A tela branca parecia grande demais. Elle ficou parada em frente a ela por longos minutos. O avental ainda limpo. As mãos quietas, os olhos perdidos. A luz suave do fim da tarde entrava pelas janelas do ateliê, iluminando o espaço que agora era só dela. Um lar novo. Um lugar seguro. Um santuário com cheiro de tinta fresca e promessa de renascimento. Ela respirou fundo. Fechou os olhos. E tentou lembrar como era... antes. Antes da dor. Antes do silêncio forçado. Antes das noites trancadas. Na memória, vieram as cores. Amarelo vibrante. Azul profundo. Vermelho com raiva. Verde esperança. > "Você não precisa pintar bonito," dissera a psicóloga. "Precisa apenas pintar… verdadeiro." Elle pegou a espátula. A mão tremia. Mas havia algo nela… que pedia para sair. Tirou a

