Capítulo 8 - Planos

2270 Palavras
Enquanto isso, na corte Sul. Chile, Castelo dos Ivanov.  Dacian Ivanov   A porta da frente foi aberta com um solavanco, fazendo um ruído estrondoso ecoar pela sala de estar do castelo, onde alinhado perfeitamente ao terceiro lugar do sofá Luis XIV, Dacian estava sentado. O vampiro tinha as vestes perfeitamente asseadas e formais, com um broxe do brasão da corte sul pregado no bolso do terno. Duas rosas e duas espadas entrelaçadas, a representação dos gêmeos enquanto governantes.  Dacian pendeu a cabeça ao observar o irmão entrar como um tornado, indo até o mini bar . Damien pegou uma garrafa de Whisky, se desfazendo rapidamente do lacre com os próprios dentes. A blusa quadriculada e a calça jeans estavam sujas, e pela carranca de sempre, não estava nada feliz. - Que é?! – Damien perguntou, interrompendo o caminho do gargalo da garrafa à boca. – Não sou bem vindo com meus trajes...como você diz? Amundiçados? - Hoje você só esta farrusco. Damien gargalhou. - Por Deus, Dacian! Fale que nem gente. Eu nem sei o que isso significa! – ele deu uma longa golada, fazendo uma careta para o gosto que deve ter descido feito ácido. - Sujo de carvão. – explicou. – Onde você esteve, nas ruínas? - Pare de fazer perguntas idiotas. – Damien ralhou, indo até o outro canto do sofá em que estava sentado. Seu gêmeo se jogou no tecido florido, cruzando os tornozelos em cima da mesinha de centro. A conexão dos irmãos permitia que sempre pudessem saber onde o outro estava, independente de onde. E Dacian estava muito ciente de que Damien estava (ou devia estar) na horda infernal, tentando envenenar o exército real contra o mais novo rei, Aidan. Porém, apesar da conexão sanguínea, as vestes de Damien não cheiravam ao arsenal vampírico, muito menos ao suor de batalha.  O irmão também tinha encontrado um jeito de esconder os passos pelo laço que os ligava.  Outro problema que ele teria de resolver depois, pois agora o plano estava funcionando. E por enquanto, era tudo o que bastava. Aidan assassinou Julian há cerca de três meses, no dia em que a corte Norte estava em polvorosa com o anúncio do casamento de sua irmã July.  O ato foi feito às escondidas, com Aidan entrando no quarto do primo enquanto aquele se arrumava, e o deixando baleado e nu em cima da cama. A melhor parte? Aidan não fazia a mínima ideia de como pudera matar Julian com uma bala - calibre 0.8m, revestida em madeira e aço - sem que nunca houvesse aprendido a atirar, e pior, m*l sabia cogitar o motivo pelo qual assassinara o amor da sua vida. O romance entre os primos não era mais segredo, e estava começando a colocar em colapso os planos da Corte Sul, que sempre fizeram de tudo pra manter Julian como Rei do Norte. E o envolvimento dele com Aidan, que era territorialista, estava levando Julian a movimentar a horda infernal para a América Latina. Então, é claro, os irmãos foram obrigados a realizar a queima de arquivo. Dacian agira primeiro, implantando na mente de Aidan que Julian o traia. Depois que o macho estava revoltado e enraivecido, Damien usara do seu dom, doando um pouco da habilidade de atirador pra Aidan através do powermind. Os gêmeos foram contemplados com habilidades mentais raras entre os vampiros puro sangue. Para Dacian, a mente era um tabuleiro de xadrez do qual o time adversário estava à sua mercê, ainda que primeiro precisasse encontrar uma jogada pra abater o primeiro peão, criando assim uma fresta no muro mental pra entrar. Entretanto, depois que estivesse dentro, ele podia alterar, apagar ou implantar memórias. Mas seu preferido sempre seria: o apagão. Que nada mais era que uma jogada de mestre, onde ele apagava a existência da criatura pra ela mesma, deixando-a em estado vegetativo. Pena que suas habilidades não podiam ser usadas muitas vezes sem que quase o levasse à loucura. Do mesmo modo que não podia ser usada contra o irmão sem que afetasse à si mesmo. Por outro lado, Damien podia doar as próprias habilidades aos outros, tendo como limite a própria dor: Quanto mais aqueles que estavam contemplados por suas aptidões eram atingidos, mais Damien sofria. Sendo a razão pela qual desde novo fora treinado pra ser um exímio guerreiro sadomasoquista e assumir o cargo de general, fazendo o melhor exército vampiro: