Hatake Naomi.
Parei na frente da porta aberta e encontrei Pain passando um pano sobre o ferimento no braço, Hidan é rancoroso.
- Parece que Hidan não se importou em feri-lo no treino.
- Eu usei o Shinra tensei nele, causou mais dano... — Ele me olhou sem mudar a expressão. — Naomi o que faz aqui?
- Ouvi Hidan se gabar com Kisame e decidi vir aqui. — Falo me aproximando e Pain abaixou a manga do manto.
- Eu estou bem, isso não é nada.
- Cala a boca. — Falo pegando seu braço e notei que não saía sangue, então o que ele está limpando? Ele é uma marionete?
- Eu disse que estava bem. — Ergo os olhos para Pain que se manteve imóvel.
- Eu já desconfiava. Você não tem o que os outros tem. Expressão de cansaço, não tem cor... — Falo soltando seu braço e molhei os lábios enquanto pegava os itens de primeiros socorros. — Mas se os outros não sabem, vamos fingir que ele te feriu.
- Não gaste esse kit comigo, não vale a pena. — Pego o braço de Pain novamente ignorando totalmente o que ele disse e começo a costurar o ferimento. — Naomi, eu disse...
- Eu ouvi, só não ligo. — Falo baixo me lembrando do momento que Hidan feriu Pain por ter usado um jutsu poderoso no imortal. Ele mereceu por ter me xingado de v***a.
- Achei que odiasse gentilezas...
- Odeio que sintam pena, é diferente. — Falo baixo terminando de fechar o ferimento e uma mecha de meu cabelo foi colocado atrás da orelha. Ergo o olhar para Pain que estava com a mão esquerda erguida e seus dedos gélidos tocam minha bochecha.
- Sua pele é macia... — Meu rosto ficou quente e senti meu coração bater forte, mas desta vez é uma sensação boa. — E seu rosto é tão delicado.
Por que eu não consigo reagir?! Por que isso é tão bom de sentir e ouvir?!
Narradora on
Obito observava atentamente a sobrinha conversando com Pain e ela deu uma risadinha de algo que Obito foi incapaz de ouvir.
- Obrigada por ter me defendido. — A voz de Naomi saiu mais alta que antes e o braço de Pain passou por sua cintura a trazendo para perto, seus lábios gelados tocaram a testa da mais nova que corou ainda mais.
- Obrigado por ter cuidado disso... Mesmo sendo inútil e eu sendo forte o bastante para lidar com esse corte. — Pain falou orgulhoso e Naomi revirou os olhos se levantando.
- Não banque o forte querendo esconder as coisas. Eu sempre estarei te observando. — Obito arregalou os olhos se lembrando de quando Rin disse isso e Pain corou abaixando o olhar. — Entendeu?
- Por que está sendo gentil?
- Isso não importa.
- Importa para mim. — Ele falou com um sorriso e isso fez Obito recuar se lembrando da promessa de sua irmã que se algo acontecer com Naomi, Obito pagaria com a vida.
- Você... — Obito saiu do local que estava escondido e foi para o andar de baixo antes que fosse notado. — Você se esconde atrás de uma marionete por que?
- É uma longa história... Não ficou assustada?
- Eu não me assusto tão fácil... Seu nome é mesmo Pain?
- Nagato. — O homem falou e Naomi molhou os lábios. — Por que o interesse?
- Eu sou uma pessoa curiosa e você me fascina. — Naomi tocou o queixo dele e ergueu o rosto de Pain o analisando. — Eu conheço ninjutsu médico, se estiver ferido posso ajudar.
- Foi treinada por Tsunade?
- Não, eu aprendi sozinha. — Pain a olhou sem acreditar e tocou no símbolo que ela possui na testa.
- Conseguiu isso sozinha?
- Eu disse, sou curiosa... Eu só... Pedi ajuda a Tsunade umas duas vezes, o resto eu aprendi usando meu próprio cérebro.
- Não é acostumada a receber ajuda, é? — Naomi franziu o cenho confusa. — Digo, de outras pessoas, parece que raramente alguém te ajudou em algo.
