- Oi pai.
- Theo o que deu em você? Por que não está na empresa?
- Estou acompanhando uma funcionária doente.
- Desde quando você acompanha pessoalmente funcionários? - Kalel estava muito insatisfeito.
- Eu a feri acidentalmente.
- Como foi isso?
Theo explicou para o pai o ocorrido e no final Kalel questionou.
- Tudo bem que você se responsabiliza, mas pode contratar alguém para acompanhá-la.
Theo não sabia como explicar para ele os seus sentimentos. Desde que viu Maysa no restaurante, o seu coração estava inquieto e a sua vontade de cuidar da moça era genuína.
Com medo que Maysa tentasse fugir providenciou somente camisolas para ela e orientou aos criados a ficarem de olho nela. Depois foi para a Lamarctec, realmente tinha muito trabalho.
- Marcus me chama o Lucas. - Foi a primeira coisa que fez ao chegar no escritório.
Lucas não demorou nem cinco minutos a entrar apressado.
- Precisa de mim Sr Montenegro?
- Quero saber o que ouve com a assistente Maysa.
Lucas o olhou com olhos confusos, afinal tinha só três dias que o chefe havia chegado.
- Ela está de licença por ter doado um rim.
- Isso eu sei. Quero o quadro geral e qual o seu envolvimento com ela.
Lucas ficou sem palavras. Como certeza ele entendeu errado.
- Ela é como uma filha para mim. Não e o que o Sr pensa.
- E como sabe o que penso?
Mas ele realmente pensou como uma mulher linda de vinte e um anos se envolveu com um homem comum de mais de quarenta.
- Porque a Maysa passou por todo esse processo e a empresa não tem conhecimento?
- Ela não quis comunicar a empresa, tinha medo de perder o emprego. Só respeitei sua vontade.
- E de onde veio todo esse medo?
- Ela estava sendo tratada diferente pelos colegas, se sentiu intimidada. Também teve seu salário reduzido por precisar sair mais cedo ou chegar mais tarde.
Theo ficou consternado. A empresa em si não fez nada para apoiar um funcionário em apuros. Então anotou mentalmente que tinha que fazer algo a respeito para mudar essa situação.
- Pode ir agora. Qualquer coisa te chamo.
- Sr Montenegro, eu estou preocupado. Desde o enterro da mãe, não tenho notícias dela.
- Não há nada para preocupar. Ela está sob os meus cuidados. Contratei pessoas para cuida-la.
- Fico mais tranquilo Sr Montenegro. Obrigado!
Theo sacudiu a cabeça e não disse mais nada.
Ao final do dia ele volta para casa ansioso para ver como está Maysa.
- Sr Theo ela não se alimentou o dia todo, ela chora o tempo todo e não fala nada.
Catherine informou logo que ele chegou.
Entrou no quarto e ao ver a mulher deitada imóvel na cama se sentiu desconfortável.
- Maysa você não comeu nada o dia todo. Assim não vai se recuperar, venha algo.
Ela o olhou sem nenhuma expressão e se virou de costas sem nada responder.
- O que faço com você?
Catherine que estava ao lado não pode deixar de dizer.
- Sra preparo o que quiser, mas por favor se alimente.
Surpreendendo ela a respondeu.
- Eu quero a minha bolsa.
A governanta olha para Theo com cautela, depois de um aceno leve dele ela traz a bolsa.
Maysa a pega e retira alguns papéis. Separa um e entrega a Catherine que levemente arregala os olhos.
- Certo, vou preparar algo para você.
Acontece que Maysa estava faminta, mas nada do que lhe foi oferecido estava dentro da dieta pós-cirúrgica dela e por esse motivo ela não comeu.
Theo enfim percebeu que cometeu um grave descuido.
- Me desculpa Maysa, não me atentei para sua dieta.
Maysa novamente lhe deu as costas e virou para o outro lado da cama. Não estava disposta a falar com ele.
Após preparar a refeição adequada, Maysa finalmente se alimenta para o alívio de Catherine.
Maysa passa horas olhando pela janela, A vista maravilhosa lá fora. As pessoas indo e vindo as margens do Lago Michigan, pais com os seus filhos andando de bicicleta ou ‘skate’.
Apesar da beleza do lugar ela sente-se triste e solitária, não conheceu o seu pai e a mãe partiu a poucos dias. Lágrimas rolaram em abundância pelo seu rosto ao se dar conta que não tinha parentes, estava sozinha no mundo.
Theo a encontrou assim ao entrar no quarto dela, o seu coração doeu com a tristeza e aparência debilitada da moça.
- Maysa você está bem?
Com olhos embaçados pelas lágrimas ela levantou-se e caminhou para a cama no modo silencioso de sempre.
- Maysa se estiver sentindo algo e só falar, te levo ao médico.
Encolhida de costas para ele, ela fechou os olhos e continuou a chorar até adormecer.
Theo puxou o lençol e a cobriu com um olhar preocupado. Após pensar por um tempo, decidiu buscar ajuda para ela com um profissional de psicologia.
- Então Dra Cindy qual o quadro dela?
Theo pergunta ansioso após mais de uma hora de consulta.
- Ela está bem no geral. Está vivendo o luto e o pós-cirúrgico não e fácil. Psicologicamente está bem.
- Mas ela está muito calada, quase não fala.
- Ela não quer falar com você. Não há nada de errado com ela.
- A cara de Theo ficou muito f**a, parecia que uma tempestade ia desabar.
- Ela não quer falar comigo?
- Você deve ter feito algo que a magoou muito, ela está muito chateada com você.
Theo estava consciente do que fez, mas também estava tentando reparar o seu erro e já havia pedido desculpas várias vezes.
Por outro lado Maysa está muito insatisfeita por ser obrigada a passar quinze dias presa no quarto. Para piorar ficar relembrando o quanto amou esse homem insensível, as vezes em que ele aparecia com seus pais e encham seu mundo de cor e alegria. Ao se lembrar de tudo isso se deu conta do abismo que existia entre os dois e tinha raiva de si mesmo por ter sido tão i****a.
- Maysa!
De repente a porta se abriu e Theo entrou no seu ângulo de visão a fazendo estremecer levemente.
- Maysa sei que te feri e magoei acidentalmente. Por favor me desculpa. Vou dar o meu melhor para sua rápida recuperação.
- Sr Montenegro já disse que você não é responsável por mim. Está me mantendo em cárcere privado.