Bryan Thompson:
A vida em Boston começava a ganhar um ritmo tranquilo para Bryan e Debby. Apesar do perigo sobre a fuga do Pitbull que os perseguia, os dois tentavam se concentrar no futuro que estavam construindo juntos.
A gravidez de Debby avançava, e Bryan fazia questão de estar presente em cada momento, desde as consultas médicas até as pequenas surpresas que preparava para ela em casa.
Naquela manhã, Bryan acordou cedo, como de costume. Debby ainda dormia profundamente ao seu lado, o rosto sereno, como se o mundo lá fora não existisse. Ele a observou por alguns instantes, sentindo uma mistura de amor e proteção. Sabia que, apesar de estarem longe do Rio de Janeiro, a ameaça de Pitbull ainda pairava sobre eles como uma nuvem escura. Mas Bryan não permitia que isso afetasse o dia a dia. Ele tinha uma missão agora: proteger Debby e o bebê que estava a caminho.
Enquanto preparava o café da manhã, Bryan recebeu uma mensagem de seu chefe na delegacia de Boston. O texto era breve, mas preocupante:
"Precisamos conversar. Algo importante surgiu."
Ele suspirou, tentando não se deixar levar pela ansiedade. Sabia que poderia ser algo relacionado a Pitbull, mas decidiu não acordar Debby com más notícias. Em vez disso, deixou um bilhete na mesa da cozinha:
"Volto logo, amor. Café está pronto.
Te amo."
Bryan chegou à delegacia de Boston por volta das 9h30. O prédio moderno e imponente contrastava com as delegacias menores e mais caóticas do Rio de Janeiro, mas ele ainda não se sentia completamente à vontade ali. Apesar de estar há alguns meses trabalhando como treinador de agentes do FBI, mas ele também ajudava a investigar alguns casos quando seu chefe pedia sua ajuda, mais Bryan ainda carregava consigo o peso de sua missão fracassada no Rio e a constante preocupação com a segurança de Debby.
Ao entrar no escritório de seu chefe, o agente Richard Harris, Bryan foi recebido com um aceno de cabeça e um gesto para que se sentasse. Harris era um homem alto, de cabelos grisalhos e olhos penetrantes, que pareciam sempre estar um passo à frente de todos. Ele era conhecido por sua eficiência e por não perder tempo com formalidades.
— Thompson, obrigado por vir — disse Harris, fechando a porta do escritório. — Temos uma situação delicada.
Bryan sentou-se, mantendo a postura ereta. Ele já sabia que, quando Harris usava a palavra "delicada", significava que as coisas estavam prestes a ficar complicadas.
— O que aconteceu? — perguntou Bryan, tentando manter a calma.
Harris abriu uma pasta em sua mesa e passou algumas fotos para Bryan. Eram imagens de um homem jovem, com um rosto marcado e olhos frios. Bryan reconheceu imediatamente.
— Pitbull — murmurou Bryan, sentindo um frio na espinha. — Onde ele está?
— Ainda não sabemos ao certo — respondeu Harris, cruzando os braços. — Mas temos informações da delegacia do Rio de Janeiro que ele está planejando uma viagem para os Estados Unidos. E, pelo que entendemos, você e sua esposa são os principais alvos.
Bryan apertou os punhos, tentando controlar a raiva e a preocupação que fervilhavam dentro dele. Ele sabia que Pitbull não descansaria até encontrá-los, mas ouvir isso diretamente de Harris era um golpe duro.
— Como ele conseguiu essas informações? — perguntou Bryan, já suspeitando da resposta.
— Foi um tal de Silva, segundo o Almeida, o seu antigo chefe nos informou— respondeu Harris, sem rodeios. — O policial traidor que ajudou Pitbull a fugir. Ele estava passando informações sobre você e sua esposa desde o início. Agora que ele foi capturado, ele está sob custódia, e o Almeida está tentando extrair o máximo de informações possível, mas o fato é que Pitbull já sabe que vocês estão aqui.
Bryan respirou fundo, tentando processar as informações. Ele sabia que Silva era corrupto, mas nunca imaginou que o seu ex colega pudesse traí-lo de forma tão profunda.
— O que vocês estão fazendo para impedi que esse maldito chegue aqui? — perguntou Bryan, referindo-se a Pitbull.
— Estamos monitorando todos os voos internacionais que chegam a Boston e outras cidades próximas — explicou Harris. — Além disso, estamos trabalhando com a Interpol para rastrear os movimentos de Pitbull. Mas, Bryan, você precisa entender que estamos lidando com um homem extremamente perigoso e bem conectado. Ele não vai desistir facilmente.
Bryan assentiu, sabendo que Harris estava certo. Ele precisava tomar medidas extras para garantir a segurança de Debby.
— O que você sugere? — perguntou Bryan, olhando diretamente para Harris.
— Por enquanto, mantenha sua rotina normal, mas esteja alerta — disse Harris. — Vamos aumentar a segurança ao redor de sua casa e do local onde sua esposa trabalha e também onde ela estuda. Além disso, estamos considerando a possibilidade de realocá-los temporariamente para um local seguro, caso a situação piore.
Bryan concordou, mas sabia que não poderia contar tudo para Debby. Ela já estava sob estresse suficiente com a gravidez e os preparativos para o casamento. Ele não queria sobrecarregá-la com mais preocupações.
— Entendido — disse Bryan, levantando-se. — Mantenham-me informado sobre qualquer novidade.
Harris assentiu e estendeu a mão para Bryan.
— Cuidado, Thompson. E lembre-se: estamos todos do mesmo lado aqui.
Bryan apertou a mão de Harris e saiu do escritório, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Ele sabia que, enquanto Pitbull estivesse solto, sua vida com Debby nunca estaria completamente segura.
