Elle sentia. Sentia o olhar de Théo queimar nas costas mesmo quando ele fingia estar distraído. Era como um calor constante, uma presença silenciosa, como se ele estivesse tentando ler por dentro da pele dela. Desde a última troca de palavras — ou melhor, de farpas — no corredor da sala de aula, ele havia mudado. Estava mais calado. Mais atento. Mais... intenso. Mas não de um jeito bom. Era como se estivesse pronto para explodir a qualquer momento. Ela tentou ignorar. Seguiu sua rotina, manteve a cabeça baixa, os olhos nos livros, mas o estômago não deixava. Um nó se formava sempre que ela sentia a aproximação dele. Um arrepio involuntário tomava conta do corpo, como se cada célula gritasse por ele — e ao mesmo tempo, se protegesse. Théo estava à beira de perder o controle. E Elle sabia.