A legião de Hades. – Falou com nosso regicida? – Dacian finalmente perguntou. - Você sabe que o cara é um pé no saco. Não aguento ficar mais de meia hora na presença dele... Mas antes que você comece a falar, fiz o necessário. E ele continua tão confuso quanto um peru tonto. Uma hora ou outra vai acabar se entregando, e acho que vai acontecer mais rápido que a horda infernal¹ o tire do trono. - Damien suspirou, tomando mais uma golada. – Mas dessa vez só não foi pior porque Aidan encontrou outro meio de chorar a morte de Julian que não fosse no meu ombro. - É mesmo? – As sobrancelhas de Dacian se arquearam, triste pelo martírio do irmão ter acabado tão rápido. - Ele está convencido de que encontrou o par dele. – O irmão explicou. - E m*l faz 3 meses que Julian morreu. Dacian franziu o cenho, totalmente confuso.  - Quem?! - Não perguntei. Não sendo eu não tô nem aí. – Damien deu de ombros e se arqueou, apoiando os cotovelos nos joelhos. – Agora quero que você me diga que merda foi que aprontou por aqui. Ele fez uma pausa, procurando o melhor modo de começar. - Irmão... – o r da palavra saiu arrastado. – Fiz uma promessa de sangue pra matar o nosso inquilino lupino. - Eu sei, senti pelo laço. Quero saber com quem, Dacian. – Damien cruzou os braços. – E pela sua postura, estou muito convencido de que não irei gostar. - Acertou! – Dacian sorriu feito o gato de Alice no país das maravilhas. – Fiz uma promessa de sangue com a sua prometida, Rosalie Armstrong. Damien se deteve, olhando-o de esguelha. - E creio que a convenceu falando m*l de mim. - Ah, você não é exatamente o melhor exemplo do vampirismo, é? Damien passou a mão pela cicatriz que lhe cortava o lado esquerdo do rosto, e levantou de supetão. - Já não teve vingança suficiente fazendo-a acreditar que eu tentei estuprá-la quando na verdade foi você, Dacian? E outra, a Rosalie foi paga pra matar Mirian a mando de Julian. E você já o matou, ele era o real responsável. Além de que o assassinato dele deixou Rosalie apátrida. E isso já é um sofrimento grande pra um mestiço. Bla Bla Blá. Dacian revirou os olhos. Aquela história era uma ferida aberta na alma dele. Jamais iria descansar enquanto soubesse que Rosalie sempre encontrava um jeito de continuar com a ousadia estampada no rosto. - No dia que Rosalie matou Mirian, você ficou da janela do seu quarto olhando o assassinato dela... Você permitiu que nossa irmã fosse assassinada. - Eu sei, Dacian. E se espera que eu me desculpe ou sinta remorso... – o irmão riu. – Não vai acontecer . – Damien se virou, encarando o reflexo de seu par de olhos azuis gélidos em Dacian. – Mirian não é e nem nunca foi nossa irmã. - Você sabe que não foi por causa disso que a deixou morrer, irmão... Não, você a deixou ser assassinada porque sabia que quando eu me vinculasse com minha prometida Mirian, começaria a governar sozinho a Corte Sul. Eles eram gêmeos univitelinos, e por mais raro e poderosos que fossem no mundo vampírico, a natureza tinha se encarregado de equilibrá-los. Damien e Dacian eram como duas metades da mesma moeda, e a conexão mental que os unia era tão forte que embasava as suas existências. Se um morresse, o outro também morria. E como Damien sempre se colocava em perigo, pouco se importando para os planos da corte Sul, a morte certa era uma previsão quase que certeira, e pela quantidade de guerras... não estava muito longe.  Mas havia uma maneira de somente um deles viver. A única libertação da conexão eram as prometidas. O par elegido ao nascimento escolhia as companheiras certas para completá-los, sem que precisassem do laço do irmão. E quem conseguisse se vincular primeiro, teria não só a corte Sul, a reunião dos poderes mentais, bem como se libertaria do gêmeo. Pra sempre. Pois a completude advinda com a prometida, resultava na metade do outro , sentenciando-o à morte. E eles não eram exatamente unha e carne para querer que o outro vivesse. - Mirian era a minha prometida! - Pois, é. A Rosalie também é minha prometida e eu não fico choramingando. – Damien ergueu a garrafa. – Você sempre se achou fodão por ser o mais velho e ter o poder de brincar com a mente das pessoas. Mas no fundo não passa de um fracassado por nunca ter conseguido controlar a própria. Dacian engoliu em seco, repuxando a conexão mental