Ao voltar para casa, Bryan encontrou Debby sentada no sofá, lendo um livro sobre cuidados com bebês. Ela olhou para ele com um sorriso caloroso, mas logo percebeu que algo estava errado.
— O que aconteceu? — perguntou Debby, fechando o livro.
— Nada demais — mentiu Bryan, sentando-se ao lado dela. — Só mais uma reunião de rotina. Eles querem que eu comece a trabalhar em um novo caso na próxima semana.
Debby estudou o rosto dele por um momento, como se tentasse decifrar o que ele não estava dizendo. Mas, no final, ela apenas abraçou ele, descansando a cabeça em seu ombro.
— Só não se esqueça de que temos uma consulta médica na quinta-feira — lembrou ela.
— Claro que não — respondeu Bryan, beijando a testa dela. — Nada é mais importante do que você e nosso bebê.
Enquanto abraçava Debby, Bryan prometeu a si mesmo que faria tudo o que estivesse ao seu alcance para protegê-la. Ele sabia que o perigo estava próximo, mas também sabia que não poderia deixar que isso arruinasse o futuro que estavam construindo juntos.
Naquela tarde, Bryan e Debby foram juntos ao consultório médico. Pois era o dia de descobrir o sexo do bebê, e os dois estavam ansiosos, mas felizes. Enquanto esperavam no consultório, Debby segurou a mão de Bryan com força, como se precisasse daquela conexão para se manter calma.
— E se for uma menina? — ela perguntou, sorrindo.
— Vai ser a princesa do papai — respondeu Bryan, brincando. — Mas se for um menino, já vou ensiná-lo a jogar futebol.
O ultrassom revelou que seria uma menina. Debby soltou uma lágrima de felicidade, e Bryan não conseguiu conter o sorriso. Aquele momento era um lembrete de que, apesar de tudo, a vida seguia em frente, e eles tinham muito a comemorar.
— Vamos chamá-la de Sofia — sugeriu Debby, olhando para Bryan.
— Sofia Thompson — ele repetiu, gostando do som do nome. — Combinou perfeito.
De volta à casa, os dois começaram a planejar o casamento. A ideia era algo simples, mas significativo. Eles queriam apenas os amigos mais próximos e a família de Bryan, que já considerava Debby como parte integrante de sua vida.
— Podemos fazer uma cerimônia pequena aqui em Boston — sugeriu Bryan, enquanto folheava um catálogo de locais para eventos. — E depois uma festa íntima, só para nós.
— Eu adoraria — respondeu Debby, abraçando-o. — E precisamos convidar seus pais e seus irmãos, eles precisam estar conosco nesse dia.
Bryan concordou imediatamente. Sabia que sua familia adorariam participar desse momento tão especial. Enquanto discutiam os detalhes, ele sentiu uma onda de gratidão por ter Debby ao seu lado. Ela era sua força, sua razão para seguir em frente.
Enquanto isso, a polícia do Rio de Janeiro continuava sua busca por Pitbull. A fuga do traficante havia causado um grande rebuliço, e as investigações apontaram para o agente Silva, um policial corrupto que ajudou na sua fuga.
Bryan, mesmo estando em Boston, mantinha contato com alguns colegas de confiança e o seu chefe no Rio, que o mantinham informado sobre os desdobramentos.
Uma noite, enquanto Debby dormia, Bryan recebeu uma ligação de um antigo parceiro de trabalho.
— Bryan, temos uma pista — disse a voz do outro lado da linha. — Descobrimos que havia outro policial traidor, além do Silva. Era o agente Lopes, aquele que sempre estava envolvido em operações contra o tráfico.
Bryan ficou em silêncio por um momento, processando a informação. Além do Silva, Lopes era um nome que ele conhecia bem, alguém que sempre parecera dedicado ao trabalho. A traição desses dois colegas era um golpe duro, mas Bryan sabia que precisava manter a cabeça fria.
— O que vão fazer com ele? — perguntou Bryan, em voz baixa para não acordar Debby.
— Ele já está sendo interrogado. Mas, Bryan, tome cuidado. Se eles ajudaram Pitbull a fugir, é porque sabem onde vocês estão.
Bryan desligou o telefone com um nó na garganta. Sabia que o perigo estava mais perto do que imaginava.
Enquanto Bryan e Debby tentavam seguir suas vidas em Boston, Pitbull planejava sua vingança. Ele estava escondido em um local seguro, mas já havia reunido informações suficientes para localizar o casal. Com a ajuda de contatos internacionais, ele estava planejando uma viagem para os Estados Unidos.
— Eles acham que podem fugir de mim — murmurou Pitbull, olhando para uma foto de Bryan e Debby que havia conseguido através de um informante. — Mas eu vou encontrá-los. E quando eu fizer, eles vão pagar por tudo.
De volta a Boston, Bryan e Debby seguiam com seus planos. O casamento estava marcado para o próximo mês, e a chegada de Sofia era esperada com ansiedade. Mas, no fundo, Bryan sabia que a paz que tanto desejavam ainda estava longe de ser alcançada.
Enquanto abraçava Debby naquela noite, ele prometeu a si mesmo que faria tudo para protegê-la e à filha que estava por vir. Não importava o que Pitbull planejasse, Bryan estava determinado a garantir que sua família estivesse segura.
— Eu te amo, Debby — sussurrou ele, enquanto ela dormia em seus braços.
— Eu também te amo, Bryan — ela murmurou, meio adormecida.
E, naquele momento, tudo parecia possível. Mas a sombra de Pitbull ainda pairaria sobre eles, e o futuro permanecia incerto.
Continua......