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1317 Palavras
A noite caiu rapidamente sobre Paris, com o som das ruas desertas sendo abafado pelas sombras que se alongavam à medida que Elias e Lara se moviam pelas vielas. A cidade parecia imóvel, mas Elias sabia que o silêncio era apenas um reflexo da tensão crescente. Paris, o coração pulsante do mundo, agora parecia uma selva de concreto, onde eles eram caçadores e presas ao mesmo tempo. — Eles estão se aproximando, Elias — disse Lara, a voz grave e cheia de apreensão. — Eu senti a presença deles nas últimas horas. A Ordem de Orpheus está mais perto do que imaginávamos. Elias sentiu um calafrio. O tempo parecia estar se contraindo ao seu redor, como se as horas se condensassem em minutos, as possibilidades em escolhas desesperadas. O Cronovisor havia mostrado uma previsão irrefutável: a ordem para localizar o dispositivo e a pessoa sem tempo era clara, e a caçada estava prestes a começar. E logo, tudo que ele e Lara haviam feito para se esconder e proteger o segredo estaria sob ameaça total. — Precisamos ser rápidos. Não há mais tempo — Elias respondeu, a voz tensa. Seus olhos percorriam a cidade à medida que ele tentava decifrar o que fazer a seguir. Eles tinham a vantagem de estarem em movimento, mas sabiam que o Cronovisor e a pessoa sem tempo agora eram alvos prioritários. Eles precisavam desviar, desviar para lugares que os inimigos não imaginavam. O plano deles estava claro: desviar os drones, enganar as câmeras e evitar os pontos de monitoramento da Ordem de Orpheus, que tinham alcançado níveis de vigilância mais sofisticados e implacáveis do que qualquer um poderia imaginar. Elias estava ciente de que cada passo dado naquele momento poderia ser o último antes que os inimigos os alcançassem. Com passos rápidos e coordenados, entraram em uma van antiga e seguiram para o centro de Paris, onde a próxima parte do plano estava esperando por eles. O centro de pesquisa no distrito industrial havia sido escolhido não por acaso. Era um local onde eles poderiam se esconder e, ao mesmo tempo, lançar uma finta estratégica, enganando a vigilância intensa da Ordem e a tecnologia avançada que agora os caçava. --- Elias observava atentamente as telas do computador em seu colo. Ele verificava os dados, ajustando configurações do sistema para desviar a atenção. Os padrões dos drones estavam sendo monitorados em tempo real, e o que ele via não era promissor. Eles estavam ficando cada vez mais próximos. Lara, ao seu lado, mantinha a vigilância, seus olhos aguçados observando cada movimento à frente. — Eles nos encontraram— disse Lara, os olhos fixos na tela de seu dispositivo. — Não podemos correr mais, Elias. Não agora. Ele apertou os dentes, pensando rápido. Não havia tempo a perder. Ele não poderia permitir que a Ordem de Orpheus fizesse uma captura ainda mais próxima. Eles precisavam desviar a rota e, ao mesmo tempo, atrair a atenção deles para um ponto distante da cidade, onde tivessem uma chance de escapar. — Vamos para o centro de pesquisa — disse Elias, a voz calma, mas com a tensão de quem sabia o que estava em jogo. — Eles nunca imaginarão que vamos por lá. É o único caminho agora. Os dois partiram com urgência, atravessando ruas vazias e acelerando ao máximo para evitar que os drones e os agentes da Ordem conseguissem rastreá-los de imediato. Eles sabiam que a Ordem de Orpheus não cederia, não desistiria de sua missão. A captura da pessoa sem tempo era mais que uma prioridade; era uma questão de controle absoluto, e qualquer coisa que interferisse nisso seria eliminado com força total. Chegaram ao centro de pesquisa abandonado com rapidez, estacionando a van a uma distância segura. As portas enferrujadas do antigo edifício industrial se abriram lentamente, emitindo sons de protesto enquanto se afastavam. Elias olhou ao redor, absorvendo o silêncio. Mas esse silêncio, ao invés de tranquilizá-los, aumentava a tensão. Cada sombra, cada