do seu lado. A ponte entre os irmãos oscilou, fazendo Damien massagear a têmpora esquerda. - Não se esqueça que sou o mais velho, querido. Além disso, você jamais entenderá. Mirian não era somente minha prometida e irmã. Era o meu amor verdadeiro. Nossas almas se enlaçaram desde a primeira vez que nos vimos. – Dacian se levantou, o coração se apertando com a simples lembrança da amada. – E você nunca sentiu isso com Rosalie porque apesar dela ser sua prometida, ela o odeia. - Já acabou de chorar seu conto de fada? - Um dos cantos dos lábios de Damien se elevou, num sorriso. Dacian pressionou os lábios, sentindo fogo queimar no âmago. – Ótimo. Podemos ir ao que realmente interessa? Diga logo o que quero saber. Dacian resumiu a contragosto: - A Rosalie deve me trazer o Malakai morto em seis meses. Se ela não conseguir e não morrer, poderemos ir à caça dela, sentenciando-a a uma temporada ao nosso lado. - Meu lado. – corrigiu Damien. - Tanto faz. - Você prometeu que não iria matá-la. - Sim, e como promessa é dívida, só quero que ela sofra até que você possa a ter de volta. Damien lhe devolveu um olhar ameaçador, trincando os dentes.  - Pensa que me engana, Dacian? – Bufou. - Malakai vai matá-la. - Acho que você não leva fé na sua prometida. É realmente difícil acreditar que Rosalie não pode matar o alfa dos alfas? - Não duvido dela, Dacian. Rosalie pode ser uma mestiça, mas foi escolhida pra mim por uma razão. – Ele andou pela sala decorada com os móveis clássicos, parando à meia luz do abajur de luz amarelada. - Pelo jeito que você fica enfurnado dentro desse castelo com essa b***a engomada no trono, imagino que não tenha ouvido as boas novas do mundo sobrenatural. - Há muitas coisas pra saber. E nem sempre dá pra se inteirar de tudo. A dica pra um bom governo, é se focar no que mais interessa. Ainda que Dacian volta e meia desse uns hiatos pra incutir alguma dor à Rosalie. E isso incluía convocar uma reunião na serra do mar - com vampiros, lobos e caçadores - . Porém quanto essa última novidade e seus respectivos objetivos, se manteve calado. Damien continuou: - No mês passado, o pai de Malakai revelou uma informação importante à alcateia dos alfas...com qual finalidade? Ainda não faço ideia. Mas a questão é que essa revelação é o motivo para que alguns clãs começassem a caçar o alfa antes do esperado. Dacian pendeu a cabeça, tamborilando os dedos no braço do sofá. - E essa informação implica na vida ou morte de sua prometida? – estava perdendo a paciência. Damien sabia ser melodramático quando queria. - Com toda certeza. – ele confirmou. - Rosalie não pode matar o alfa pelo simples fato de que ele não morre. Dacian piscou algumas vezes, incapaz de acreditar no que ouvira. O lupino era indestrutível? Antes que pudesse digerir a informação, Damien continuou: - E antes que Rosalie morra, você chamará Raviel. Dacian riu, indo de surpreso à perplexo.  - Eu poderia dizer que não farei isso. Mas de toda forma, vejo que você enlouqueceu. Raviel nunca trairá Rosalie. - Raviel fará o que for necessário pra manter Rosalie viva, Dacian. – Ele encarou o irmão, cerrando o maxilar. – Eu arrumarei um jeito de matar o alfa. E você arrumará um jeito de salvar minha prometida com a ajuda de Raviel. Do contrário... quem vai sentir dor, é você.  Dacian engoliu em seco, fingindo medo. Depois virou-se de costas, dando um sorriso torto.  Se seus planos dessem certo primeiro, ele é quem abateria dois coelhos com uma cajadada só. E matar era uma palavra muito aquém para o sofrimento que pretendia incutir em Rosalie e Malakai.  Olá xuxus! Temos aqui um cap GIGANTESCO (eu sei, sorry.)  Mas algumas coisas precisavam ser explicadas (e que informações foram dadas, hein! hehe), principalmente em relação aos irmãos.  Como puderam ver, cada um deles têm planos próprios sobre o que vai acontecer com Malakai e Rosalie. E sejamos sinceros, planos bem sórdidos, não? à lá corte dos pesadelos.  Ainda assim, mais surpresas estão à caminho. Destinos serão traçados, personagens novos apresentados, obstáculos colocados... Gueeeenta coração!  Até o próximo cap, amores. Acredito que tenham percebido que estou apresentando os personagens pouco a pouco. ( falta a nossa Rosalie, mas paciência hihi) 
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