CAPÍTULO 5: O Sangue nas Mãos e o Silêncio no Trono

1322 Palavras
POV – VITTORIA ORTEGA VITALE (México) O calor de Sonora era sufocante, mas o cheiro de pólvora e metal era o que realmente preenchia o ar. Eu estava agachada atrás de um muro de pedra, observando o complexo fortificado dos Vanchini através da mira da minha sniper. — Vi, em posição. São doze homens no pátio — a voz de Vinícius veio pelo ponto eletrônico, fria e focada. — Pegue os da esquerda. Eu cuido dos que estão perto do galpão — ordenei. O tiroteio foi rápido e brutal. Não éramos apenas herdeiros; éramos soldados de uma linhagem que nunca aprendeu a recuar. Entramos no escritório do líder local sob uma chuva de balas. Vinícius derrubou a porta com um chute, nocauteando o último guarda enquanto eu prendia o braço do contador dos Vanchini contra a mesa. — Por que a médica? — perguntei, pressionando a ponta da minha adaga contra a garganta dele. — Por que Maya Lombard? — Porque ela... ela é a única que sabe como tratar a condição rara do herdeiro dos Vanchini — o homem gaguejou, trêmulo. — E porque o Sr. Marcus sabia que, se pegasse a médica, o Lorenzo Rossi viria atrás dela. E se o Lorenzo saísse de Chicago, o Conselho cairia. Ele é o pilar. Derrube o pilar e a estrutura desaba. Eu olhei para Vinícius. Ele tinha um corte profundo no supercílio e o braço sangrando por causa de um tiro de raspão, mas seu olhar era de puro ódio. — Eles queriam usá-la como isca e como escrava médica — Vinícius rosnou, quebrando o celular do homem. — Acabou aqui, Vi. Eles não vão mais tocar nela. POV – LORENZO ROSSI (Chicago) Sete dias. Cento e sessenta e oito horas. Eu estava na sala de reuniões da nova base, cercado pelo restante do Conselho. O clima era de impaciência. — Lorenzo, você está encarando essa planta baixa há duas horas e não mudou um ângulo — Arthur comentou, ajustando os óculos enquanto revisava as finanças no tablet. — A sua mente está no México, não em Chicago. — Minha mente está na segurança deste grupo, Arthur — rebati, a voz mais ríspida do que eu pretendia. — Ele tem razão, primo — Vitor Rossi interveio, cruzando os braços fortes de quem lidava com o império agro. — O sumiço da Vittoria e do Vinícius está deixando todo mundo tenso. O Lucas já tentou rastrear o sinal do jato deles três vezes e nada. — O sistema deles é fantasma — Lucas Duarte admitiu, frustrado, batendo os dedos no teclado. — Eu sou o chefe de inteligência deste grupo e me sinto um amador perto da criptografia que esses Vitale usam. — Talvez eles não voltem — Helena sugeriu, olhando pela janela panorâmica. — Talvez tenham nos usado para conseguir o terreno e sumiram. — Eles vão voltar — eu disse, com uma certeza que eu não sabia de onde vinha. Eu não amava Vittoria, eu nem a conhecia direito, mas a curiosidade sobre ela era uma doença que estava me consumindo. Eu precisava daquelas respostas. POV – MAYA DUARTE LOMBARD Eu ouvia a discussão dos meus primos em silêncio enquanto organizava meus instrumentos médicos. Eu não falava sobre a falta que sentia da presença bruta e protetora de Vinícius. Uma médica renomada como eu não deveria se sentir assim por um rapaz que m*l conhecia. Mas o toque dele no meu queixo antes de partir ainda queimava minha pele. — Maya, você está bem? — Isabella perguntou, aproximando-se. A futura advogada do clã era observadora demais. — Você está muito quieta desde que ele foi embora. — Estou apenas preocupada com a segurança do Conselho, Bella — respondi, profissionalmente. — Se eles foram resolver o assunto do meu sequestro, eles estão em perigo por minha causa. — Se tem uma coisa que aprendi sobre esses dois — Davi comentou, entrando na sala com relatórios de logística — é que eles são o perigo. Ninguém que luta daquele jeito morre fácil. POV – LORENZO ROSSI As portas da base se abriram com um estrondo eletrônico. O som de passos pesados ecoou pelo corredor de mármore. O Conselho inteiro se levantou em uníssono. Vittoria entrou primeiro. Seu terno bordô estava manchado de poeira e uma pequena mancha de sangue seco adornava seu pescoço. Ela parecia exausta, mas seus olhos cinzas brilhavam com uma vitória selvagem. Logo atrás, Vinícius caminhava com dificuldade, segurando o braço ferido, com o rosto marcado pelo combate. — Eles voltaram — Benjamin murmurou, parando de tocar seu violino ao fundo da sala. Eu caminhei até ela, ignorando o restante do mundo. A raiva por ter sido deixado no escuro lutava contra o alívio de vê-la inteira. — Vocês estão um lixo — eu disse, parando na frente dela. — Onde vocês estavam? Vittoria não recuou. Ela deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, o cheiro de pólvora misturado ao seu sândalo. — Salvando a integridade do seu Conselho, Lorenzo — ela disse, a voz rouca. — O sequestro da Maya não foi aleatório. Foi planejado pelos Vanchini. Eles queriam o conhecimento médico dela e a sua cabeça em uma bandeja. POV – MAYA DUARTE LOMBARD Ao ver Vinícius machucado, meu instinto médico atropelou qualquer protocolo. Eu corri até ele. — Vinícius! Você está sangrando! — peguei em seu braço, sentindo o calor do seu corpo através da camisa rasgada. — É só um arranhão, Doutora... — ele tentou sorrir, mas uma careta de dor o interrompeu. — Eu disse que ia voltar para você checar o curativo, não disse? — Venha agora para a enfermaria — ordenei, sem dar espaço para discussões. Eu não disse que senti falta dele. Eu não disse que rezei pela sua volta. Eu apenas agi como a médica que ele precisava. — Lucas, Davi, Arthur... todos vocês — Vinícius olhou para os outros herdeiros enquanto eu o guiava. — Reforcem a vigilância. Os Vanchini no México estão mortos, mas os de Chicago ainda não sabem que perderam a guerra. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Lorenzo ainda me encarava. Ele estava furioso por não ter tido o controle da situação, mas eu via algo mais no fundo daqueles olhos azuis. Uma faísca de algo que ele se recusava a nomear. — Você deveria ter me contado — Lorenzo disse, a voz baixa e perigosa. — Nós somos parceiros agora. — Parceiros confiam, Lorenzo. E você ainda me olha como se eu fosse um problema de arquitetura que você precisa corrigir — aproximei-me do ouvido dele, sentindo sua respiração travar. — A missão está cumprida. A ameaça à Maya foi neutralizada na raiz. Agora, se me der licença, eu preciso de um banho e de um uísque. — Você não vai a lugar nenhum sem me dar o relatório completo — ele segurou meu pulso. Não foi um toque agressivo, foi possessivo. — O relatório está na minha cabeça, Arquiteto. Se quiser, venha buscar — desafiei, soltando-me e caminhando em direção à saída, sentindo o olhar de todo o Conselho sobre minhas costas. POV – LORENZO ROSSI Eu a observei sair. Aurora aproximou-se de mim, com um olhar sugestivo. — Ela é intensa, não é? — Aurora sorriu. — Combina com o caos que você tenta tanto esconder, Lorenzo. — Não comece, Aurora — respondi, mas meu coração ainda batia forte. O Conselho estava reunido novamente. Doze cadeiras, doze herdeiros. A ameaça dos Vanchini tinha sido exposta. Olhei para cada um deles: a lealdade de Lucas, a inteligência de Arthur, a doçura de Maya, a força de Vinícius e o mistério de Vittoria. Éramos invencíveis, mas eu sabia que o maior perigo não vinha dos inimigos externos. Vinha do modo como meu mundo perfeitamente projetado estava começando a desmoronar toda vez que Vittoria Vitale sorria para mim. A guerra estava apenas começando, e desta vez, o campo de batalha seria o coração do Conselho.
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