Como sabe o que eu penso?

1074 Palavras
- Oi pai. - Theo o que deu em você? Por que não está na empresa? - Estou acompanhando uma funcionária doente. - Desde quando você acompanha pessoalmente funcionários? - Kalel estava muito insatisfeito. - Eu a feri acidentalmente. - Como foi isso? Theo explicou para o pai o ocorrido e no final Kalel questionou. - Tudo bem que você se responsabiliza, mas pode contratar alguém para acompanhá-la. Theo não sabia como explicar para ele os seus sentimentos. Desde que viu Maysa no restaurante, o seu coração estava inquieto e a sua vontade de cuidar da moça era genuína. Com medo que Maysa tentasse fugir providenciou somente camisolas para ela e orientou aos criados a ficarem de olho nela. Depois foi para a Lamarctec, realmente tinha muito trabalho. - Marcus me chama o Lucas. - Foi a primeira coisa que fez ao chegar no escritório. Lucas não demorou nem cinco minutos a entrar apressado. - Precisa de mim Sr Montenegro? - Quero saber o que ouve com a assistente Maysa. Lucas o olhou com olhos confusos, afinal tinha só três dias que o chefe havia chegado. - Ela está de licença por ter doado um rim. - Isso eu sei. Quero o quadro geral e qual o seu envolvimento com ela. Lucas ficou sem palavras. Como certeza ele entendeu errado. - Ela é como uma filha para mim. Não e o que o Sr pensa. - E como sabe o que penso? Mas ele realmente pensou como uma mulher linda de vinte e um anos se envolveu com um homem comum de mais de quarenta. - Porque a Maysa passou por todo esse processo e a empresa não tem conhecimento? - Ela não quis comunicar a empresa, tinha medo de perder o emprego. Só respeitei sua vontade. - E de onde veio todo esse medo? - Ela estava sendo tratada diferente pelos colegas, se sentiu intimidada. Também teve seu salário reduzido por precisar sair mais cedo ou chegar mais tarde. Theo ficou consternado. A empresa em si não fez nada para apoiar um funcionário em apuros. Então anotou mentalmente que tinha que fazer algo a respeito para mudar essa situação. - Pode ir agora. Qualquer coisa te chamo. - Sr Montenegro, eu estou preocupado. Desde o enterro da mãe, não tenho notícias dela. - Não há nada para preocupar. Ela está sob os meus cuidados. Contratei pessoas para cuida-la. - Fico mais tranquilo Sr Montenegro. Obrigado! Theo sacudiu a cabeça e não disse mais nada. Ao final do dia ele volta para casa ansioso para ver como está Maysa. - Sr Theo ela não se alimentou o dia todo, ela chora o tempo todo e não fala nada. Catherine informou logo que ele chegou. Entrou no quarto e ao ver a mulher deitada imóvel na cama se sentiu desconfortável. - Maysa você não comeu nada o dia todo. Assim não vai se recuperar, venha algo. Ela o olhou sem nenhuma expressão e se virou de costas sem nada responder. - O que faço com você? Catherine que estava ao lado não pode deixar de dizer. - Sra preparo o que quiser, mas por favor se alimente. Surpreendendo ela a respondeu. - Eu quero a minha bolsa. A governanta olha para Theo com cautela, depois de um aceno leve dele ela traz a bolsa. Maysa a pega e retira alguns papéis. Separa um e entrega a Catherine que levemente arregala os olhos. - Certo, vou preparar algo para você. Acontece que Maysa estava faminta, mas nada do que lhe foi oferecido estava dentro da dieta pós-cirúrgica dela e por esse motivo ela não comeu. Theo enfim percebeu que cometeu um grave descuido. - Me desculpa Maysa, não me atentei para sua dieta. Maysa novamente lhe deu as costas e virou para o outro lado da cama. Não estava disposta a falar com ele. Após preparar a refeição adequada, Maysa finalmente se alimenta para o alívio de Catherine. Maysa passa horas olhando pela janela, A vista maravilhosa lá fora. As pessoas indo e vindo as margens do Lago Michigan, pais com os seus filhos andando de bicicleta ou ‘skate’. Apesar da beleza do lugar ela sente-se triste e solitária, não conheceu o seu pai e a mãe partiu a poucos dias. Lágrimas rolaram em abundância pelo seu rosto ao se dar conta que não tinha parentes, estava sozinha no mundo. Theo a encontrou assim ao entrar no quarto dela, o seu coração doeu com a tristeza e aparência debilitada da moça. - Maysa você está bem? Com olhos embaçados pelas lágrimas ela levantou-se e caminhou para a cama no modo silencioso de sempre. - Maysa se estiver sentindo algo e só falar, te levo ao médico. Encolhida de costas para ele, ela fechou os olhos e continuou a chorar até adormecer. Theo puxou o lençol e a cobriu com um olhar preocupado. Após pensar por um tempo, decidiu buscar ajuda para ela com um profissional de psicologia. - Então Dra Cindy qual o quadro dela? Theo pergunta ansioso após mais de uma hora de consulta. - Ela está bem no geral. Está vivendo o luto e o pós-cirúrgico não e fácil. Psicologicamente está bem. - Mas ela está muito calada, quase não fala. - Ela não quer falar com você. Não há nada de errado com ela. - A cara de Theo ficou muito f**a, parecia que uma tempestade ia desabar. - Ela não quer falar comigo? - Você deve ter feito algo que a magoou muito, ela está muito chateada com você. Theo estava consciente do que fez, mas também estava tentando reparar o seu erro e já havia pedido desculpas várias vezes. Por outro lado Maysa está muito insatisfeita por ser obrigada a passar quinze dias presa no quarto. Para piorar ficar relembrando o quanto amou esse homem insensível, as vezes em que ele aparecia com seus pais e encham seu mundo de cor e alegria. Ao se lembrar de tudo isso se deu conta do abismo que existia entre os dois e tinha raiva de si mesmo por ter sido tão i****a. - Maysa! De repente a porta se abriu e Theo entrou no seu ângulo de visão a fazendo estremecer levemente. - Maysa sei que te feri e magoei acidentalmente. Por favor me desculpa. Vou dar o meu melhor para sua rápida recuperação. - Sr Montenegro já disse que você não é responsável por mim. Está me mantendo em cárcere privado.
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