Capítulo 36 MURALHA NARRANDO 🪨 Dias depois... Nunca fui muito de contar os dias, mas nesse lugar… cada segundo parece durar mais do que devia. Os ponteiros do relógio andavam devagar demais. A luz branca do teto era sempre a mesma, o cheiro de álcool no ar também. Só o silêncio mudava de vez em quando quebrado por um bip de máquina, uma voz no corredor, passos apressados. Hoje o silêncio era outro. Era o silêncio de despedida. Levantei da cama com calma e muita dificuldade, sentindo os músculos reclamarem. O corpo ainda pesava, mas já não parecia um fardo impossível de carregar. Eu tinha passado tempo demais deitado, tempo demais preso entre paredes frias. Quando a enfermeira entrou sorrindo e disse que os papéis da alta estavam prontos, respirei fundo. A sensação era estranha. C