- É... — Os olhos da menina desceram para o chão. — Eu não aceito ajuda desde que Mikoto-san morreu... Eu não quero atrapalhar ninguém.
- Você não atrapalha, Naomi. — Pain se levantou ficando mais perto da menor. — É até bom ter ajuda, sabia?
- Eu atrapalho. — A mulher abaixou o olhar e viu as cicatrizes em seus pulsos. — Desde que nasci...
- Quem disse isso? — Ela balançou as mãos voltando a olhar para ele e se afastou.
- Não é nada disso, esquece... Eu preciso de um banho, o suor grudou em meu corpo. — Naomi faz careta sem perceber e Pain acho graça da cara dela e Nagato, manipulando o boneco, deu risada.
- Tudo bem, não vou te prender mais. — Seus olhos roxos observaram a menina de cima a baixo a deixando sem jeito. — O coração está funcionando bem? Nunca cheguei a perguntar.
- Hum... Está, está sim.
- Fico feliz.
- Obrigada... — Naomi se apressou para sair do cômodo e Pain começou a recolher os itens de primeiros socorros.
Nagato estava feliz pela curta conversa que teve com Naomi e por ele, ficaria o resto de seus dias ouvindo ela falar pois na mente de Pain, a voz de Naomi parecia a voz de um anjo. A forma como seu corpo reagia a cada coisa que ele fazia sem ela perceber as mudanças das próprias atitudes era algo que ele também achava muito fofo.
Mas ele não foi o único a perceber e por essa razão, Konan decidiu arriscar e fazer Naomi conhecer Nagato, ele querendo ou não.
Hatake Naomi
Semanas depois
- Escapou do Tsukuyomi... Parabéns. — Caio de joelhos ofegante e senti o suor descer por meu rosto. — Não quis tortura-la emocionalmente.
- Eu sou a filha de Hatake Kakashi e uma ex-anbu, já fui torturada antes... Por ambos os motivos. — Passo a mão na testa e soltei o ar tentando controlar minha respiração.
- A área de treinamento é nossa agora. — Olhei para Hidan que estava com Kisame e me levantei.
- Descanse, Naomi. — Concordo com Itachi e caminhei para fora da área de treinamento indo para o meu quarto porém minhas pernas estavam tremendo, meu corpo todo está, e se Pain não tivesse me segurado eu teria caído e rolado a escada como consequência.
- Itachi não está pegando leve. — Ele comentou e olhei em seus belos olhos roxos.
- O que Itachi-senpai está fazendo não é nada perto do que ele costuma fazer com os inimigos. — Falo encostando a cabeça em seu peito e quando me dei conta de meu ato, eu me afastei rapidamente. — Desculpa...
- Vamos, eu a levarei para o quarto.
- Espera! — Ele me pegou estilo noiva e senti meu rosto esquentar involuntariamente.
Eu ainda me sinto protegida nos braços dele e isso me incomoda um pouco, a forma como ele me trata as vezes, mesmo na frente dos outros, é bem reconfortante e quando ele está ao meu lado... Parece que eu sou mais do que a filha de dois grandes ninjas. Ele mostra que sou importante e não só por conta do poder que posso despertar nos olhos.
- O que foi? — Sou deitada na cama e desviei o olhar do rosto dele para o teto.
- Nada. Obrigada por me trazer aqui.
- Precisa de algo?
- Não, irei descansar antes do jantar.
- Não se esforce muito... Naomi... — Olho para ele enquanto abraçava meu travesseiro, mas eu queria mesmo é abraçar ele. — Gostaria de dar uma volta amanhã?
- Claro. — As palavras saíram de minha boca antes que eu conseguisse pensar e ambos coramos.
- Ótimo, até amanhã. — Seus lábios gélidos tocaram minha testa e ele caminhou para fora do quarto fechando a porta atrás de si.
Eu só me senti assim antes com Shisui... É tão estranho voltar a ter esse sentimento familiar no peito.
- Droga, eu me sinto uma criança. — Dou risada olhando para o teto e respiro fundo relaxando o corpo. Eu preciso dormir, eu estou morrendo de cansaço.