Capítulo 4

1036 Palavras
Madison Harrington A sala do delegado onde esperávamos era impessoal, eu não me sentia nenhum pouco à vontade aqui. Eu não conseguia ficar parada, minhas mãos tremiam, e o meu coração batia acelerado desde o momento em que cheguei à delegacia. O homem que havia me salvado, estava ao meu lado, calado, mas sua postura era como a de alguém que sempre estava preparado para a ação. Eu sentia o peso do que tinha testemunhado e sabia que aquelas fotos poderiam ser a única prova contra os monstros que vi na fábrica. O delegado finalmente entrou na sala com uma expressão confusa, mas séria. Ele colocou algumas pastas na mesa e cruzou os braços antes de me encarar. - Senhorita Madison, você está fazendo algum tipo de brincadeira conosco? – ele perguntou, com uma irritação velada na voz. Fiquei imóvel por um momento, sem entender. - Desculpe, não entendi o que quer dizer. Ele respirou fundo, esfregando as têmporas como se buscasse paciência. - Nossos policiais estão na fábrica agora, investigando o local que você mencionou. Não há corpo, senhorita. Nem sangue. Absolutamente nada que comprove o que você está dizendo. Senti um frio correr pela minha espinha. - Mas eu vi... – sussurrei, minha voz fraca. – Eles torturaram um homem. Eles mataram ele. Eu vi! - Supostamente, senhorita. Supostamente. – O delegado franziu a testa, claramente desconfiado. – Não há evidências. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele saiu da sala. Olhei para o homem ao meu lado, buscando algum tipo de explicação, mas ele parecia impassível, quase entediado. - Como isso é possível? – perguntei, minha voz quase um sussurro. – Eu vi o que fizeram. Era real! Você também viu eles atiraram na gente. Ele me encarou com um olhar firme, mas sem compaixão. - Eu avisei. Esses caras são profissionais. Eles não deixam rastros. E agora, você é uma ponta solta. Senti o meu estômago afundar. O peso de suas palavras me atingiu com força. - O que isso significa? - Significa que você precisa esquecer isso. – ele inclinou-se ligeiramente na cadeira, a sua voz baixa e séria. – Vá para casa, contrate seguranças e fique em alerta. Esses homens não brincam, e eles virão atrás de você. - Mas... eles nem me viram direito. – argumentei, minha voz tremendo. - Eles viram o suficiente. O tom dele era tão firme que me fez perceber a gravidade da situação. Meu coração acelerou, e lágrimas começaram a se formar em meus olhos. Depois de um tempo em silêncio eu falei. - A propósito, eu me chamo Madison. – estendi a minha mão para ele, que hesitou um pouco. - Ryan. – ele falou. Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ouvi o meu nome sendo chamado. - Madison! Me virei e vi meu pai e minha madrasta entrando na sala, sua expressão preocupada. Ele caminhou até mim e me envolveu em um abraço apertado. - Você está bem? — ele perguntou, a preocupação clara em sua voz. Assenti, tentando parecer mais forte do que realmente estava. - Sim, graças ao Ryan. Meu pai se afastou e olhou para Ryan, estendendo a mão. - Muito obrigado por salvar a minha filha. Eu estarei em dívida com você para sempre. Ryan apertou a mão do meu pai de forma breve. - Não precisa agradecer. O importante é que ela está bem agora. Minha madrasta, Elizabeth, que estava em silêncio até então, finalmente falou. - Ah, querida, que susto você nos deu. Havia algo em seu tom que parecia mais teatral do que sincero. Notei o seu olhar avaliador e cobiçoso em direção a Ryan, mas decidi ignorar. Elizabeth e eu nunca nos demos bem. Depois de mais algumas formalidades, fomos liberados para ir para casa. Antes de sair, olhei para Ryan mais uma vez. - Obrigada, de verdade. Ele apenas balançou a cabeça e se afastou sem dizer mais nada. Quando chegamos em casa, Jonathan estava aqui com a minha cunhada Miranda. Passei direto pelos meus irmãos e pela minha cunhada, que claramente queriam respostas. Entrei no meu quarto e fui direto ao banheiro, tirei minha roupa e liguei o chuveiro, deixando a água quente escorrer pelo meu corpo. Era meu único refúgio naquele momento. Quando saí, vesti uma calça de moletom e uma camiseta confortável. Olhei no espelho, tentando me convencer de que tudo ficaria bem. Mas, no fundo, sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Na manhã seguinte, acordei com o som de vozes e movimento na casa. Olhei pela janela e vi seguranças espalhados pelo jardim e pela entrada.Fiz minha higiene e tomei um banho rápido, coloquei um vestido confortável, e desci para encontrar o meu pai e Elizabeth na sala de jantar tomando café da manhã. - Bom dia! Pai, o que está acontecendo, porque a casa está cheia de seguranças? – perguntei, sentando-me à mesa. - São para proteção, Madison. – ele tomou um gole de café, parecendo mais cansado do que o normal. – Você testemunhou algo muito sério, e esses homens podem vir atrás de você. - Pai, eu não preciso disso. Posso me cuidar sozinha. - Não há discussão. – sua voz era firme, quase autoritária. – É para sua segurança. Antes que eu pudesse responder, o telefone dele tocou. Ele atendeu, mas imediatamente sua expressão mudou. Ele ficou pálido, e seus olhos se arregalaram. - Se você tocar em um fio de cabelo da minha filha, eu juro que vou acabar com você! Meu corpo inteiro congelou. Esperei que ele desligasse, meu coração acelerado. - Quem era? – perguntei, minha voz m*l saindo. - Era o homem que está atrás de você, Madison. – as palavras do meu pai pareciam pesar no ar. – Ele fez ameaças. Disse que virá atrás de você, Madison. O nome dele é Samuel Morales. Meu pai passou a mão pelos cabelos, claramente abalado. - Precisamos aumentar a segurança. Madison, hoje você não sai de casa, está claro? – ele continuou. Eu só consegui assentir, o medo me consumindo. Quando ele se levantou e foi para o escritório, me deixei afundar na cadeira, tentando absorver tudo. A ameaça era real, e eu estava aterrorizada.
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