. — EMBOSCADA NA VARANDA SUL! VITTORIA FOI ATINGIDA! Vinícius e Dante foram os primeiros a chegar. Vinícius tinha os olhos injetados de sangue ao ver a irmã no chão. Dante, com uma calma aterrorizante, já estava com o fuzil que trazia escondido, devolvendo o fogo contra o prédio oposto. POV – MAYA DUARTE LOMBARD Corri pelo salão de gala, ignorando os gritos dos convidados assustados. Quando cheguei à varanda, vi Lorenzo no chão, coberto pelo sangue de Vittoria, embalando-a como se ela fosse um tesouro quebrado. — Afaste-se, Lorenzo! Deixe-me trabalhar! — ordenei, caindo de joelhos ao lado deles. — Salve ela, Maya... por favor... — Lorenzo implorou, e ver o homem mais poderoso de Chicago naquele estado de desespero foi aterrorizante. Examinei o ferimento rapidamente. — A bala atravessou o ombro. Não atingiu o pulmão por milímetros, mas ela perdeu muito sangue. Preciso levá-la para a base agora! — Vitor, Katerina! — Lorenzo gritou, levantando-se com o olhar de um demônio. — Eu quero o atirador vivo. Ou o que sobrar dele. POV – VITOR ROSSI D’ÁVILA Olhei para Katerina. Não precisamos de palavras. Ela sacou uma faca tática da liga da perna e eu minha 9mm. — Vamos mostrar a eles como o Conselho de 20 responde, Vitor — Katerina disse, seu olhar gélido fixo no prédio onde o atirador estava. Nós nos movemos como um borrão. Enquanto Dante e Vinícius faziam a cobertura pesada, eu e Katerina atravessamos a rua e subimos as escadarias de emergência do edifício comercial. Katerina movia-se com uma graça letal, desarmando armadilhas que o atirador havia deixado no caminho. Quando chegamos ao telhado, o atirador estava desmontando seu rifle. Ele era um profissional dos Vanchini. Ele tentou sacar uma pistola, mas Katerina foi mais rápida. Ela lançou a faca, atravessando a mão do homem, prendendo-a ao estojo de madeira do rifle. Eu chutei a arma dele para longe e o segurei pelo pescoço, suspendendo-o na beira do parapeito. — Você cometeu o último erro da sua vida — rosnei. — Você tocou na mulher do meu irmão. — Lorenzo... ele vai... morrer... — o homem engasgou. — Não — Katerina disse, aproximando-se e torcendo a faca na mão dele com uma calma sádica. — Ele não vai morrer. Mas você vai desejar ter morrido antes de nos conhecer. Vitor, leve-o para o porão da base. Lorenzo vai precisar de um saco de pancadas quando a Vittoria acordar. POV – LORENZO ROSSI (Horas depois, na Base) Vittoria estava na sala de cirurgia da base, sob os cuidados de Maya. O silêncio na mansão era pesado, interrompido apenas pelo som rítmico do meu próprio coração, que parecia martelar uma promessa de vingança. Eu estava sentado no corredor, as mãos ainda manchadas com o sangue seco dela. Eu me recusava a lavá-las. Aquele sangue era o lembrete do meu fracasso e da coragem dela. Vinícius sentou-se ao meu lado. Ele não disse "eu avisei". Ele apenas colocou a mão no meu ombro. — Ela fez isso porque te ama, Lorenzo. E agora você sabe o que eu senti quando a Maya correu perigo. — Eu quase a perdi, Vinícius — murmurei, olhando para as minhas mãos. — Eu tentei mantê-la longe para protegê-la, e ela se jogou na frente de uma bala por mim. Eu não sou o Arquiteto. Eu sou um i****a que quase deixou a única coisa que importa morrer. A porta da cirurgia abriu. Maya saiu, exausta. — Ela está estável. A bala foi limpa, e Katerina trouxe um suprimento de sangue compatível que ela sempre carrega em missões. Vittoria está dormindo. Você pode vê-la. Entrei no quarto. Vittoria estava pálida, com o ombro enfaixado, mas viva. Aproximei-me e segurei sua mão. Naquele momento, o receio de ser íntimo, a barreira do "líder frio", tudo evaporou. — Nunca mais faça isso — sussurrei, beijando a testa dela. — Se você morrer, Chicago pode queimar, porque eu não terei nada pelo que lutar. Vittoria abriu os olhos lentamente e deu um sorriso fraco. — Você... assumiu... — ela sussurrou. — Valeu a pena... pela cara que você fez... — Eu te amo, Vittoria Ortega Vitale — declarei, finalmente, sem medo, sem reservas. — E a partir de hoje, o mundo vai descobrir o que acontece quando alguém tenta tirar a Rainha do Arquiteto. Lá embaixo, no porão, os gritos do atirador começaram a ecoar. Vitor, Katerina e Dante estavam iniciando o interrogatório. O Conselho de 20 não era mais apenas uma sugestão. Era uma realidade de sangue. Katerina havia provado ser o par perfeito para Vitor: letal, estratégica e implacável. A Noite de Gala havia terminado em sangue, mas a dinastia Rossi-Vitale acabava de nascer verdadeiramente. E Chicago tremeria diante do nosso despertar.
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