Cap.19 Perturbação

1458 Palavras
Acordei de noite, e ele não estava ao meu lado, coloquei a roupa que ele me deu da Lídia, explorei a tenda toda, ele tinha algumas armaduras penduradas, por fim encontrei vários punhais sobre uma mesa, alguns mais trabalhados que os outros, pareciam muito afiados, mas fui tirada dos meus pensamentos após ouvir ele gritando ordens para os seus homens perto da tenda, ele parecia se aproximar cada vez mais. “Esses malditos, tem certeza que matou todos? Do lado do nosso acampamento, como ousam ficar tão próximos?” Ele estava bravo, sabia que a qualquer hora ele entraria no quarto, resolvi comer os pãezinhos que estavam sobre a penteadeira antes dele entrar, se fosse para controlar a fúria dele, tinha que estar forte, por fim ele entrou batendo os pés. — Tu, a quanto tempo acordaste?! – ele estava realmente aborrecido. — Agora pouco senhor — abaixei a cabeça. — E isso não foi tempo suficiente para pôr em ordem esse quarto? És mentirosa, desajeitada e agora preguiçosa também?! – eu o olhava sem saber por onde começar. — Irei fazer isso agora então. — Não, já erraste no atraso, agora vai tirar as minhas botas, lavar os meus pés e secá-los muito bem! - Tive que conter minha expressão de nojo. Sério? Isso me pareceu algo bem nojento de se fazer, mas ele estava muito irritado então peguei uma bacia de cobre que tinha ali no quarto, coloquei água que estava armazenada em um barril para higiene matinal, peguei um tipo de sabão e uma toalha para enxugar os pés dele. E que trabalho, eu dormi tanto assim, para ele estar com os pés tão horríveis? Que saco já não bastava ficar por tanto tempo olhando as “paredes” e agora isso. — Sabe garota, tens as mãos boas, no fim das contas podes não ser tão inútil — que tipo de elogio era aquele? Da um elogio e me rebaixa em seguida – Pronto, meus pés estão descansados, agora vamos jantar, vou pedir que entreguem aqui nossa janta. — Certo, irei desocupar a mesa. — Faça isso — eu tinha acabado de dizer que ia fazer isso, não precisa mandar de novo, ele estava especialmente irritante, gostava mais quando ele não falava nada. Eu arrumei a mesa, deixei ela vazia e coloquei duas cadeiras, uma na ponta que seria para Estevan e uma para eu ao seu lado. — Garota a comida chegou, pegue e coloque na mesa. Fiz que sim com a cabeça e comecei a pôr a mesa, ele estava bem mandão, por fim ficamos a sós e nos sentamos. — Me sirva — claro isso também — Tu nunca deves começar a comer antes de mim, entendeu, por isso tu me serves primeiro. — Sim "senhor" – respondi sem vontade alguma e com uma pitada de ironia no “senhor” como se eu servisse ao exercito. —Como é? Pude sentir um pouco de ironia no teu “sim senhor", estás debochando do que faço? — Claro que não senhor – tentei responder de forma mais amena. — Acredito que estavas, isso não é tolerável – era isso que ele dizia para tudo — Estás mesmo querendo ficar sem comer? Dois dias são o suficiente para começares a implorar? - eu o olhei com medo, ele podia fazer isso? Quem o impediria. — Estou apenas entediada senhor, não leve em consideração os meus erros – disse com um meio sorriso no rosto, para transmitir calma, no fim ainda me lembrava das aulas estúpidas de minha mãe, sobre como tratar um marido, aquilo era ridículo. — Não levar em consideração? Assim tu sempre terás uma desculpa para errar, acorde ou te tratarei m*l na cama mais tarde. - meu estômago revirou com tal ameaça. — Podemos falar de outro assunto no jantar? – tentei amenizar enquanto o servia. — Tanto faz, uma garota como você não deve ter algo de muito interessante para me contar – ok essa foi a gota d'água, na visão dele eu era inútil, estava ali apenas para o animar e o servir, se me detestava tanto e me achava entediante porque me sequestrou? Eu me calei, definitivamente ele estava querendo mostrar ser o grosso que era, resolvi não falar com ele o resto do jantar, por mais que ele