movimento, cada som ao longe parecia ser uma ameaça. A Ordem estava mais próxima do que eles imaginavam. — Vamos usar o sistema de câmeras de segurança do prédio para desviar a atenção dos drones — disse Elias, sua voz baixa e estratégica. Ele se moveu até um painel de controle, começando a ajustar as configurações. — Podemos ativar os sistemas internos e sobrecarregar os sensores, fazendo com que eles se concentrem em outro ponto da cidade. Lara concordou, com os olhos atentos ao redor, vigilantes. Eles precisavam estar prontos para qualquer movimento, para qualquer oportunidade que surgisse. — A qualquer momento, eles vão chegar, Elias. Não podemos deixar nada ao acaso — disse Lara, olhando para ele com uma intensidade que ele sabia que compartilhava. Elias não respondeu imediatamente. Ele estava concentrado em criar uma finta. Ele sabia que, assim que os drones começassem a buscar sinais, precisariam enganar a vigilância da Ordem para ganhar mais tempo. Cada segundo importava. E agora, o tempo estava se acelerando contra eles. Quando o sistema foi ativado, as câmeras de segurança começaram a se mover de maneira estratégica, desativando as áreas de vigilância mais óbvias e direcionando os drones para outra parte da cidade. Eles tinham feito o impossível: enganaram as forças de segurança da Ordem, mas não o suficiente para escapar completamente. Lara olhou para Elias, seu olhar fixo e determinado. — Não podemos falhar agora. O que você acha que vai acontecer quando eles descobrirem isso? — disse ela, já antecipando o pior. — Eles vão nos caçar até o fim — respondeu Elias, com a mesma calma, mas com um leve tom de desespero. Ele sabia que a situação estava prestes a se tornar muito mais grave. Eles haviam sido espertos até agora, mas a caçada estava apenas começando. Eles entraram nos túneis subterrâneos do centro de pesquisa, movendo-se rapidamente pelas passagens escuras e abafadas. Cada passo ecoava no silêncio, e o ar denso parecia pesar sobre seus ombros. Eles estavam se afastando da segurança do edifício, indo para um território mais incerto, mais perigoso. Mas o que mais podiam fazer? Eles sabiam que, se ficassem parados, seriam capturados. --- Mas quando começaram a descer por um corredor mais estreito, o som de passos rápidos e tiros de raios laser cortaram o ar, interrompendo sua fuga. Eles estavam cercados. A Ordem de Orpheus havia encontrado o caminho. Agentes da Ordem desceram rapidamente, com roupas negras e armas que pareciam de outra era. Eles estavam preparados para qualquer resistência, e não hesitaram. Elias olhou para Lara, sem palavras, mas o pânico se refletia em seus olhos. — Corra! — ele gritou, empurrando Lara para a frente. Eles precisavam alcançar a saída dos túneis antes que fossem cercados. Mas ao longe, na escuridão do túnel, uma figura se movia rapidamente. Ela não estava correndo. Ela estava desafiando o tempo. A pessoa sem tempo. Ela apareceu de repente, surgindo das sombras como um fantasma, se movendo com uma agilidade impossível. As armas da Ordem dispararam, mas ela os esquivou com uma velocidade sobre-humana. No entanto, o mais estranho era o fato de que ela parecia se mover no próprio tempo, desviando-se como se o futuro e o presente estivessem distorcidos ao seu redor. Elias sentiu uma onda de choque. Ela estava aqui. E antes que pudesse pensar em mais alguma coisa, a pessoa sem tempo tocou um dispositivo que fez os agentes da Ordem paralisarem por um segundo, tempo suficiente para Elias e Lara correrem para os túneis subterrâneos, com os passos apressados e o coração disparado. Quando chegaram à entrada de uma nova passagem, eles se olharam, a expressão de ambos refletindo uma única coisa: a caçada havia começado. Mas o que eles não sabiam era que, ao escapar da captura, acabaram de entrar no jogo final, onde os destinos de todos estavam em risco — e a verdade, ainda por vir, poderia mudar o mundo para sempre.
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