Capítulo 16 - Almoço irrecusável

1159 Palavras
Eu chamei Dinah para contar sobre a novidade. — Você vai o quê? – Dinah perguntou sentando ao meu lado. — Vou à um almoço de negócios com ele, Dinah! – cochichei para ela enquanto digitava no computador. Dinah me olhou desconfiada. — Esse homem é tão fechado, como ele pôde ter te chamado para almoçar? — Não vamos só eu e ele. Vão ter representantes lá, então não precisa me esperar para o almoço hoje. — Austin disse que queria almoçar contigo hoje, lembra? O coitado vai pensar que você vai dar outro bolo nele! – ela riu. Às vezes eu sentia dó por ele, Austin era um homem bom. Mas eu não me interessava por ele daquela forma, talvez naquele momento fosse bom para me aproximar, com toda certeza assim eu iria evitar problemas futuros com Logan Martínez. Mas algo em meu corpo me impedia de parar, ela me atraía como imã de pólos diferentes. — Diga à ele que não tive escolha, Dinah, eu não quero ficar recusando ir à essas coisas, é meu trabalho! — É o seu horário de folga, Ash. — Céus, Dinah! Qual é o problema? Eu ia almoçar com o Richard e você nunca implicou, e olha que ele dava em cima de mim todos os dias! – soltei em tom alterado. — Ele não era um problema, Ashley, já esse Logan é problema! Já esqueceu que ele gosta da Kehlani? Eu não tinha esquecido isso, sabia que, com Logan, eu teria que andar em cima da linha para nada ser descoberto. Mas, naquele momento, era apenas um almoço de negócios, não via motivo para desespero. — Vai ficar tudo bem, Dinah! Eu estou sabendo lidar com isso. — Eu acho que você está brincando com o fogo — Confie em mim, eu não tenho nada com ele, é apenas o meu chefe. — Você não tem, mas e Kehlani? Pelo o que me contou ela vai te ver amanhã. — Kehlani é outra história, eu sou a Ashley agora – falei baixo. Eu entendia a preocupação de Dinah, ela era como minha irmã mais velha, só que mais nova. Desde que a conheço, ela me trata como seu filhote, cuida de mim como ninguém. Eu amava isso, me sentia segura ao lado dela. Eu sabia que Dinah tinha razão, entrar nesse barco com Logan seria a maior loucura de todas, mas ainda não havia acontecido nada, tudo estava tranquilo. Eu iria cuidar para que nada saísse do seu devido lugar, eu precisava daquele emprego. — Ok, Ash, você sabe o que faz... tome cuidado, ok? – ela falou levantando e depositando um beijo em minha testa. — Obrigada, Dinah. "Vamos almoçar, senhoritas?" ouvi a voz de Austin se aproximando. Olhei para Dinah que me lançou um olhar que dizia "se vire" e logo saiu andando. Sorri amarelo para Austin que me encarava com uma expressão confusa. — Austin eu não vou poder ir... o senhor Martínez pediu para que eu acompanhasse ela num almoço de negócios, e eu não pude recusar. — Mas programamos isso desde a semana passada, Ashley... é só um almoço – ele falou calmamente. — Eu sei, mas ele me informou agora de manhã, eu não pude recusar! Sua expressão era desapontada em minha direção. — Podemos jantar juntos se quiser – falei sem ao menos pensar. Austin sorriu no mesmo instante aliviando a espécie de culpa que estava me consumindo. — Mesmo? – perguntou em dúvida. Assenti sorrindo. — Ótimo, Ashley! Saímos daqui juntos, certo? — Certo, nos vemos à noite então. Austin assentiu, se aproximou e depositou um beijo em meu rosto. Logo quando o rapaz se afastou, que eu me virei para a porta, eu vi os olhos intensos de Logan sobre mim, causando um forte arrepio em meu corpo. "d***a, ele tinha visto tudo!" O caminho para o restaurante na hora do almoço foi no mais puro silencio. Estávamos sentados dentro de seu carro importado, que por sinal me parecia ser bem caro, e bem a cara de Logan. Ele estava sentado e quieto, lendo algo em seu celular. Anotei algumas coisas em minha agenda tentando me distrair do desconfortável silencio daquele carro. — Tinha compromisso para hoje, senhorita Johnson? – ouvi a sua voz fria soar. — Nada de importante, apenas um almoço com os meus amigos. — Amigos? - ele perguntou ainda olhando para o seu celular. — Sim, senhor, eu almoço com eles todos os dias. — Imagino que eles não devem ter gostado de eu lhe tirar de seus hábitos, certo? — Não creio que isso tenha acontecido, eu remarquei para a noite. Não há problema algum. Logan não falou mais sequer uma palavra, ficou calado lendo algo que me parecia ser muito interessante por estar focado há tantos minutos. Quando chegamos ao local, o motorista, um senhor de idade chamado Alfred, saiu de seu lugar seguindo para abrir a porta do carro para nós dois sairmos. Saí na frente segurando minha bolsa, e logo em seguida ele veio atrás, ajeitando as suas roupas sociais que, por sinal, valorizava muito o seu corpo alto e musculoso. Entramos em um restaurante grande e muito fino, sentando em uma das mesas reservadas onde os representantes que já nos esperavam. A reunião foi tranquila e um tanto entediante. Logan respondeu à todas as dúvidas dos homens em nossa frente, ele pareceu um tanto tenso. Eram representantes importantes, que queriam um contrato com a Martínez Industry, e ele teria que fazer até segunda feira um balancete geral da situação da empresa para poder assinar um contrato, era uma tarefa difícil mas não impossível para ele. — Obrigado, senhor Martínez, nos vemos na segunda-feira – o senhor de cabelos grisalhos falava se levantando. — Foi bom conhecê-la também, senhorita Johnson. Eu assenti com um sorriso amigável. — Espero que aceite a nossa proposta – Logan falou apertando a mão do outro senhor. — Na segunda lhe darei a resposta, senhor Martínez. Os dois homens saíram nos deixando sozinhas. — Enfim! Pensei que essa reunião não iria acabar nunca! – ele falou sentando-se novamente em sua cadeira. — Foi um tanto cansativa, mas acha que vai conseguir entregar os balancetes até segunda? Sentei-me novamente perguntando em sua direção. — Nós vamos conseguir, senhorita Johnson, vou precisar de sua ajuda para tudo isso, digamos que nós vamos passar mais tempo juntos agora… Senti o meu corpo estremecer, eu já passava um bom e seguro tempo ao lado daquele homem, mais daquilo seria arriscado e perigoso para mim. — Tudo bem pra você? – o seu tom era curioso. — Sim, não tem problema algum, podemos terminar isso. — Espero que não se importe de ter que trabalhar nesse final de semana... é um motivo necessário, eu realmente preciso de sua ajuda, posso lhe dar uma folga semana que vem se quiser. — Eu vou lhe ajudar, deixe comigo, senhor Martínez. Vamos trabalhar pesado nisso!
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