tentasse e ele tentou, mas a cada palavra dele eu ficava mais furiosa e não o respondia, por fim ele bateu as mãos na mesa. — Tu pensas que me ignorar será o suficiente? Só mostra o quanto és infantil, posso te castigar de 1000 maneiras diversas, vais mesmo testar a minha paciência? Eu não o respondi, permaneci quieta para mostrar que não volto atrás das minhas decisões, mas ele também era inflexível, após terminar de comer, ele tentou falar novamente comigo. — Mirian, é a última vez que te digo, irei te ensinar uma lição, não reclames depois. Ele se levantou e foi até os guardas que ficavam próximos a tenda. — Por favor retirem a mesa e não deixem ninguém entrar, também não tragam comida a tenda até segunda ordem, podem se retirar da entrada. - um dos guardas me olhou de relance e senti que tinha ultrapassado os limites e sofreria por isso. — Sim senhor – os homens estavam com expressões de medo, eu comecei a me preocupar. Eu não tinha terminado de comer, mas ele queria me dar uma “lição” e eu não estava acreditando nele, pois a sua fala era muito suave como seus beijos. — Mirian, tu não me escutas, me desculpe. - disse ele se aproximando. Ele me puxou bruscamente da cadeira e me jogou na cama, depois disso ele tirou o cinto que segurava a sua roupa, isso parecia até coisa de meu pai. — Tire a roupa. - ele disse calmamente. — Não vou fazer isso, quem você pensa que é? Não tens direito algum sobre mim, e não podes fazer isso apenas por eu não querer falar contigo! — Tire! – nesse momento ele já estava segurando os meus braços. — Não Estevan! – respondi firme. — O único lugar que tem pele à mostra é o seu rosto, queres que eu te bata no rosto? Tire a maldita roupa – eu percebi que ele estava a falar sério — Sabe o seu desespero me contagiou, coloque as mãos na mesa. — Porquê? E desrespeito? Não tem nada disso em mim! - eu disse chorando a essa altura, — Queres agir como criança, te tratarei como uma, você grita comigo como se realmente pudesse! - ele estava transtornado, e mostrou não ter tolerância ao “desrespeito” minimo que fosse. Ele me puxou bruscamente e pressionou minhas mãos para cima da mesa, com um movimento rápido pegou uma vara fina de madeira e eu entendi o que ele ia fazer, me livrei da única mão que me segurava e o empurrei para cima da cadeira, corri em direção da saída mas logo ele que já havia levantado me puxou pela saia do vestido me fazendo cair, eu gritei e me virei ainda no chão de frente para ele, que se posicionou com os joelhos no chão nas laterais de meu corpo, ele estava em cima de mim, seus olhos estavam em outro mundo, percebi que era séria a situação, quando ele começou a me inforcar, eu gritei: — Esteva...van vo-você vai me ma...tatar... – o rosto dele ficou pálido e ele recuou, assim que me livrei das pernas dele, sentei no chão e coloquei as minhas mãos no meu pescoço recuperando o ar. — Mirian... estás bem? Eu... eu não tive intenção de te machucar de verdade. - ele parecia ter recuperado a lucidez. — Não teve? – eu me levantei e fui ao espelho, meu pescoço estava vermelho, eu comecei a chorar e disse — Quero ir embora Estevan, por favor, o que ganha comigo aqui? — Tu não entendes Mirian, eu preciso de ti… você… você vai me dar algo que preciso, mas não posso te falar ainda… é… temos que chegar no lugar certo, no momento certo, eu não sou assim, apenas… apenas tu me fez perder o controle. — Não está acostumado a te dizerem não, ou te desobedecerem, eu percebi, mas não pode me prender aqui para sempre, não sou um de teus soldados! Sou uma mulher, uma garota ainda! — Amanhã vamos embora… - ele disse perdido em seu cronograma, olhando para o nada, eu pude ver que ele estava com algum problema. — Você não entendeu, eu vou embora. - disse com o tom mais baixo agora. — Tu não entendes, tu não vai poder fazer isso – disse ele de forma "triste"? E saiu da tenda.
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