Capítulo 1 - Bianca

1234 Palavras
  - Bia! O Guilherme chegou! Meu coração deu um salto, mas eu armei meu sorriso mais inocente e me virei para Michele, que tinha entrado correndo e ofegante na minha sala. - E daí? O que eu tenho a ver com isso? Ela se jogou no sofá e retirou os óculos esfregando os olhos. - Conta outra Bianca, eu sei que você estava louca de saudades dele. - Lógico que estou. Trabalhamos juntos, somos amigos, que m*l há nisso? - Então não vai se importar se eu disser que a Larissa está ai com ele? Michele sabia ser maldosa. - Ela é namorada dele, então não vejo nada demais. - Namorada por que você não quer ficar com ele, porque ele gosta mesmo é de você. Suspirei irritada. - Michele! Quantas vezes vou precisar falar que eu tenho namorado e o amo muito. Ela fez cara de impaciência. - Chega Bia, você não combina com o Marcos. Vocês parecem meus avós e não um casal de jovens de vinte e cinco anos. - Obrigada pelas palavras de incentivo, mas eu gosto do Marcos ta bom? - Gosta nada, você se acostumou com ele isso sim. Michele era tão dramática, que eu tive que ri da cara dela - O namorado é meu, como você sabe que eu não gosto dele? - Porque você olha para o Guilherme, como minha irmã olha para um sorvete, louca para lamber ele todinho... Não tive como não me imaginar lambendo o Guilherme. Aquele peito forte, moreno, todo tatuado...Misericórdia! - Não quero lamber ninguém... Michele levantou distraída e jogou um beijo pra mim - Tudo bem fique ai, olhando o brigadeiro e comento jiló! Joguei minha agenda na direção dela rindo. - Me deixe em paz sua sádica, preciso organizar essas fotos aqui. Quando Michele saiu eu cai na cadeira e fechei os olhos. O Guilherme estava de volta e com a Larissa novamente. Não que aquilo fosse novidade. Ele era o dono da agencia e ela, além de namorada dele era a modelo principal. Mas de certa forma aquilo me incomodava um pouco. Incomodava porque eu sabia que ela se incomodava. Para Larissa eu e o  Guilherme  éramos mais que amigos. Nunca tocamos naquele assunto, mas eu sentia uma certa desconfiança por parte dela. O Guilherme também não colaborava e as vezes se comportava de forma a deixar dúvidas quanto ao nosso relacionamento. Já tinha pedido a ele para não me abraçar na frente da Larissa e nem do Marcos, mas ele parecia não me ouvir e sempre me tocava de forma exagerada me abraçando e beijando no rosto, ou segurando minha mão mais tempo do que o necessário. O marcos já estava muito irritado com essa forma intima dele se dirigir a mim e por mais que eu explicasse que era só amizade ele não queria entender. Para falar a verdade ninguém entenderia como ficamos amigos em tão pouco tempo. Conheci o Guilherme a mais ou menos dois ano atrás quando fiz umas fotos para uma campanha da agência dele. Sou fotógrafa profissional e tenho meu próprio Studio, mas também presto serviço para empresas de publicidade e foi em um desses trabalhos que viajamos para a Bahia, para fotografar em Porto Seguro, numa campanha ecológica, que tive meu primeiro contato com ele. Na época ele já namorava a Larissa e ela foi a modelo que pousou para as fotos na praia. Ela é loira e muito bonita. Se mostrou  simpática, mas meio calada e introspectiva. Tive muito pouco contato com ela na época, mas depois fizemos várias campanhas juntas e hoje, se não podemos ser denominadas de amigas, pelo menos nos falamos cordialmente. O problema foi o Guilherme. Assim que fomos apresentados sentir algo mudar dentro de mim. Nós nos conectamos de tal forma que na primeira noite no hotel, ficamos conversando até de madrugada e daí em diante não nos separamos mais. Ele me contratou com fotografa oficial da agencia e eu trabalhava ali três dias por semana, além das horas extras que fazia em casa e muitas vezes no apartamento do próprio Guilherme, quando tínhamos uma campanha importante para entregar. Não sei bem em que ponto daquela relação decidimos que seria só amizade, mas acho que foi no segundo dia que estávamos em Porto Seguro quando o Marcos me ligou e ele presenciou nossa conversa. Falei então para ele que tinha um namorado de 01 ano e que pretendíamos nos casar. Na hora acho que percebi um pouco de decepção da parte dele, mas como ele também estava namorando pareceu o certo que enveredássemos pelo caminho da amizade. A Larissa não aceitou muito bem aquela proximidade, muito menos o Marcos, então tivemos que estipular certos limites. - Ah Bia, não vou deixar de abraçar você, por causa da Larissa ou do seu namorado Aquela conversa tinha sido mais ou menos um dois meses depois do nosso primeiro encontro. - Mas Gui, eles estão entendendo errado! Ele parecia impaciente e andava de um lado para outro na sala dele - E daí? Não estou ligando para isso, o importante é a nossa amizade e pronto. Eu tinha me aproximado dele e ficamos frente a frente olhando nos olhos. Ele tinha essa mania desconcertante de me olhar profundamente dentro dos olhos. - Certo. O importante é nossa amizade, mas temos namorados e devemos certo respeito a eles. Ele suspirou. - Ta bom, vamos evitar certos contatos como você diz. E assim ficou determinado que não cometeríamos exageros para não gerar comentários sem motivos. Mas aquilo não impedia de quando estávamos sozinhos ou na minha casa ou na dele, ou mesmo ali na agencia, de nos tocarmos    de forma mais intima, como um toque no rosto ou um abraço mais demorado e até mesmo adormecer juntos no sofá quando o cansaço vencia em noites de muito trabalho. Apenas uma única vez ele tinha me beijado levemente nos lábios, Foi no dia do meu aniversário de vinte e cinco anos e o pessoal da agencia tinha combinado de ir a uma pizzaria e ele não chegou a tempo pois estava voltando de uma viagem aos Estados Unidos. Na mesma noite, por volta das duas da manhã ele tinha me ligado dizendo que tinha acabado de chegar ao aeroporto e passaria no meu apartamento para me dar um abraço. Ele tinha me presenteado como um colar de ouro com um pingente em forma de coração e as letras G e B grafadas no verso. Na porta mesmo ele, tinha me abraçado fortemente e encostado a boca na minha suavemente. - Parabéns minha linda! E nós nunca tocamos no assunto sobre aquele beijo. Eu sabia que ele nutria um sentimento mais profundo por mim. Ele mesmo já tinha dito isso um monte de vezes, mas ele também dizia que respeitava minha decisão de manter certa distancia por causa da Larissa e do Marcos. Eu gostava muito do Marcos, mas nos últimos tempos o Guilherme estava ocupando minha mente de uma forma um tanto perturbadora. Talvez fosse a hora de dar um basta naquela amizade colorida. Namorado nenhum entenderia tanta i********e entre um homem e uma mulher como sendo apenas amizade. O melhor era realmente me afastar um pouco dele, manter apenas uma relação de trabalho. Pensando nisso resolvi ganhar tempo. Não queria falar com ele naquele momento e antes que ele viesse até minha sala, peguei minha bolsa e fui embora.
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