CAPÍTULO 18 ALANNY NARRANDO O quarto parecia pequeno demais pra tanta bagunça. Roupas espalhadas pela cama, sapatos jogados no canto, a mala velha aberta no chão esperando ser preenchida com a minha vida inteira. Cada peça que eu dobrava e colocava ali era um pedaço do peso que eu queria deixar pra trás. Meu pai tava encostado na porta, braço cruzado, a testa franzida. Ele me observava em silêncio, mas eu sabia que mais cedo ou mais tarde a bronca ia vir. E veio. — Filha… presta atenção numa coisa. — ele falou sério, a voz carregada de preocupação. — Quando tu for pra casa da tua tia, não se envolve com ninguém. Escuta o que eu tô dizendo. Continuei dobrando uma blusa, sem olhar pra ele. — Eu sei, pai… Mas ele não parou, a voz ficou mais firme. — Eu não tô brincando, Alanny. Deus m

